29 de novembro de 2009

meu nome é XERLÉIAS

Essa tenho que contar. Em minhas andanças pelo extremo sul do estado, eis que encontro uma das histórias sobre nomes mais divertidas que ouvi. Conversando com uma professora fiquei curiosa (novidade) para saber o porquê de seu nome: Xerléias. Ela contou que seu pai foi registrá-la com um nome simples, fácil, possível, mas mudou de ideia quando chegou ao cartório – olha a ação do pai novamente.
O simpático é que não contou para a mãe da menina que Márcia virou Xerléias e nem ela se interessou em conferir o registro (cuidado com isso - uma dica de interesse público deste Blog).
Creia, a situação só foi descoberta na escola quando a professora não encontrava o nome de Márcia na chamada, nem a tal da Xerléias aparecia. Conferindo os fatos, descobriu-se como pode ser fértil a imaginação de um papai.
Como se não bastasse essa história, no mesmo dia ouvi outra tão interessante quanto. Um senhor, também da região, foi registrar seu filho com o sugestivo nome de "Adevogado de Deus". O oficial do cartório foi contra, ufa, mas o pai se revoltou: então registra com qualquer nome, pois ele vai ser chamado de "Adevogado" (fala-se ê) de qualquer maneira. E hoje ninguém conhece o homem com o nome de batismo – que também esqueci agora. Só me lembro do apelido: Dêva. A-dêva-gado, sacou?
A hipocrisia do brasileiro é assustadora. Se chinês coloca nome de filho de “@” porque o senhor de Posto da Mata não pode registrar "Deva" e virar notícia também? Só Agenor gritando mesmo pra o Brasil mostrar sua cara (e eu peço que me mostre seus nomes).

16 de novembro de 2009

meu nome é CLAUCIRLEI

Buscando inspiração para novos textos, resolvi sair um pouco do eixo amigos-família e me aventurar nos nomes artísticos. O filhote americano de São Longuinho, o Google, me apresentou um rol imenso de títulos. Tendo como base essa pesquisa, cheguei ao nome-título desse post: Claucirlei. Deve ter sido fácil dizer para Buchecha que como Claucirlei Jovêncio de Souza ele não tinha futuro na música funk carioca.
Viajei no casamento de Bernadete Dinorah e Pedro Anibal - seus cabelos coloridos devem ser reflexo da rebeldia pelos nomes de batismo. Baby Consuelo e Pepeu Gomes mandaram muito bem nos codinomes. Puxa vida, só não entendo porque, depois da gente reconhecer os artistas pelos nomes artísticos, eles resolvem mudar tudo. Bernadete Dinorah deve ter se cansado de ser Consuelo e agora é do Brasil. Aí gosto da rigidez do sistema de registro de nascimento do país – não seria tão fácil assim para minha irmã Saiene virar Patrícia ou Mariana.
Outra pérola é Demetria Gene Guynes. Lendo o nome pensei em uma mulher carrancuda, sem dente e com canelas de siriema. Mas Demi Moore, definitivamente, não é isso. Também não me imagino suspirando pelo impronunciável Farrokh Bommi Bulsara cantando Love of My Life: ai, ai, Freddie Mercury...
Os brasileiros são mais divertidos. Tem Agenor, Cledivan, Nilcedes, José Eugênio e Emival Etero, respectivamente Cazuza, Chimbinha, Glória Menezes, Jô Soares e Leonardo (da dupla). Mas o meu preferido é Maria Odete. Imagino o anúncio de que ela está entrando no palco. Tudo escuro. Acendem-se luzes vermelhas e roxas, em seguida a luz negra para dar o clima sensual. Entra Maria Odete, rebolando, com roupa minúscula, vermelha e preta. Cabelos jogados de um lado para o outro. A pioneira da “Bunda Music” começa a cantar em inglês, com voz engasgada, “Conga La Conga, Conga, Conga, Conga”. Dá-lhe Maria Odete! Freak Le Boom Boom, Gretchen!

