19 de dezembro de 2010

meu nome é DOIS-MIL-E-DEZ



2010, fim do ano
Venha um novo
Capítulo seguinte
Da história contínua

O tempo
Sem início ou fim
É comemorado
Com fogos de artifício
Taças transbordantes

Visto branco
Visto azul
Não importa a cor
Desejo o novo tempo
Aquele onde mora a esperança
De dias justos
De amor e alegria
E enfim paz

Imaginação do homem
Rito de passagem
Apenas necessário
Sempre libertador
Certamente consolador

No tempo
É apenas nele que preciso estar
2011, o ano novo de novo

12 de dezembro de 2010

meu nome é SENOR ABRAVANEL

Esse microfone é lendário. Cresci achando que ele era normal.

Ou seja, Silvio Santos, aniversariante de hoje. Aos 80 anos, Silvio é um dinossauro na televisão brasileira, em tempo de exposição e imagem sólida na inconstante mídia que reinventa a cada período seus ícones.

A Folha fez uma reportagem bem divertida sobre Sílvio, com oitenta curiosidades sobre sua vida. Um grande círculo remete a brincadeira de palco que fazia (faz ainda?) no "Qual é a Música" (ainda existe?). A primeira referência me deu vontade de correr pra esse espaço. Vejam só que riqueza:

1. o nome Abravanel foi homenagem a Dom Isaac Abravanel, que salvou Portugal da falência no século XIV - será que o homônimo pensa em fazer o mesmo com nosso Brasil varonil?

2. O melhor do nome vem na explicação seguinte: como no Brasil não era usual o "Dom", substituiu-se por "Senor" que quer dizer senhor.

3. A mãe não gostava de chamá-lo de Senor e inventou o Silvio. Num concurso na rádio, apresentou-se como Silvio Santos, pois santos ajudam.

Genial! Se todas as estrelas escolhem seus nomes artísticos assim, não pararia de escrever sobre isso nunca! É história de gente e eu adoro isso.

Divirtam-se:
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/843332-conheca-80-curiosidades-sobre-silvio-santos-que-aniversaria-hoje.shtml

10 de dezembro de 2010

meu nome é PARDAL


Brasileiro é como o Prof. Pardal quando se trata de inventar nomes. Cria, mescla, importa, faz jogo com consoantes e vogais, transforma e tchanram! Eis a obra criativa mais perfeita para batizar o rebento.
Inspirada pelo personagem, não criei, mas garimpei aqui por onde vivo alguns nomes para novos papais e novas mamães consultarem a vontade:
Adeive
Alterives
Elaneide
Emiliane
Estanislau
Euclédia
Euflásio
Euzélia
Flaviele
Gedemárcio
Gildarth
Irisson
Jimicarlos
Laudeir
Lindojohnson
Midian
Slobert
Valvênia
Wanklesbes
Zuziane

8 de dezembro de 2010

meu nome é GRACINHA

O que seria das cigarras sem as formigas e vice-versa?

Depois de uma semana em auditoria e reuniões tensas, chegou a sexta-feira e junto um desejo de ser irresponsavelmente feliz. Mas como fazer isso virar realidade se ainda resta um dia inteiro de trabalho pela frente? Saí da penúltima reunião do dia rezando para não morrer antes do carnaval 2011. É no carnaval que, há 39 anos, liberto meus monstros e pauto minha vida emocional. Isso é tão bom que ano após ano falo para mim mesma que a idade chegou, pedindo para parar de bobagem e aproveitar o dinheiro gasto em blocos e camarotes, investir em viagens internacionais, mas não me "autoconvenço".
Entrei na sala cantarolando uma música antiga de Ricardo Chaves: "acabou o o o ou, acabou". Ninguém entra no clima porque a preferência da turma é sertanejão. Tudo bem, vou para a copa buscar solidariedade. Encontro D. Gracinha e Nilzinha organizando o espaço naquele ritmo formiguinha próprio das pessoas que trabalham com limpeza: calem-se as cigarras por que as formigas precisam trabalhar! Abortei a ideia de cantar em voz alta. Só que a felicidade queria se manifestar, aí confessei para elas que não quero morrer antes do carnaval, respondido de imediato pelas duas com um "credo, Ariana". Passo seguinte: interagir para conseguir sorrizinhos das sérias formiguinhas.
Eu: Ah, vou sentir muita falta do carnaval quando morrer. E vocês, do que setirão falta?
Dona Gracinha: Ave Maria! Vou sentir falta de meus filhos!
Eu: Não é de pessoa que estou falando, D. Gracinha, é de coisas, lugares, cheiros, gostos.
Dona Gracinha: Entendi. Acho que vou sentir falta do mundo, de abrir os olhos, ver o dia iluminado.
Precisavam ter visto a carinha dela falando isso, com a maior saudade do mundo, como se já estivesse a beira do desencarne. Aí entro eu com outra variável: quero ser recebida no céu por minha cachorrinha! - Dona Gracinha fez aquela cara de "ô Ariana bobinha" e me contou uma história linda. Quando era criança a mãe dela dizia que quando a gente morre é recebidos na primeira parada por diversos animais. A sede é grande, por isso os cães trazem água no coco na cabeça. Se a gente foi bonzinho com eles na terra, recebemos água limpinha; se maltratamos os bichinhos, eles trazem água cheia de terra (pronto, minha totó deve trazer suco de morango para mim e eu vou tenho que levar chimango pra ela - ainda estou pensando como fazer isso).
Enfim, Dona Gracinha é uma gracinha de pessoa. Adoro conversar com ela simplesmente por ser simples e intenso. Viva as formigas!

2 de dezembro de 2010

meu nome é VIMERSON


Ganha um doce quem adivinhar quem é Vimerson. Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três. E aí? Nada? Gente, esse cara lindão é simplesmente o Tob do Balão Mágico! Aquele cabeçudo que fez o maior sucesso na década de 1980 junto com Simony (é a da Playboy e dos escândalos) e o Mike (filho do cara que assaltou o trem pagador, o Ronald Biggs). Lembraram? Não???? Como assim não?! Vimerson cantava no grupo que fez a trilha sonora de minha infância. Enquanto eles voavam no Balão Mágico, eu de cá voava na imaginação e nos meus cadernos de desenho. Bons tempos ser criança naquela época. Hoje, pergunte a meu sobrinho qual a música favorita dele e vai ganhar uma resposta assustadora: Reboleixuxu!

28 de novembro de 2010

meu nome é KUDKEN

Essa descoberta foi de meu pai. Ele tinha um colega de trabalho com esse nome. Nome oriental de infeliz duplo sentido no Brasil. Um dia ele viu o colega passar na rua e começou a chamar: Kudken! Kudken! Minha mãe, ruborizada de vergonha, começou a brigar, querendo saber como meu pai gritava um apelido tão doido na rua, sem pudor. E meu pai, com voz de trovão, respondeu com simplicidade que não era apelido, era o nome do sujeito. Minha mãe sabia que não apenas ela, mas toda a rua devia estar de olho em meu pai e no pobre Kudken e tratou de se esconder em uma loja lotada, deixando que o dono do nome e quem o chamava se entendessem com a sociedade baiana tipicamente crítica e gozadora. Ô dó...

27 de novembro de 2010

meu nome é MARIA IZILDINHA


Per favore! Ela não é muito simpática, assim como o seu nome verdadeiro, mas a voz é dos céus! Zizi Possi veio ao mundo para cantar e basta.

meu nome é CURDULINA

Amiguinha de minha vó que minha mãe chama carinhosamente de tia Cudu. Fala sério!

