31 de outubro de 2009

meu nome é LETISGO

Escrever um blog é mesmo melhor que escrever um livro. Aqui a gente tem o registro do leitor, com contribuições tão interessantes que acabam provocando outras construções de texto. Agradeço logo a Juba, Mimo, Patty, Sassy, Tia Lola, Loly, Claudinha e quem leu e não comentou também.
Já deu para perceber que cada um de nós conhece histórias maravilhosas sobre nomes próprios. A criatividade parece não ter limites. Me imagino num daqueles cartórios de registro no interior, com livros imensos no colo, folhas A3 amareladas e escritas com letra de caligrafia. Deve ser um delírio.
Viagens a parte, volto para a era do computador e vejo que nada mudou. A internet, em especial, trouxe uma quebra de limites de tempo e espaço que fez com que a criatividade explodisse. Hoje tem gente batizando filho de Raj do Espírito Santo.
Uma amiga me contou uma história divertida sobre a influência de estrangeirismos nos nomes populares. Dia desses a irmã dela, médica, chama um paciente: “Letísgo!” Não houve resposta. Novamente tenta: “Letísgo!” Nada. Após mais duas tentativas, ia desistir quando um rapaz se levanta e fala: “É Letisgô, doutora”.
Vamos Lá, Lets Go! Com estrangeirismos/estranhissísmos ou não, inspirados pela internet ou pelas línguas que romperam fronteiras com ela, o que vale é ser original nesse mundo, onde a gente busca customizar nossa passagem pela vida.

29 de outubro de 2009

meu nome é JUSCINEY

Esse nome cobriria folhas e folhas de história. Só nesse instante que comecei a escrever, já me passou pela cabeça um milhão delas, contadas e compartilhadas com essa amiga-irmã que conheço há mais de 8 anos.
Jusciney é Ju para quase todos. Ju é uma espécie de nome artístico. Sabe Fernanda Montenegro? O nome verdadeiro dela é Arlete. Entenderam o espírito da coisa? Não adianta forçar a barra quando se pode simplificar. Só que esse apelido de Ju gera uma série de confusões. Por causa dele, ela já passou por Juliana muitas vezes. E quando descobrem que Ju vem de um nome, como falarei isso, incomum, fazem nosso velho conhecido “ah...”.
Alguém chuta quem deu esse nome a um bebê? O pai. Sempre ele. Jusciney era o nome de uma Miss de-não-sei-onde e virou o nome de minha amiga. Eu a chamo de Juba, minha querida Juba dos olhos verde azeitona.
Acho interessante como ela vira pra gente, com aquele olhar penetrante, e diz seu nome. Logo em seguida pergunta nosso signo e começa a calcular o ascendente. Com isso ninguém valoriza muito se é Jusciney, Juscinéia, Jusciléa, Juscineide ou Juscilene – chamo-a de tudo isso quando meu Cosminho perturbado baixa em mim.
Um dia a gente estava viajando e entramos em um lugar que vendia coisas de fazenda, na estrada. Procurei uma cachaça para levar de presente e encontrei uma cachaça chamada “Ariana”. Fiquei empolgadíssima, mostrando a todos. Ela começou a fuçar a prateleira e gritou para o vendedor: tem cachaça Jusciney? Essa é minha amiga, original como uma Jujuba Verde.