15 de novembro de 2009

meu nome é ARCHIMIMO

Pronuncia-se “Arkimimo”. O nome de meu amigo é uma exótica homenagem ao seu avô. Fico pensativa sobre heranças como essa. Coisa que não se gasta, não se troca, marca sua vida toda e pode definir o que você é para sempre.
Bom, pra mim ele é Mimo ou Miminho quando quero pedir ajuda no Photoshop. Mimo é um artista, um Design talentoso. E tem um nome sugestivo, tipo artista mesmo. Gosto também de chamá-lo de Arc Costa: faz pressão. Aliás, todas as pessoas que têm nomes pouco comerciais precisam de um apelido. Os meus dão um blog a parte. Já pensou um menininho sendo chamado de Archimimo? Tem que ser Mimo e pronto.
Quando falei que escreveria sobre um amigo meu chamado Archimimo o povo daqui fez uma careta: “você tem uns amigos com nomes estranhos, hein?”. Só rindo.
Não escolho meus amigos pelos nomes, mas, pensando bem, algumas pessoas queridas que passaram por minha vida ou ainda mantenho contato, são material bom para esses escritos, tipo Carla Cinderela, Cleópatra Cátia, Zimaldo e Archimimo. O ex-pároco de Mucuri chama-se Cecifran. Parece que alguns pais se inspiram colando letras na sopa de letrinhas.
Voltando a Mimo, sei que ele deve ter histórias divertidas sobre esse nome. Essas histórias devem estar guardadas juntas de outras contadas por ele e que já nos renderam muitas e boas risadas. Miminho é o melhor companheiro de viagem que já tive. Na Chapada a gente não era nem Ariana, nem Archimimo, éramos só energia. Mimo também foi o único que topou esperar três horas numa fila para eu pegar um autógrafo de Zeca (Baleiro). Um mimo de amigo, um arqui-companheiro.

7 de novembro de 2009

meu nome é SIGISMUNDO

Mas podem chamá-lo de Sérgio. Esse recurso que meu tio usou para simplificar as apresentações é clássico. Acabou trocando o nome diferente por um fácil de memorizar e resolveu todos os seus problemas.
Bem, Sigismundo foi ideia de meu avô, leitor, que quis homenagear Freud num filho. O menino devia se chamar Sigmund, mas o abrasileiramento do nome de Freud no cartório de Rubim (MG) deu em Sigismundo que virou Sigis que virou Seges que virou Sérgio. Entendeu? Ainda bem que quando nasceu seu filho homem deram o nome de Sérgio e para nós é Serginho, como se fosse Júnior.
Não imagino como era na escola, em sua época de criança. Pelas fotos vejo um rapazinho das pernas magrelas, com olhar de homem, pronto para desafiar, possivelmente, quem quisesse brincar com ele por causa do nome. Cresceu e virou um homem com olho de criança travessa e pronto para rir junto com quem quiser tirar sarro de qualquer coisa da vida, até de seu nome.
Esse tio é muito querido. Quando eu era criança o chamava de tio Xége, muito mais fácil que tio Sigismundo. Aliás só minha mãe o chama por um apelido que lembra o nome de registro: Mundo. Ele deve ter muitas histórias para contar sobre o nome, mas agora são essas que me lembro. Sobre ele as histórias se multiplicam e com trilha sonora de Martinho da Vila – “vem logo vem curar seu nêgo que chegou de porre lá da boemia...” – cantada com um sorriso largo e uma alegria que vem de dentro. Freud explica.

5 de novembro de 2009

meu nome é MARIANA

Tenho que me render a esse nome não complexo, mas bem popular em minha vida. Esses dias fui telefonar para Mariana e enlouqueci com minha agenda. Tinha “Mari MU”, “Mariana SSA”, “Mari” e “Mariana”. Como pude fazer isso comigo?
Nomes fáceis de gravar podem virar um problema. Hoje minhas quatro amigas Mariana precisam de sobrenomes para serem identificadas. Isso acontece muito em escola, quando a gente é criança. Eu mesma tinha duas colegas Gabriela. Uma era Gabriela Bicalho e a outra Gabriela Andrade, eu acho. Bem, na época eu sabia.
É muito bonitinho ver as crianças chamando os colegas por nome e sobrenome. João Victor tem duas colegas Andressa. Ele diz que uma é “Dedê” e a outra é “Outra Dedê”. Com três anos a gente facilita as coisas.
Então, eu e minhas amigas Mariana. Consegui enfim identificar minha agenda, usando o recurso pré-escolar. Agora preciso encontrar um jeito de escrever e-mails. Mandei um para Mariana Scaldini com cópia para Mariana Andreatta. E devo ter confundido as duas pois chamei uma de Mari e a outra de Mari também. Pedi a Mari para organizar um café e para Mari para ajudar Mari. Triste.
Quando estão próximas, chamo uma de Mari e a outra de Mari Mari. Quando tiverem três, vai ser dose: Mari, Mari Mari e Mari ao cubo? Isso me confunde bastante. Pra completar, Mariana é um nome único, normalmente, porque conheço uma Roberta Mariana (a indecisão...), mas essa a gente chama de Ló – ufa!
Mariana é um lindo nome, muito mais fácil de gravar que o meu e ainda tem música feita por Seu Jorge em homenagem a sua mulher Mariana (ouça; é linda). Confesso que desejei um dia ter esse nome - ia ganhar uma música de brinde. Tudo bem, não soaria bem na escolinha: Mariana Magalhães. Parece eco. Mas poderia me identificar mais facilmente com personagens de novela ou de livro.
Encontrei um livro de Fernanda Young que tinha uma personagem chamada Ariana. Pulei muito! Chama-se “A sombra de vossos pés”, ou algo assim. Comprei o livro e devorei cada página achando que ia me encontrar ali, nome-personagem-ego tudo junto. Qual nada, a mulher era muito doida, teve experiências que me fazia arrepiar os cabelos e falava palavrão. Um lástima.
Minhas amigas Mariana, minhas primas Mariana, desculpem-me mas serão para mim sempre Mari quando separadas ou juntas porque acho esse apelido um doce, parecido com vocês. Desculpem-me também por dedicar esse texto a Mariana Soledade que me pediu para fazer um texto sobre seu nome "sem graça"....rs