26 de novembro de 2010

meu nome é LUÍS LÁZARO


Simpatia: talento. Alegria: talento. Beleza: talento. Energia: talento. Inteligência: talento. Nome simples: talento. O terceiro mosqueteiro ou seria o Dartagnan? Adoro!

meu nome é WAGNER MANIÇOBA


...de Moura... kkk... Desculpe, Wagner, mas Maniçoba é um supernome e precisamos tê-lo aqui. Caramba, que barato! Por que não adotou essa pérola no mundo artístico? Não bastasse o talento, beleza, simpatia, ele possui algo ainda mais sui generis para incluí-lo nesse espaço. Mais contextualizado não existe!

meu nome é PAULO VLADIMIR


Colírio com nome composto. Hum, tudo a ver! A gente até perdoa a combinação exótica nos nomes.

meu nome é BRANDERLEY CLAUDIO

Ah, esse foi descoberto numa reportagem antiga e agora relembrado na IstoÉ. Seja o que for, é.
http://www.istoe.com.br/reportagens/38457_ARSENAL+DO+PRAZER?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

meu nome é LEYDENEYSE

Anúncio na rádio de Eunápolis. Os "ys" foram incremento meu.

meu nome é VANEUZA

nome: NP 40576, ô, Luís da Silva... (fonte: Google)
Esse foi em Salvador. Passei duas horas no aeroporto, caçando o que fazer como dizem. Entra e sai nas lojas (todas elas) e deu fome. Na lanchonete eis que me atende um crachá, ô, uma moça: Vaneuza. Achei simpático todo e taí para registro.

meu nome é ARRAIANA

Arraiana FM é uma rádio de Porto Seguro / Arraial D'Ajuda. Descobertas da viagem para Arraial que fizemos no feriado. Nomezinho engraçado demais pra sair impune.

10 de novembro de 2010

meu nome é DARA


Sensacional: estou viciada em Ti Ti Ti. Credo! Tanta coisa pra fazer, tanto o que viver e eu assistindo novela, acompanhando cada capítulo com olhos hipnotizados pelos personagens divertidos. Notei a doença midiática hoje quando dispensei uma caminhada agradável com minhas amigas que sonham em ficarem malhadas antes do sábado em Arraial por coincidir com o 42º capítulo (brincadeirinha, não conto os capítulos... será que devo?).
Quantas novelas já acompanhei até hoje? Nem me lembro... Era superviciada em TV até minha adolescência, quando os livros começaram a ocupar mais meu tempo do que a telinha. Depois com o advento da internet - adoro essa palavra "advento" - meu interesse pela programação estática da TV acabou mesmo. Hoje assisto um pouco da Globo (resquício de ontens) e filmes, documentários no canal fechado. Mas aí vem o remake de Ti Ti Ti e a guerra divertida de Victor Valentim e Jacque Leclair. Adoro! Voltei ao vício rapidamente.
O título do post é em homenagem a uma novela que fiquei louca para assistir, enquanto estava sendo anunciada. Tinha uma cigana chamada Dara e vários bebezinhos nasceram Dara - como hoje vários bebezinhos nasceram Davi por causa do filho de Claudia Leite. Na verdade minha expectativa era com o cigano Igor, uma cara nova na TV, com um charme absurdo, enquanto estava de boca fechada. Quando o modelo-tentando-ser-ator-e-não-dando-certo abria a boca, saia um "Dara" forçado, esquisito, que me fazia contorcer no sofá de vergonha por ele. Socorro! Carinhas bonitas não são tudo, definitivamente.
O cara era um corta-tesão, um misto de cigano, robô e ornitorrinco que Deus que me livre! Até hoje ele está nas revistas: virou celebridade, ex de alguém, estrela de novelas de gosto duvidoso. Não sei o nome dele nem vou pesquisar no Google. Ficaremos aqui com o som de sua frase de efeito "Te amo, Dara" e o registro de que existem ainda boas produções de novela no país, mesmo que remakes.

7 de novembro de 2010

meu nome é FÉLIX


Segundo pesquisas na internet, lembrando que fontes virtuais não são 100% confiáveis, encontrei o que procurava. Não quero me referir a determinada pessoa que conheço com esse nome - e conheço uma, o tio de meu pai -, mas ao significado do nome em si. Felix significa feliz.

A ideia é: entre nas redes sociais e procure uma cara triste. Alguém já encontrou isso? Como dizem, é mais difícil de ver do que cabeça de bacalhau. O pessoal é feliz. Todos nessas redes vivem uma espécie de "síndrome da felicidade" ou "síndrome da integração social" ou comportamento parecido com uma síndrome. Felixes e Felícias (feminino de Félix) batizados com outros nomes.

Imagens públicas são rótulos de qualidade, entendo, fiz faculdade de Relações Públicas e estudamos todas as ênfases da imagem, mesmo assim me chateia o mundo de sorrisos forjados das redes sociais. Principalmente naqueles dias em que nosso próprio humor está às avessas...

Enfim, meu próximo animal de estimação, talvez um porquinho da índia, chame-o de Félix T (de triste) - posso ter aí um equilíbrio de emoções que meu âmago libriano precisa.

3 de novembro de 2010

meu nome é LUCIANA

Hoje estou melancólica; procurei uma música igualmente tristinha e encontrei "Cantiga por Luciana", cantada no Festival de Música de 1969, tempo igualmente melancólico e triste, mas que causou um avanço cultural sem precedentes no nosso país. Assim espero que esses momentos funcionem em mim: crescimento sempre. O vídeo não é dos melhores, mas dá pra viajar no tempo.



Cantiga por Luciana (Evinha - Composição: Paulinho Tapajós e Edmundo Souto - 1969)


Manhã no peito de um cantor
cansado de esperar só.
Foi tanto tempo que nem sei
das tardes tão vazias
por onde andei.
Luciana, Luciana,
sorriso de menina
dos olhos de mar...
Luciana, Luciana
abrace essa cantiga
por onde passar.
Nasceu na paz de um beija-flor,
em verso, em voz de amor,
já desponta, aos olhos da manhã,
pedaços de uma vida
que abriu-se em flor.

24 de outubro de 2010

meu nome é ELISÂNGELA

O espírito brega incorporou em mim nesse final de domingo. Quem advinha qual ferramenta da internet alimenta melhor nossa breguice? Claro, o YouTube! É ali que todas as imagens animadas estão, especialmente aquelas escondidas em nossa memória, as que a gente quer esquecer.


Mas um dia, num domingo especialmente, naquele horário que parece que bate a culpa do fim de semana, a gente entra na internet, sem procurar nada em especial, entra no YouTube e a mãe fala: será que tem aquela música de Roberto Carlos? E a gente acha Roberto Carlos; só que do lado direito estão outros vídeos do mesmo período e a curiosidade baixa...


Quem encontrei dessa vez? Elisângela cantando no Fantástico em 1978. Acesso o vídeo e o que acontece? Lembro de toda a letra da música. Memória dedo-duro! Queria achar que Elisângela é apenas a atriz da refilmagem de Ti Ti Ti e que nunca, nunca mesmo, saberia que ela cantou alguma vez. Mas lembro. Lástima!


Blog sobre nomes me força a contextualizar a história. Por que Elisângela veio como título? Porque ela foi corajosa para ser uma atriz-cantora de um nome só. Não usa sobrenome, nem títulos como Miss Lene ou Lady Zu. Quem não conhece, desculpe, que pesquise. Chega de denunciar minha idade!


Como não sou velhinha sozinha, todo mundo tem que ver como era Elisângela na década de 1970. Mas têm que me prometer procurar também Lady Zu, Miss Lene, Tina Charles etc.


23 de outubro de 2010

meu nome é WLYKY RAYKY

Hoje, quando acordei encontrei minha mãe pensativa a respeito de uma reportagem que assistiu sobre bullying na TV. Ela se impressionou com o grande índice de suicídios de jovens por conta da tirania desse tipo de assédio, provocando o desequilíbrio total do agredido. O jovem se vê em estado de isolamento social e desesperança, que acaba danificando-o irremediavelmente. Adultos também passam por isso, ok?

Lógico que associei o assunto ao tema desse blog. Muitos dos citados nesses textos devem ter sofrido com comentários depreciativos, sarcasmos, exposição social negativa etc. Vivi na pele, mas sou sobrevivente e tirei de letra. Será? Ah, acho que sim. Afinal quem liga de ser chamada de "Aritana". O ruim é que era um homem, índio, personagem de uma novela das antigas, e eu estava na fase mocinha, querendo estabelecer minha feminilidade social (inventei essa). E tinha que me defender: "não sou menino!" Engraçadinho agora, mas na época foi mesmo desconcertante.

O nome que escolhi como título é de um rapaz que deve ter sofrido um bocadinho, não sei. Vi seu nome escrito num jornalzinho e fiquei pensando logo em como deve ter sido difícil ensiná-lo a desenhar o "Y". Imaginem só chamar-se Wlyky Rayky no interior da Bahia? Muito diferente para passar imune a brincadeiras. Fiquei mesmo muito curiosa sobre a origem do nome e, mais ainda, de como o chamavam/chamam em seu grupo de amigos e colegas (potenciais bullies).