meu nome é JOÃO VICTOR

Até tentei sair da inspiração da família, mas meu sobrinho me pediu para contar a história do nome dele e eu não resisto a um pedido daquele toco de gente. Ele é meu primeiro e único sobrinho, o amor de minha vida. Com sua imaginação de 3 anos, desenhando cobras chupando picolé, sendo tão positivo em suas posições sobre o mundo, convém dizer que foi ele quem escolheu o próprio nome.
Minha irmã estava grávida, naquele período gostoso de escolha do nome perfeito para o filho, a gente foi dando pitacos de todo jeito. Só me lembro de que João Victor poderia ter se chamado Vinícius, como o Moraes, ou Guilherme, como o Arantes. Também deliramos em nomes exóticos tipo Branderley Cláudio – desconfio que ele não gostaria de ter esse nome...
Numa manhã, minha irmã acorda dizendo que sonhou com um nome e meu cunhado completou dizendo também pensou em um. Falaram quase ao mesmo tempo: João Victor. A gente desconfia que ele tenha soprado na orelha dos pais a pista desse nome que virou sinônimo de amor pra gente.
Antes ele falava que se chamava Dom Ditor, daí o apelido de Dom. Hoje ele já acerta falar o nome completo, João Victor Magalhães Botelho (Aguiar). O parêntese é de um sobrenome que não está em seu registro, mas ele diz que é dele.
Nome normal, nada complexo, a cara dele. Veio quebrando as regras criativas e impondo seu ponto de vista. O nome combina em tudo com ele e a gente confirma com frase dele: temos certeza “ablesoluta”.

28 de outubro de 2009

meu nome é ATENINHA

Contei as histórias de meu nome, da minha mãe e da minha irmã. Para fechar esse núcleo familiar feminino falta minha cachorrinha. Famosa que só, ela é conhecida em todos os lugares pelos quais passamos, mas ninguém pega o nome dela de primeira. Ela é Anteninha, Atena, Teninha, nunca Ateninha. Mal de família.
Ganhei esse totó poucos dias após o falecimento de meu pai pra me “distrair”, foi o que Bruno falou quando me deu. E a bichinha cumpriu com seu propósito, ou melhor, cumpre até hoje.
Pense que para escolher um nome a gente precisa de inspiração. Não é de repente que você olha para um cachorro e diz que o nome dele será X ou Y. Se bem que a quantidade de cães chamados Xuxa, Sacha, Maya, Raj, são de supor que foram soluços e não escolhas.
Fiquei uns dois dias no dilema de fazer com que aquele ser vivo continuasse vivo – não suportaria outra perda – e, lógico, escolher um nome que carregaria por toda a sua vida de cachorro.
Tentei vários até chegar a Ateninha – diminutivo de Atena, minha outra cadela que já desencarnara há tempos. Ela tinha cara mesmo de Ateninha, tão pequenina e sapeca que merecia um nome gostosinho como ela. Além disso, estava num período de tristeza, com pouca criatividade. Justificativas tolas, por que o nome combina em tudo com essa sapeca marrom e branca.
Quando perguntam a raça de Toca (seu nick), minha mãe se empomba pra dizer “SRD”. Quem não manja nada de cachorro faz aquele conhecido “ah...”. A pergunta seguinte é óbvia: “qual o nome dela?”. Falamos “A-te-ni-nha”, pausadamente para entenderem e surge outro “ah...”. No fim dão tchau para “o cachorrinho”, sem entender nada do nosso orgulho de ter um vira-lata tão fofo sob nossa guarda e com nome quase indizível.

25 de outubro de 2009

meu nome é SAIENE

Minha família, minha inspiração. Desde criança que escuto as histórias de como os avós de minha vó tinham nomes tão normais como Rodrigo e Clara e seus descendentes resolveram inovar nos cartórios, registrando Laurinda, Deusdinéia, Altair, Sigismundo, Sigisfredo ou Enéias. Anos depois, meus tios batizam seus filhos com nomes nada complexos a não ser por uma ou outra criação... Daí nasce o nome de minha irmã, Saiene.
Minha mãe estava grávida, sem saber o sexo da criança, escolheu Elga para ser o nome de minha irmãzinha. Meu pai não gostou muito e colocou na cabeça de minha mãe, e em minha boca de 6 anos, o perigo de chamarem a criancinha de égua.
Foi a conta para minha mãe não acertar falar o nome da menina e ter que, no hospital, catar algo criativo. Deve ter colocado a lista telefônica no colo, observado as identificações das enfermeiras e médicos, caçado na memória todos os amigos de infância, até que resolveu colocar os nomes dos tios de trás pra frente. Saiu Adnirual, Aienidsued, Riatla, Odnumsigis, Oderfsi... e Saiene (!). Foi.
Minha irmã sempre quis se chamar Patrícia. Todas as brincadeiras ela era Patrícia. Sem chance. Saiene virou Sai, Sassai, Dona Sai, Tia Sai, e, se fosse ela, ergueria as mãos para o céu por seu nome não ser uma variação parecida com Oded. Viva a criatividade!