3 de novembro de 2009

meu nome é CLAUDIO GILSON

Agora que mexi na caixinha de memória das cidades que passei, vai ser difícil conter os tantos nomes que ressurgiram e talvez tenha que produzir textos em série. No anterior falei de Poções, agora tenho que falar de Dias D’Ávila.
Na proporção correta, cada uma dessas cidades é um divisor de águas em minha vida. Uma por carregar meus genes, minhas heranças; a outra por ter sido palco de minha adolescência. Palco não é jeito de falar, é como me lembro dessa época. Vejo-me sempre com uns tênis de cano longo coloridos, uma calça com um dragão desenhado e uma blusa estampada com uma foto de Billy Idol com pose punk e um alvo nas costas (não me lembro de uma música desse cara, mas do nome não esqueci nunca). Isso porque não bloqueei a lembrança de meus cabelos.
Bem, essa figura teve um primeiro amor, e um primeiro beijo, e um primeiro fora, e o nome do cara é Claudio Gilson, irmão gêmeo de Gilson Claudio. Escrevi esse nome muitas vezes em meus diários, que rasguei assim que voltei a morar em Salvador, para esquecer da frustração da história meio Romeu e Julieta, proibida por meu pai. Fazia um coração e escrevia dentro C&A – sem merchandising. Nunca pensei em escrever CG&A, mas nunca consegui desvencilhar um nome do outro na minha cabeça.
Gilson é o nome do pai e Claudio era o nome que ele teria se nascesse apenas um. Mas foram dois e Tia Vera foi bem democrática, a meu ver. Preferiu não abrir mão de nenhuma das opções e transformou dois nomes em outros dois.
O interessante é que devo ter cristalizado algo no livro de minha vida porque sempre que conheço alguém pode crer que o sujeito tem nome composto. Já pergunto, quase rindo, e é fatal que tenha um José, um Antônio, um João misturado com outro nome, ou algo mais exótico como dois nomes nada a ver, juntos só por indecisão dos pais no momento da escolha.
Enfim, já me acostumei com essa sina inaugurada em Dias D’Ávila. Mas agora acabo de me lembrar que houve um antes de Claudio. O primeiro dos primeiros, quando tinha seis anos mais ou menos, chamava-se Ronderlon. Meu destino podia ser pior...

2 de novembro de 2009

meu nome é PAULINA

As histórias da cidade natal de meus pais rondam meu imaginário desde criança. Poções é o protótipo de cidade de interior da Bahia. Tem igreja, praça, festa de padroeiro, desfile de 7 de setembro movimentando a cidade, jardim com flores, primos casando com primos e, claro, muitos nomes interessantes, incluindo os de minha família.
Escolher um para puxar esse texto é que foi difícil. Comecei pensando em minha vó, Altamira, e em sua penquinha de filhotes com nomes diversos. Só que essa história é tão cheia de outras histórias que prefiro escrevê-la aos poucos.
Aí vieram outros parentes, por parte de mãe e pai, amigos de infância, pessoas ilustres da cidade, até que me lembrei de um nome que está gravado em minhas memórias. Se esse nome não marcou aquela mulher, me marcou definitivamente a ponto de achar que Paulina é nome de doida.
Diz à lenda que Paulina ficou doida após ser abandonada no altar. Vivia na rua, com um saco jogado nas costas, cheio de coisas catadas aqui e ali, e tinha um chapéu na cabeça. A lembrança é de um ser marrom. Tudo nela era dessa cor: pele, roupa, cabelo, dente. Eu morria de medo de cruzar com ela e me escondia quando a via batendo à porta da casa de minha vó, pedindo algo pra comer.
Em Poções, Paulina era a doida e Isaulino era o doido (esse é sinônimo de doido só pra minha mãe pois foi anterior a mim). Esse ciscava como galinha e segurando as calças. Tinha um que se chamava Jipe, mas acho que era apelido porque o doido era ele e não quem o registrou. Apesar de que, se começar a fazer uma relação dos nomes dos nativos da cidade, talvez a gente comece a desconfiar da pessoa do cartório.