Na Wikipédia tem um material legal para quem quiser iniciar no tema; destaquei o seguinte:

Alcunhas ou apelidos (dar nomes) - Normalmente, uma alcunha (apelido) é dada a alguém por um amigo, devido a uma característica única dele. Em alguns casos, a concessão é feita por uma característica que a vítima não quer que seja chamada, tal como uma orelha grande ou forma obscura em alguma parte do corpo. Em casos extremos, professores podem ajudar a popularizá-la, mas isto é geralmente percebido como inofensivo ou o golpe é sutil demais para ser reconhecido. Há uma discussão sobre se é pior que a vítima conheça ou não o nome pelo qual é chamada. Todavia, uma alcunha pode por vezes tornar-se tão embaraçosa que a vítima terá de se mudar (de escola, de residência ou de ambos).


Bem, continuando o meu próprio exemplo, não me mudei da escola nem da cidade por causa de Aritana, mas mudei, e ainda me lembro, incomodada, das risadas daqueles coleguinhas "infanto-bullies". Lição aprendida: todos os bullies (ou potenciais) têm baixa espiritualidade e não valem a pena. Lição aplicada: sorrir antes deles desarma.


meu nome é CECÍLIA

Até voltar minha inspiração para escrita própria, aproveito o talento dos mestres e suas referências aos nomes, propósito nosso aqui. Hoje a fonte é o maior de todos os cantores, aquele que mais referenciou nomes de mulheres em toda a sua carreira. Difícil dessa tarefa foi escolher. Porque Cecília? Ora, essa é doce, suave, parece, ou melhor, é poesia, e quem me conhece sabe que adoro estar nesse clima de harmonia. Para todos nós, um presente:




Cecília (Luiz Cláudio Ramos/Chico Buarque - 1998)

Quantos artistas
Entoam baladas
Para suas amadas
Com grandes orquestras
Como os invejo
Como os admiro
Eu, que te vejo
E nem quase respiro
Quantos poetas
Românticos, prosas
Exaltam suas musas
Com todas as letras
Eu te murmuro
Eu te suspiro
Eu, que soletro
Teu nome no escuro
Me escutas, Cecília?
Mas eu te chamava em silêncio
Na tua presença
Palavras são brutas
Pode ser que, entreabertos
Meus lábios de leve
Tremessem por ti
Mas nem as sutis melodias
Merecem, Cecília, teu nome
Espalhar por aí
Como tantos poetas
Tantos cantores
Tantas Cecílias
Com mil refletores
Eu, que não digo
Mas ardo de desejo
Te olho
Te guardo
Te sigo
Te vejo dormir

10 de outubro de 2010

meu nome é GIBA

"Esse volei do Brasil é bom demais", acabo de ouvir no Fantástico e concordo plenamente, especialmente pela homenagem a Giba, as duas sílabas mais gritadas pelo público de volei brasileiro (ou de outros países) nos últimos anos. O nome verdadeiro, Gilberto Amauri Godoy Filho, não marcou o país, mas o apelido sim.
Há um mês mais ou menos assisti uma palestra dele num encontro corporativo no meu trabalho. Pense em uma pessoa simpática; agora acelera, como diz Ju..rs. Além de um homem lindo é carismático. Bom ouvir uma pessoa do bem falar do orgulho no trabalho, da felicidade por ter uma família unida, da solidariedade e do amor. Foi com essa figurinha que tirei uma foto lindona que posto aqui.
Giba disse que ter 1,93m é ser baixinho no volei, mas a gente concordou lá que um atleta como ele não será inferior nunca, nem pelo tamanho, muito menos pela coragem de encarar os maiores. Ele é grande e provou isso nos anos de seleção. Valeu Giba e obrigada por ter abaixado para sair na foto.

5 de outubro de 2010

meu nome é DOILDO

E lá vou eu e minhas descobertas! Juro que não procuro, juro que dessa vez eu nem estava prestando atenção nisso, mas... No trabalho, muito concentrada, escutei o nome e pensei: devo ter entendido errado. Mais tensão, mais expectativa com o andamento da atividade que estava elaborando e vem o nome dito novamente, agora falado por uma pessoa um pouco mais distante de mim: não é possível que entendi errado novamente... Não quis dispersar e deixei por isso mesmo. Só que no final do dia, cansada depois de um dia de pressão, escuto o nome nitidamente dito ao meu lado: Doildo.
Não resisti...

2 de outubro de 2010

meu nome é OLHY


Olhe, não é implicância, mas os nomes interessantes me perseguem! Esse é público, tem até placa, por isso não serei censurada. Ainda por cima, aproveito para retomar com estilo esse espaço que já estava cheio de teias de aranha com meu descaso.

6 de setembro de 2010

meu nome é JURUNA

As histórias de meu sobrinho merecem um blog a parte. Sinto muita vontade, todo tempo, de contá-las aqui, mas perderia o charme de contar histórias de outras pessoas além do imaginativo João Victor. Adoro mesmo quando suas histórias me dão oportunidade de contar as de outros, como a experiência desastrosa de minha irmã de cortar a franja do garoto lhe rendeu o apelido (entre nós) de Juruna.
Para quem não se lembra esse era o nome do primeiro índio brasileiro a se tornar deputado federal. Símbolo de democracia, o cacique xavante Mário Juruna também foi sinônimo de penteado estranho, com sua franjinha curta demais para o gosto de nossa civilização.
Esse índio até os 17 anos não sabia que existiam pessoas que, a cada estação, pintavam o cabelo de uma cor, ou cortavam de outra, pois aquilo não tinha um significado utilitário ou marcava uma simbologia tribal, mas fazia parte de um conceito mais abstrato que o de Deus: a moda.
Li que na década de 1970, Juruna frequentava os gabinetes da Funai com um gravador, registrando “tudo o que o branco falava” e comprovando que “branco” não cumpre palavra. Parece que ele se apaixonou pela política e ela o destruiu, pois morreu de diabetes abandonado pela tribo e pelo poder público.
Mas não é uma história de desesperança que quero contar, mesmo porque o JN já faz isso com bastante eficiência. Quero falar de Juruna, índio que virou deputado, nome também de grupo indígena da região do Mato Grosso, cujo nome tem significado, “boca preta”, e tem um porquê: “porque a tatuagem características desses índios era uma linha que descia da raiz dos cabelos e circundava a boca”.
Mário Juruna é um marco político desse nosso país por sua atuação no congresso como embaixador das causas indígenas. Infelizmente hoje o que fez lembrar-me dele não foi o Dia da Independência que se comemora amanhã, mas um corte de cabelo desastrado de meu sobrinho.

20 de agosto de 2010

meu nome é BRÁULIO

Lembrei esses dias da campanha de incentivo ao uso da camisinha que o Ministério da Saúde fez em 1995. Foi perfeita a intenção de criar uma campanha lúdica e descontraída para falar de um tema que na época ainda era tabu para muitos: o uso da camisinha para segurança e prazer de todos, quebrando o paradigma da “significação marginal” da infidelidade ou da promiscuidade. Agora de onde tiraram o nome de “Bráulio” para apelidarem o órgão genital masculino é minha pergunta filosófica.

Olha só como a pauta é interessante. Encontrei um artigo de Mônica Benfica Marinho (http://www.interface.org.br/revista6/artigo3.pdf) que fala sobre a polêmica da campanha:

Campanha “Bráulio”- Campanha do Ministério da Saúde, produzida pela Master, composta de quatro peças, veiculada no ano de 1995. Esta campanha aborda diálogos entre um homem e seu órgão genital, que recebeu o nome de “Bráulio”. A escolha dessa denominação para a genitália foi alvo de intensos protestos, por parte daqueles que tinham esse nome e teve, como conseqüência, a suspensão de sua veiculação, que só foi retomada quando fizeram modificações e a genitália passou a não ter denominação alguma. Essa polêmica gerou infindáveis matérias na mídia em geral, terminando por popularizar a campanha. Ela recebeu várias críticas de vários setores da sociedade. Foi considerada uma campanha de mau gosto, que tratava a Aids como brincadeira, e que centrou a atenção muito mais na discussão do “Bráulio” propriamente dito do que na questão da prevenção da doença.