23 de outubro de 2009

meu nome é ALTAIR

É uma benção ter tantos amigos que compartilham comigo certo desconforto com o fato de ter que explicar durante toda a vida a mesma coisa (vide posts). Apesar de ter me inspirado para esse blog em Maurinézia Henriqueta (história para futuro), resolvi começar por mim e continuar na família – acho que, por enquanto, é mais seguro.
O nome agora é Altair, só que não é meu pai, é minha mãe. Lá se vai mais um batismo escolhido pelo chefe da família de gosto duvidoso.
Sempre penso que carregar um nome é uma responsabilidade imensa e meio que define nossa personalidade. Minha mãe é forte e decidida, tudo a ver com o fato de ter que justificar sempre que não é “o” Altair, mas muito mulher.
Um dia um cliente do supermercado que trabalhava entrou na sala procurando “senhor Altair”. Ela levantou-se e se apresentou: pois não, Altair sou eu. O infeliz comenta: a senhora é o senhor Altair?! Minha mãe prontamente respondeu que já é difícil carregar esse conflito e ele ainda piora, mesmo sendo testemunha ocular do feminino nela. Não dá pra ter paciência o tempo todo...
Como meu avô chegou a esse nome? Não sei bem. Fui perguntar pra ela, mas o Globo Repórter deve estar chato demais que a fez dormir. Pode ter a ver com o nome de minha avó, Altamira (é, é mal de família...). Pode ter sido uma inspiração astronômica: Altair é o nome de uma estrela, a mais brilhante da constelação de Áquila, oito vezes mais luminosa que o sol. Bem, não importa como nunca importa quando a gente ama muito.

18 de outubro de 2009

meu nome é ARIANA

Todo mundo que conheço me pergunta: "por que seu nome é Ariana?". Antes mesmo que responda, já emendam: "você é de áries?"; respondo: 'não, sou de libra'. Normalmente isso mata a conversa. Mas têm aqueles que acham que pegaram o gancho para altos papos e dão continuidade a investigação.
Sem precisar de ferramentas de pesquisa muito elaboradas, tenho certeza de que essa é a rotina dos que foram registrados, batizados e abençoados com nomes, digamos, pouco comuns para o contexto. Começo logo por mim pra você compreender por que resolvi criar esse blog - um presente nas vésperas de meu aniversário, por ter que responder essa pergunta já faz 38 anos.
Ariana foi ideia de meu pai ao me ver no berçário, primeira filha, branca como a neve, com olhos azuis como o céu - a perfeição, a raça pura, a 'ariana' da vida dele. Claro que ele não era simpatizante do nazismo, só gostava de ler sobre a história do mundo. Só que ficou chato no dia que, em um curso de memorização, tive que associar meu nome a algo fácil de recordar. Chutei: nazismo+acm = Ariana Magalhães. Todo mundo lembra até hoje; muito constrangedor.
Inventei outras explicações, adequadas a meu estilo politicamente correto: meu pai amava uma ariana (minha mãe é de áries); "Ariana" é nome de uma antiga casta indiana (explicação boa para a época de "Caminho das Índias"); "Ari" era meu padrinho e "Ana" minha tia (só q essa é meio mentira); "Ariana, a mulher" é uma bela poesia Vinícius de Moaraes (essa eu adoro).
Enfim, gosto de meu nome. Marcou minha vida, meu jeito de ser na contra-mão. Já habituada de ter que me aproximar e dizer: é Arianaaaaaaaa, sem o 'd', por favor.