Adorei! O artigo de Mônica apresenta o resultado de uma pesquisa que diz que entre as três melhores campanhas feitas na época com o tema do uso da camisinha x AIDS, a do Bráulio vence fácil.

Foram as seguintes as respostas dos entrevistados quanto às razões que os levaram a gostar mais do “Bráulio”: por ser engraçado (39,13%); porque as pessoas aprendem a se prevenir rindo e brincando (26,09%); por incentivar a usar a camisinha (23,91%); porque inovou (13,04%); porque vai direto ao assunto (4,35%); porque conscientiza (4,35%); porque disse que “sexo seguro é sexo gostoso” (4,35%); porque é mais excitante (2,17%); porque mostra que não é complicado lidar com a Aids (2,17%); porque é mais real (2,17%); porque é fácil de ser entendido (2,17%).

Para falar desse assunto, a autora buscou bibliografia referência nos estudos sociais, que vi nos tempos que era aluna especial de algumas disciplinas do Mestrado de Comunicação da UFBA. Ô saudade de Castoriadis, Lipovetsky, Maffesoli! Sobrenomes estranhos que fizeram minha cabeça ferver de puro prazer intelectual... Ai, ai...

Mas voltando ao Bráulio, coitado, não é mesmo? Solidarizo-me com as mães. Deve ser um desgosto passar 9 meses grávida, escolhendo o perfeito nome de “Bráulio” para seu filhinho, e vem João Moreira Salles, com esse nome sem graça que ele tem, batiza o pinto dos brasileiros de “Bráulio” e ainda ganha prêmio! É mesmo injusto esse mundo.

16 de agosto de 2010

meu nome é MIGUEL

Sempre gostei desse nome. Imaginei batizar um filho de Miguel, incrivelmente moderno. Nome pequeno, simples, sonoramente agradável, além de começar com “M”, letra linda.

Eis que chego em Mucuri e conheço um Miguel. O nome não poderia ser mais adequado a figura. Charmoso, sabido, cheio de energia e pronto para o que der e vier. Perfeito se não fosse um cachorro, literalmente: Miguel é um poodle de um casal de amigos.

Ô mania que a gente tem de dar nome de gente pra bicho e nome de bicho pra gente. Caetano Veloso deu o nome a um filho de Moreno e a outro de Zeca. Valéria, vizinha gente boa aqui da rua, coloca o nome da cachorrinha linda de Maria e Edney, amigo de quase 2m, batiza seu poodle (!) de Miguel. Aos dois anos eu batizei um pinto de Moreno (por causa do filho de Caetano) e agora tenho um pássaro que mora na minha garagem que chamo de Alexandre. Mundo de cabeça pra baixo.

Tenho um amigo que confessou ter colocado o nome da cachorra de Ariana após uma briga com a namorada chamada Ariane. Contou a história com um tom de culpa não porque era um animal com meu nome (caos!), mas porque ele tinha colocado o nome como vingança por uma história acabada e a cachorra viveu muitos anos, fazendo ele se lembrar da ex a cada latido.

Onde estarão os Rex, os Lulus? As novelas reforçam a pirâmide invertida dos nomes: Tony Ramos é Totó em horário nobre – no Brasil, nome de cachorro. Mas vou confessar, acho uma gracinha ter animaizinhos com nome de gente, original e criativo. Meu próximo bichinho deve ser um cágado. Já tenho alguns nomes: Ulisses ou Amélia. Pode ser Zeca também, afinal já tive um pinto chamado Moreno e continuarei na lógica do parentesco com Caetano Veloso. Gosto de coisas lógicas. Ou não.

5 de agosto de 2010

meu nome é SANDRA ROSA MADALENA

Essa aí é clássica. Passei minha infância achando que quando adulta viraria a versão baiana de Sandra Rosa Madalena. Nada parecido aconteceu comigo, graças a Deus, a não ser uma vontade que tenho, digamos subconsciente, de me vestir de cigana em todas as festas a fantasia.
O que me impressiona mesmo é a figura de Sidney Magal nesse clip fantástico do Fantástico que deve ter mais de 100 anos. Aliás, detalhe importante para este blog: Magal vem de Magalhães - mais um parente potencial. Nesse clip então, virilidade esquisita, com essa narina aberta, meio andrógeno, agressivo. Parece até que está com raiva da pobre da Sandra Rosa. Eu hein...


Sandra Rosa Madalena - Sidney Magal (1978)

Quero vê-la sorrir, quero vê-la cantar
Quero ver o seu corpo dançar sem parar
Quero vê-la sorrir, quero vê-la cantar
Quero ver o seu corpo dançar sem parar
Ela é bonita, seus cabelos muito negros
E o seu corpo faz meu corpo delirar
O seu olhar desperta em mim uma vontade
De enlouquecer, de me perder, de me entregar
Quando ela dança todo mundo se agita
E o povo grita o seu nome sem parar
É a cigana Sandra Rosa Madalena
É a mulher com quem eu vivo a sonhar
Quero vê-la sorrir, quero vê-la cantar
Quero ver o seu corpo dançar sem parar
Quero vê-la sorrir, quero vê-la cantar
Quero ver o seu corpo dançar sem parar
Dentro de mim mantenho acesa uma chama
Que se inflama se ela está perto de mim
Queria ser todas as coisas que ela gosta
Queria ser o seu princípio e ser seu fim

meu nome é WALLAS

Bem, queria até escrever pra desabafar, mas o frio paulista não deixa. Meus dedos estão espremidos dentro das mangas da blusa e isso pode gerar erros de digitação que comprometerão o entendimento do texto. Então vou postar uns drops que garimpei esses dias no trabalho:
  • WALLAS, provavelmente up grade de Wallace
  • STANRLEY, segundo fonte segura, o nome vem de uma marca de fita métrica
  • VANDERBEG, sempre sinto que está faltando um "r" em algum lugar desse nome...
  • ROBERTO NIXON, viva a história e suas versões!
  • CLEORBETH, conhecido como Binho (fonte: Floriscéia, conhecida e, muito querida, como Ceinha)
  • EMANOELVYS, não sei qual o gênero (fonte: Pollianne com dois "eles" e dois "enes")
  • WHILNAMARA, não sei como pronunciar
  • SESION, apenas não sei...

31 de julho de 2010

meu nome é MEYRECOL

Cada vez que procuro escrever textos novos para este blog surpreendo-me com as histórias das pessoas. São deliciosas histórias de vida, de memórias que trazem nostalgia e boas risadas na maioria das vezes. Tenho alguns amigos que são fontes naturais de informação para meus textos, tenho outros que é só mexer um pouquinho que descubro pérolas como essas aí embaixo, todas extraídas de suas lembranças ou referências atuais.

Lógico que tenho que referenciar a fonte e agradecer publicamente a minha família (pura inspiração) e a todos os amigos queridos, a seus pais que os registraram, aos cartórios que colaboraram e as histórias que posso criar em cima disso:

  • MEYRICOL, mais conhecida como Mary (fonte: Mônika que queria chamar-se Marcela)
  • JUVERLANDO, todo mundo chama de Juba (fonte: Lorena que tem uma sequência alfabética na família - ela é o L, e as irmãs o M e o N)
  • SOZÍGENES, chamado de Sozígenes mesmo (fonte: Ézio que merece um blog só para suas histórias)
  • IRONILDO, que Christian chama de Iornildo para piorar (fonte: Christian - meu chefinho que tem Francisco no nome)
  • DINOCREBE, irmão de Beto que é nome e não apelido (fonte: Luiz Fabriciano - seu próprio nome já fala por si)
  • DEUSDINÉIA, codnome Déa ou tia Déa (fonte: minha vó Altamira, conhecida por vovó Mira)
  • OSVALRÍZIO, popular Arízio  do Ilê Ayiê (fonte: euzinha, revirando minhas memórias de CDI)

Quem quiser colaborar, será um prazer. Com isso inauguramos o marcador "Nomes Drops" - não tem explicação pra isso, tá? Não me pergunte por quê.

19 de julho de 2010

meu nome é ARICLENES

Hoje começou a refilmada novela das sete, Ti Ti Ti, e tenho que (na verdade preciso) escrever sobre isso. Por quê? Simples: quando a novela passou há alguns anos, eu me rolava de rir a cada cena de Jaques Leclair e Victor Valentim, cortei o cabelo para me parecer com a personagem que era filha da costureira, usei o batom Boka Loka e era doidinha pelas bonecas vestidas com roupas de alta-costura!

1985, estava no auge de minha adolescência, sonhando acordada com meu primeiro namoradinho (Claudio Gilson post novembro/2009), mas ainda brincando de boneca. Na novela tinha uma senhora que vestia as bonecas com modelitos maravilhosos, eu babava de desejo por uma daquelas substituindo as minhas com cabelos de náilon espichados de tanto escovar. Eu querendo bonecas lindas, projetando meu futuro de mulher, querendo ser como uma das bonecas lindas. Bem, não virei boneca como imaginava, hoje sou melhor que as bonecas lindas – treinando o pensamento positivo.

Voltando à novela e aos nomes, o costureiro bem sucedido chama-se André Spina – nome de homem bem sucedido. O personagem pobre-coitado chama-se Ariclenes Almeida – entenderam a aderência ao blog? Pois é, Ariclenes é também o personagem mais divertido da história. Os divertidos ficam mais divertidos quando têm nomes divertidos como Daguijane, personagem que quer ser chamada de Nicole – nome de mulher chique.

Enfim, essa novela fala de moda de alta-costura, que, assim como nomes, dá sentido ao “império do efêmero”. Nome também é moda, significante de estilos, gostos, marca época, história, sintetiza ideias ou falta delas. Definitivamente, as novelas pautam demais a moda dos nomes; quem não viu nascer alguma Helena ou algum Ravi após as novelas das oito?

Agora não espere nascerem Ariclenes nem Daguijanes. No máximo Victor ou Nicole. O povo não é besta e nem a Globo faz tanto milagre. Para nome de personagem de novela virar moda, tem que ser exótico, ter atores modernos como donos dele e, acima de tudo, não combinar com os sobrenomes brasileiros “Silva”, “Souza” ou “Santos”. Entenderam a lógica? Nem eu.

13 de julho de 2010

meu nome é FÁTIMA

Em homenagem ao Dia do Rock, como diz Dinho Ouro Preto, o “espólio” do Aborto Elétrico:


Fátima - Flávio Lemos, Renato Russo (entre 1978 e 1982)

Vocês esperam uma intervenção divina
Mas não sabem que o tempo agora está contra vocês
Vocês se perdem no meio de tanto medo
De não conseguir dinheiro pra comprar sem se vender
E vocês armam seus esquemas ilusórios
Continuam só fingindo que o mundo ninguém fez
Mas acontece que tudo tem começo
Se começa um dia acaba, eu tenho pena de vocês
E as ameaças de ataque nuclear
Bombas de neutrons não foi Deus quem fez
Alguém, alguém um dia vai se vingar
Vocês são vermes, pensam que são reis
Não quero ser como vocês
Eu não preciso mais
Eu já sei o que eu tenho que saber
E agora tanto faz
Três crianças sem dinheiro e sem moral
Não ouviram a voz suave que era uma lágrima
E se esqueceram de avisar pra todo mundo
Ela talvez tivesse um nome e era: Fátima
E de repente o vinho virou água
E a ferida não cicatrizou
E o limpo se sujou
E no terceiro dia ninguém ressuscitou

meu nome é OPLÍNIA

Passei o feriado de São João com minha amiga-irmã Juba (Jusciney - post outubro/2009) e sua família deliciosa. Sempre achei que a melhor parte dos encontros familiares são as histórias que acabam virando lenda após acrescentarmos alguns detalhes sem maldade, mas baseados em fatos reais. E o que não falta a essa família são histórias.
Conversamos sobre tudo até vir a história dos nomes, essa minha pública fixação por saber o porquê das escolhas, achando graça das caras de interrogação por causa de minha curiosidade boba – e pensar que isso me distrai tanto aqui...
No final das contas, esses foram dias riquíssimos em informação para nosso espaço de estudos antropológicos disfarçado em entretenimento. A começar pelo nome-título: Oplínia. Proprietária do “Espaço O” e moradora da cidade de Itarantim, centro urbano no interior da Bahia, onde se origina toda a família de Juba e suas histórias.
Pesquisei no site da prefeitura da cidade e encontrei nomes dos fundadores do local que podem ter influenciado as escolhas das futuras gerações. No “Perfil de Itarantim” tem escrito – não inventei nada: Athanásio, Claudemar Etelvino, Durvalino, Edvard, Ernack, Estevo, Olavo Gil, Tibério, Tibrio, Valdionor e Valmirando.
Se isso tudo não for erro de digitação no site (http://itarantim.ba.gov.br/perfildeitarantim.htm) é aqui a raiz para os nomes que meus amigos me contaram e que mal acreditei. De Itarantim para o mundo, lá vai:
Cleidiana (casada com Valdinei, cunhada de Valdélio, Elinei e Jusciney – minhas amigas...)
Daiane Carla, Darli Cássia, Darth Cleia
Erivelton Mozart, Gilston, Girlânia, Girlene, Guiorley
Helmarinei, Helmazinha, Hermes
Joana D’Arc, Jobineto, Julival
Kevin Costner, Lisvanina
Maristênio, Marizene, Marleide, Marthan De Gaulle, Marvenúzia
Miller, Mirza Landi (mãe de Horácio e Iana Clara)
Philben, Robervânia
Saint Clair (que virou Sante Clai, depois Cai, e finalmente Caio)
Valvi, Zaicon
Agora me diga se qualquer um, algum dia, encontrar essas figuras, se não vai coçar a língua para perguntar de onde veio toda essa criatividade, meu Deus do céu! Poderíamos criar o turismo léxico lá, o que acha? Só que a prefeitura tem que caprichar na atualização do site, pô! Tirando as fotos, as páginas do portal do município só têm a inscrição “em breve”, perdendo de fazer a maior publicidade escrevendo algo do tipo:
“Venha para Itarantim, Jobineto e Lisvanina te esperam de braços abertos!”

11 de julho de 2010

meu nome é LUÍZA

A inspiração de Tom Jobim, sua poesia e músicas com nome de gente, inaugura nova sessão do blog. As músicas e os nomes:



Luiza - Tom Jobim (1981)


Rua,
Espada nua
Boia no céu imensa e amarela
Tão redonda a lua
Como flutua
Vem navegando o azul do firmamento
E no silêncio lento
Um trovador, cheio de estrelas
Escuta agora a canção que eu fiz
Pra te esquecer Luiza
Eu sou apenas um pobre amador
Apaixonado
Um aprendiz do teu amor
Acorda amor
Que eu sei que embaixo desta neve mora um coração

Vem cá, Luiza
Me dá tua mão
O teu desejo é sempre o meu desejo
Vem, me exorciza
Dá-me tua boca
E a rosa louca
Vem me dar um beijo
E um raio de sol
Nos teus cabelos
Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar Luiza
Luiza
Luiza

10 de julho de 2010

meu nome é ÚLTIMO

Passo um dia em frente ao clube de Mucuri e uma faixa está fixada: Guto Cabelereiro - Depilação e Petshop - tosa e banho (!). Guto é o nome artístico do mais famoso cabelereiro da cidade. Todos cortam cabelo nele, do gerente ao gerenciado, e sua fama está ganhando peso em meu conceito tanto que um dia vou experimentar, nem que seja para fazer uma hidratação profunda e ver de perto o mitológico mãos de tesoura. Como não posso mais levar Ateninha junto, vou pedir Bonny emprestado.

Mas ele veio parar nesse blog por um motivo muito específico e ainda mais interessante que divulgar seus serviços e criativa publicidade. Descobri ontem que o nome de Guto é Último. Último dos Magalhães. Tudo indica parentesco entre nós, acabo de descobrir um primo nessa terra de deus-que-me-guarde e já não me sinto tão estrangeira. Agora saber o porquê desse nome, hum, intrigante, só conto depois da hidratação.

8 de julho de 2010

meu nome é ALEX

Conheci um mocinho chamado Alex. Segui meu roteiro de boa educação e demorei um pouco para puxar o assunto do nome. Sabe como é: nome pequeno, tipo apelido, a curiosidade logo bateu. Só que ele me pegou de surpresa. Antes que eu começasse o interrogatório, ele me apareceu com um livro sobre astrologia, fez várias contas com a data de meu nascimento e começou a me descrever, interpretando um mapa astral não desenhado.

Nesses cálculos tive uma revelação que quebrou um paradigma em minha vida: estou no limite entre o signo de libra e escorpião. Um drama. Agora nunca sei qual previsão ler, ou onde me encaixo nas semelhanças de irmãos de signo. Problemão que ainda estou tentando resolver, pensando em comprar um livro daqueles e refazer os cálculos.

Quando finalmente me refiz do susto astrológico, encontrei um ambiente acolhedor para matar minha curiosidade. Comendo um sanduíche natural, antes de uma sessão de cinema 3D, com acessórios e tudo, espetei meu ferrão (vixe, acho que sou mesmo de escorpião...):

- E aí, porque seus pais colocaram esse nome?

Os olhos cor de chuva estreitaram-se, a pupila dilatou, o corpo ficou por um momento rígido e confessou não ter ideia. Agora eu quebrei um paradigma dele: a ignorância de se apresentar a vida toda com um nome e não saber por quê. Bingo. Ligou imediatamente para a mãe.

Tudo bem, nem sempre a resposta atende às nossas expectativas. Ela disse que queriam um nome pequeno, que não tivesse apelido. Escolheram Alex, que atendia aos critérios. Segundo ela, as irmãs dele também seguiram o mesmo padrão; uma é Gabriela e a outra não me lembro, sei que são dois nomes. Não entendi onde está o padrão. Ele também não e ficou meio emburrado com a explicação.

Depois dessas revelações, tudo ficou mais transparente entre nós. Sinto confiança no nome-apelido dele e ele em minhas facetas libriana-escorpiana com pitadas de gêmeos. O que ficou de tudo isso? Não sei ainda. Só posso responder quando terminar de ler “Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido” de Ouspensky, livro que ele me indicou como sendo o revelador de todas as verdades. E pensar que sua verdade é simples como seu nome...


5 de julho de 2010

meu nome é MAFALDA

Ando pensando em fazer outra tatuagem. Mas como qualquer outro ícone, mesmo uma letra, poderá conviver com Mafalda em meu corpo? Ela foi a primogênita, tem personalidade, é a síntese de tudo o que acredito: justiça, verdade, arte, indignação social, Beatles, humor. Tudo isso concentrado na figura de uma menininha de 6 anos, que observa os pais como se mãe deles fosse e que convive com os amigos, respeitando (às vezes) suas particularidades. [Minha Mafalda observa meu umbigo e não respeita nada]
Em minha opinião, Quino foi muito feliz na escolha do nome da personagem. Mafalda é um nome lindo e único.
Quando estivemos em Buenos Aires, toda hora via a bonequinha nos souvenires, nas bancas de revista, livrarias. Queria mostrar a tatuagem e dizer que era uma “hermana” de ideais, mas me contive – não todas às vezes, lógico. Voltarei lá só para ver a escultura da Mafalda sentada num banquinho – preciso bater um papo com ela sobre o que estamos fazendo com nosso planeta e saber sua opinião. [Podia tatuar a bandeira da Argentina... menos empolgação, Ariana...]
Como uma exclamação, registro que gosto do desenho original em preto e branco; gosto de ler “Toda Mafalda” quando estou triste; as tirinhas da Mafalda não foram criadas para constar apenas em livros de gramática e ser tema de redação; crianças podem gostar das tirinhas dela sim - meu sobrinho de 4 anos adora a “Mafada” desde que nasceu. [Resolvido, nada de mais uma tatuagem – é muito difícil conciliar minha Mafalda com outro ponto de vista.]

4 de julho de 2010

meu nome é ARNOLD SCHWAHZENEGGER

Esse é o tipo de texto que a gente tem vontade de começar com uma vírgula. Imagine que algum brasileiro deu o nome de Arnold Schwahzenegger ao filho, o garoto é assassinado, sai no jornal e toda a internet se comove, rezando pela alma do homônimo americano, porque não há como existir dois Arnold Schwahzeneggers no mundo. Mas há.


DA REDAÇÃO - A morte do adolescente Arnold Schwahzenegger Santos Gonçalves, de 17 anos, em Goiânia está causando confusão no Twitter. O assunto atingiu a primeira posição no trending topics (lista dos assuntos mais comentados) do Twitter.

O tema virou piada. No primeiro momento os usuários acharam que atual governador da Califórnia, o ator Arnold Schwarzenegger tivesse morrido. Mas ao procurar mais sobre a notícia percebe-se que se trata da morte do jovem de Jardim Curitiba 4, em Goiânia.

Uma usuária comentou estar com medo da notícia. "To com medo de clica no Morre Arnold Schwahzenegger nao vo assassina ninguem o twitter nao vai me leva pro mau" (sic)

O jovem morreu com um tiro na cabeça na noite de terça-feira (29) e a polícia goiana deduz que o verdadeiro Schwahzenegger morto foi assassinado por causa de uma dívida com tráfico de drogas, já que uma pequena quantidade de maconha foi encontrada ao lado do corpo. (Jornal do Brasil Online - 4/7/2010)

http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/07/04/e040711717.asp

3 de julho de 2010

meu nome é MAICON

O Brasil perdeu a Copa (...), mas Maicon fez bonito ontem. Ouvi a história de seu nome contada pela mãe numa reportagem da TV Globo. Ela disse que o nome de Maicon foi inspirado por Michael Douglas. Tudo bem, abrasileiramento de nomes é legal, mesmo que feio. A mãe criativa de Maicon batizou o outro filho de Marlon (Marlon Brando) - vê-se aí uma fã de cinema americano. Agora de onde ela tirou Erla Carla, nome da filha, não me pergunte...

Ê Brasil velho, perdemos outra Copa... E nosso técnico, limitado ao apelido dado por seu tio que achava que ele nunca ultrapassaria a estatura de um anão, Dunga, ou Carlos Caetano, a meu ver criou uma equipe de guerreiros distressados (palavra que aprendi na semana sobre o mau estresse). Dunga pegou a lenda de seu nome e transformou a gente em anões também, reprimindo nosso grito de “somos HEXA!” Tá bom, tá bom, tenho dó, imagino se existissem 190 milhões de pessoas dando pitaco no meu trabalho. Iria xingar muito mais que ele!

Mas é ruim perder uma Copa, nas quartas de final ainda por cima... Não consigo tirar as reticências do texto e o sentimento de derrota do peito. Queria escrever nome a nome, colorir o textos com estrelinhas, pintar o blog de verde e amarelo, mas fica a musiquinha irritante em minha cabeça: “eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou...”

18 de junho de 2010

meu nome é JOSÉ

A palavra não pode ser minha, tem que ser dele, de José de Sousa, mais conhecido como José Saramago, apelido de sua família paterna que o funcionário do Registro Civil acrescentou ao registrá-lo.

Ele escreveu sobre a cegueira que vivemos nesse mundo individualista, sobre o torpor político de nossa civilização dominada globalmente, sobre Jesus e seu pai José, sobre a Morte (a da foice) transformando-a em amante distraída. Lê-lo é muito mais que prazer literário, é degustação de português, é sentir o cheiro da compaixão das letras, é deleitar-se com as vírgulas. Amo poder relê-lo.

Para minha surpresa descobri que era blogueiro. Delícia! Olha o que capturei para este espaço inspirado nele e em tantos amores literários de minha vida:

Pensar, pensar

Junho 18, 2010 por Fundação José Saramago

Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma.

Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008 (http://caderno.josesaramago.org/)

Livros lidos e recomendados:

  1. Ensaio Sobre a Cegueira > ganhei de um amigo-amor há muito tempo, com uma doce dedicatória.
  2. O Evangelho Segundo Jesus Cristo > emprestei para várias pessoas que me devolveram em silêncio, com reverência – não sei mesmo se gostaram como eu, tenho dúvidas...
  3. As Intermitências da Morte > amei tanto que distribuí para amigos; descobri que a morte ama!

17 de junho de 2010

meu nome é FÁTIMA NAZARÉ

Minha prima quando nasceu foi batizada de Fátima Nazaré em homenagem a Nossa Senhora. Famílias religiosas também têm dessas, prestam suas reverências à custa dos filhos, como presentes para os santos. Para nós, ela era Zá, para os amigos, apresentava-se como Fátima.

Vida intensa, carregando nome de santa, que nem sei se ela sabia por quê. Vivíamos juntas na infância, quando ela era meu ídolo, a prima idolatrada. Devo ter desejado me chamar Fátima Nazaré em algum momento de tanto que essa prima me encantava.

Ela tocava piano e eu interpretava as músicas com uma toalha na cabeça, fingindo um longo cabelo. Ela tirava do armário as bonecas encantadoras e eu babava por cada uma delas. Ela desenhava as bonecas de papel e eu imitava direitinho, como boa aluna. Ela era linda, como uma princesa, e eu era sua sombra.

Minha prima desencarnou hoje, após meses de vida vegetativa por conta de complicações numa cirurgia estética. Ela deve ter créditos no céu, tem nome de santa, deve chegar lá de mãos dadas com os anjos e deve tocar Mozart para alegrar o ambiente astral, criar desenhos coloridos, pentear os cabelos dos anjinhos como fazíamos com as bonecas. Prefiro o pensamento mágico da infância, não processo bem a morte por ela mesma.

30 de maio de 2010

meu nome é EDIALICE

Em tempos de Alice no País das Maravilhas, o nome virando moda nos cartórios com toda certeza, lembrei de uma história que Nilvane me contou – ainda escreverei sobre seu nome, Nil!

Na cidade onde nasceu, existiam três irmãs com nomes construídos a partir da junção do nome de seus pais, provavelmente Edson e Alice. Chamaram a primeira de Edialice. Certo, normal, o próximo sendo um homem poderiam chamá-lo de Edson Filho. Mas veio uma menina e, para serem coerentes com a ideia inicial, chamaram-na de Aliceédi. Ok! Exótico, mas tudo bem. Só que na terceira gravidez souberam que viria mais uma menina. Agora a desventura estava instalada na pequena família. O que fazer se não juntar tudo e batizar a caçula de Edialiceédi? Isso gerou uma das decisões mais certeiras do casal: vasectomia.

A história pode não ter sido exatamente essa, mas é baseada em fatos reais.

29 de maio de 2010

meu nome é ADRIANA

Adriana, nome com significado forte, batiza uma querida amiga paulistana e outras queridas que escreveram seu nome fácil de memorizar em minha vida.

Segundo um site www.mulhervirtual.com.br, Adriana significa “escura, morena, e revela uma pessoa com grandes chances de triunfar na vida, pois mostra interesse pelos mais variados assuntos e aprende tudo com facilidade. Sabe repartir com os outros o que consegue com o estudo e o trabalho” Lindo, não é? As Dris (apelido de todas as minhas amigas Adriana) são parecidas com essa descrição, inclusive a Dri que me pediu para escrever a história de seu nome, com ciúme de Henrique Sérgio (publicação maio/2010).

Achei outra descrição num outro site www.significado.origem.nom.br/nomes/adriana.htm que fala da marca no mundo das mulheres registradas com esse nome: ousadia, espírito competitivo, independência, força de vontade, originalidade. Acertei, amiga? É assim que você se vê? Foi por ver seus olhinhos que desafiam o mundo que seus pais lhe batizaram Adriana?

Para você, um trecho de uma música de outra Adriana que adoro, a Calcanhotto, que também gosta de gatos:

O gato é uma maquininha
que a natureza inventou;
tem pêlo, bigode, unhas
e dentro tem um motor.
Mas um motor diferente
desses que tem nos bonecos
porque o motor do gato
não é um motor elétrico.
É um motor afetivo
que bate em seu coração
por isso ele faz ron-ron
para mostrar gratidão.
No passado se dizia
que esse ron-ron tão doce
era causa de alergia
pra quem sofria de tosse.
Tudo bobagem, despeito,
calúnias contra o bichinho:
esse ron-ron em seu peito
não é doença - é carinho.

(O ron-ron do gatinho - Adriana Calcanhotto, Ferreira Gullar - in: Adriana Partimpim - O Show)

meu nome é NEIDE

É por esse tipo de piada que as mulheres estão perdidas ...rs... Pobres Neides...
Um sujeito vai ao médico para exames de rotina.
O médico, depois de ver a história clínica do paciente, pergunta:
- Fuma?
- Pouco.
- Tem que parar de fumar.
- Bebe?
- Pouco.
- Tem que parar de beber.
- Faz sexo?
- Pouco.
- Tem que fazer muito, mas muito sexo. Isto irá ajudá-lo!
O sujeito vai para casa, conta tudo a mulher e, imediatamente, vai pro banho. A mulher se enche de graça e esperança, se enfeita, se perfuma, põe roupa especial e fica na espera.
O sujeito sai do banho, começa a se arrumar, se vestir, se perfumar e a mulher, surpresa, pergunta:
- Aonde é que você pensa que vai?
- Não ouviu e entendeu o que o médico me disse?
- Sim, mas, aqui estou eu prontinha...
O sujeito:
- Aaaahhhh Neide!!! Neide, Neide, lá vem você com a sua mania de remédio caseiro!!!

meu nome é WOQTON

Ah, esses dias tive inspiradores nomes rodando minha vida e tenho que compartilhar com quem tem interesse e tempo de tornar a vida menos pesada divertindo-se com amenidades como eu.
Ontem precisei deixar meu carro na oficina em Itabatã e pedi para alguém de lá me deixar na fábrica. Ansiosa com o horário e as atividades que me esperavam, puxei conversa, começando do óbvio: como é seu nome? E, para minha alegria, escuto o exótico “Wonqton” (pronuncia-se Voquiton), repetido, pois não entendi e, por fim, soletrado para virar texto aqui.
Que maravilha! Uma pessoa chamada Woqton, do interior do Brasil, moradora do distrito Itabatã, lugarejo cortado pela BR 101, num dos trechos mais maltratados da rodovia federal, penúltimo distrito baiano na beira da estrada antes da divisa com o Espírito Santo. Não há o que comentar além do nome em si. Ele não soube me explicar bem de onde surgiu esse nome. Parece que existia um médico não sei aonde que se chamava Woqton, ou algum nome parecido.
Joguei no Google para ver se conseguia mais informações e encontrei o registro do próprio Woqton, comentando o serviço da oficina Automotiva no ItabatãNews (site de notícias local). Porém, São Google sempre estimula minha criatividade, e me mostra o Sr. Wochiton, abrasileiramento de Washington. Quem sabe esteja aí a raiz: Woqton > Wochiton > Washington. Filosofando: nomes próprios, o que são além de substantivos criados para registrar nossa passagem e demonstrar nosso poder na história da humanidade?

meu nome é HENRIQUE SÉRGIO

Aos amigos, tudo! Henrique é um velho conhecido e um novo amigo. E só depois que ficamos amigos que soube que seu nome compõe assunto para esta publicação, na coluna “exóticas combinações”, tipo Cláudio Gilson (publicado em novembro/2009).
Apresentou-lhes Henrique Sérgio, juntamente com uma pergunta maiúscula: POR QUÊ? Será que nossos pais, em seus dias de espera pelo filhote que irá nascer, ficam tão ansiosos que registram suas indecisões no cartório para se verem livres de ter que optar? Não sei, não sei... Às vezes parece a história da sopa de letrinhas: enquanto brincam com a massa da sopa, separando letras aleatoriamente com uma colher de cabo azul, escolhem nosso nome.
O nome de Henrique (Sérgio) pode ter sido baseado em fatos históricos. Um sábio que passou a semana conosco incorporou um título ao nome de Henrique: Henrique Sérgio Alves, o infante. Ficou bonitinho, eu gostei. Esse sábio também era um crítico e depois que descobriu o nome alternativo de Henrique ficou chamando o infante de Serginho – tipo de pirraça a qual quem tem dois nomes passa com freqüência.
Outra perguntinha: nomes duplos são como duplas personalidades? Você acha que Henrique, quando é chamado de Sérgio, se reconhece? Ele nos contou que quando sua mãe chamava “Henrique Sérgio, venha cá!” vinha bronca. Com isso temos três pessoas em uma: Henrique, Sérgio e Henrique Sérgio (ainda bem que só sou Ariana. Essa já me dá trabalho demais para interpretar, imagine se me chamasse Ariana Cristina, ou Maria Ariana, ou Ariana Catarina? Ufa! Obrigada, papai).
Taí seu texto, amigo, espero que goste. Também, com nome de nobre conquistador, você merece não um escrito em um blog, mas um link na Wikipédia portuguesa! Beijão,

27 de maio de 2010

meu nome é GAL

Como não escrever esse texto? Demorei até demais! Batizada Maria das Graças, Gal Costa é uma das vozes que mais marcou meu gosto musical. Como disse no texto do Nazi, amo música, em especial brasileira, e vou cair no lugar comum de falar sobre esse assunto aqui, ali e acolá, basta encontrar espaço e inspiração.
O título da música de Gal deve ter ficado em meu subconsciente para que eu o reproduza a cada texto desse blog - e essa nem é a minha preferida das que canta. Agora, aqui pra nós, tem todo um estilo cantar “meu nome é Gal / e desejo me corresponder com um rapaz que seja o tal / e não faz mal / que ele seja branco, não tenha cultura / de qualquer altura / eu amo igual / meu nome é Gal / e tanto faz que ele tenha defeito / ou traga no peito / crença ou tradição / meu nome é Gal / eu amo igual”.
Abrindo meus parênteses, imagino a versão “meu nome é Maria das Graças / e desejo me corresponder com um rapaz que seja uma traça (!) / numa praça / nunca sem-graça / só na pirraça”. Deixa pra lá que definitivamente não sou compositora.
Nome de santa batizou a mulher da voz aguda, visceral, que canta “sua estupidez não lhe deixa ver que te amo / tanto” e me faz sentir isso, mesmo não direcionado a alguém, mas ao delicioso calor do amor dentro do peito. Gosto muito também de "Baby", a canção que marcou a história, interpretada por ela: você precisa saber da piscina, da margarina, da Carolina, da gasolina/ você precisa saber de mim / baby, bay / I love you. E gosto tanto de "Negro Amor", o tempo marcado da década de 1970: vá, se mande, junte tudo que você puder levar / ande tudo o que parece seu é bom que agarre já. O ápice foi quando ela apresentou Zeca Baleiro para a mídia (e para mim), com “ando tão a flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar” – agradeço especialmente por isso. Quem canta assim, pode ter o nome que quiser na vida, até Gal que rima com cal, mal, pau, sal, tal. O importante é não deixar a música jamais. Salve, salve as grandes intérpretes brasileiras!

“Meu nome é Gal, tenho 24 anos
Nasci na Barra Avenida, Bahia
Todo dia eu sonho alguém pra mim
Acredito em Deus, gosto de baile, cinema
Admiro Caetano, Gil, Roberto, Erasmo,Macalé, Paulinho da Viola, Lanny,Rogério Sganzerla, Jorge Ben, Rogério Duprat,Waly, Dircinho, Nando,
E o pessoal da pesada
E se um dia eu tiver alguém com bastante amor pra me dar
Não precisa sobrenome
Pois é o amor que faz o homem."

17 de maio de 2010

meu nome é AURÉLIO

Hoje me peguei em dúvida com a escrita de uma palavra e pensei logo em consultar o (dicionário) Aurélio. Veja só, Aurélio é um nome de gente com significado de marca! O Aurélio é o mais famoso lexicógrafo (pesquei) do país. A gente chama todos os dicionários de Aurélio por causa desse alagoano Buarque de Holanda, primo distante do pai de Chico Buarque, que se preocupava com a língua portuguesa e amava as palavras (li isso na Wikipédia, não é lindo?).
Um pouco de história, Aurélio foi eleito imortal na Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira de Austregésilo(!), que por sua vez foi precedido por Heráclito(!), que sucedeu Pedro – ufa, finalmente um nome normal! Não contente, fucei mais um pouquinho a Academia e achei um Esmerino(!). Cruzes...
Quando criança, foi no Aurélio que descobri a palavra ósculo e passei a enviar um ósculo para minha prima Tina em todas as nossas cartinhas escritas em papel de carta customizado.
Não tenho vergonha de abrir meu mini Aurélio para ver como escrever uma palavra, ou usar como recurso em sala de aula para meus alunos no projeto onde sou voluntária. Aurélio, além de nome, é recurso positivo.
Oriovisto (!) Guimarães, Diretor-Presidente do Grupo Positivo, escreveu na apresentação do mini dicionário que “mais do que território, mais do que os costumes, mais do que a história e a geografia, é a língua que nos une”. Adorei a figura de linguagem e seu nome exótico. Só no Aurélio que encontraria isso.

13 de maio de 2010

meu nome é FRANCISCO

Hoje desejei ser um receptor, um grande satélite, um microfone em escala humana para que todos pudessem ouvir o que ouvi na palestra de Leonardo Boff na Conferência Internacional do Ethos. Ele falou por meia hora, seguindo os princípios da Carta da Terra, e a cada tópico eu me arrepiava mais com tanta sabedoria, poder de persuasão, força vital. Falou de Tolstoi, de Gandhi, Freud, Saint Exupéry, Santo Agostinho, fez citações incríveis e me fez chorar sem controle ao final da palestra. É um iluminado, com certeza.
Calma, não escrevi o nome errado no título. É de Francisco que quero falar. O prof. Leonardo falou de Francisco, aquele de Assis. Esse é um nome perfeito para estar aqui. Sou neta de dois Franciscos, um Trindade, um Assis. Tenho uma imagem do santo na minha sala, de braços abertos, que me acompanha há muito. Tenho respeito e amor intenso por sua oração e todo dia quatro de outubro rezo por meu avô e pelo mundo.
Prof. Leonardo falou coisas lindas, de encher qualquer coração ressecado de uma nova esperança bem verdinha. E rezou, leu a oração de São Francisco como se estivesse recitando um mantra. Mostrou para todos que o negativismo é submetido ao positivo. Deu uma das maiores lições de amor que já presenciei, para um grupo diverso, vestido de cinza e preto, e pouco amoroso.
É essa oração que quero reproduzir aqui, pedindo apenas que, ao final da leitura, feche os olhos, pense no bem que é perdoar:
Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz
Onde houver ódio, que eu leve o amor
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão
Onde houver discórdia, que eu leve a união
Onde houver dúvida, que eu leve a fé
Onde houver erro, que eu leve a verdade
Onde houver desespero, que eu leve a esperança
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado
Compreender, que ser compreendido
Amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe
É perdoando que se é perdoado
E é morrendo que se vive para a vida eterna.

8 de maio de 2010

meu nome é JESUS

A intenção não é falar do namorado de Madonna, nem do refrigerante maranhense que vence na popularidade até a Coca-Cola. Falo aqui do filho da Madona, do mais popular dos homens. Esse é um texto muito difícil de escrever. Um nome com significado santo. Esse desejo veio hoje, especialmente, após assistir uma parte de um filme que nem sei o nome, onde vi retratada a nossa vontade de sublimar o real e tocar o céu.
O filme falava de um homem com uma busca filosófica, solitária, quase depressiva, de atingir o intangível. Lembrei logo Dele, de sua busca nos 40 dias no deserto, de como sofrer provoca a mudança de percepção da vida, de como a gente sai – quando sai – fortalecido de uma tristeza intensa, da solidão, do não compartilhamento. Aproximei-me do que imagino ser o real dessa figura que divide a história antes e depois de sua passagem pelo mundo.
Fico imaginando quanta responsabilidade é carregar um nome como “Jesus”. Só para ilustrar lembrei de quando desembarquei um dia desses no aeroporto de Salvador, meio sonolenta, e vejo no saguão, um imenso painel com a foto de Jesus Luz de braços abertos, sem camisa, em posição de crucifixo, com cara de sedução, vendendo o jeans que vestia. Sentenciei em meio a confusão do sono: pretensiosos somos todos nós; queremos ser santos, homens, pobres de espírito, consumidores de marcas, rótulos humanos. No fundo a crítica é só para mim que busco a alienação de qualquer forma, que preciso entrar na zona de conforto e vira e mexe estou na zona de confronto.
Enfim, quero deixar aqui, em meu canal mais público de desabafo, a sugestão de leitura de Gibran Kalil Gibran, um livro maravilhoso, chamado “Jesus, o Filho do Homem”, o que mais O aproximou de mim e que modificou meu olhar sobre quase tudo, e que deu um significado muito especial ao nome que trago sagradamente em meu coração e em minha mente.