31 de julho de 2010

meu nome é MEYRECOL

Cada vez que procuro escrever textos novos para este blog surpreendo-me com as histórias das pessoas. São deliciosas histórias de vida, de memórias que trazem nostalgia e boas risadas na maioria das vezes. Tenho alguns amigos que são fontes naturais de informação para meus textos, tenho outros que é só mexer um pouquinho que descubro pérolas como essas aí embaixo, todas extraídas de suas lembranças ou referências atuais.

Lógico que tenho que referenciar a fonte e agradecer publicamente a minha família (pura inspiração) e a todos os amigos queridos, a seus pais que os registraram, aos cartórios que colaboraram e as histórias que posso criar em cima disso:

  • MEYRICOL, mais conhecida como Mary (fonte: Mônika que queria chamar-se Marcela)
  • JUVERLANDO, todo mundo chama de Juba (fonte: Lorena que tem uma sequência alfabética na família - ela é o L, e as irmãs o M e o N)
  • SOZÍGENES, chamado de Sozígenes mesmo (fonte: Ézio que merece um blog só para suas histórias)
  • IRONILDO, que Christian chama de Iornildo para piorar (fonte: Christian - meu chefinho que tem Francisco no nome)
  • DINOCREBE, irmão de Beto que é nome e não apelido (fonte: Luiz Fabriciano - seu próprio nome já fala por si)
  • DEUSDINÉIA, codnome Déa ou tia Déa (fonte: minha vó Altamira, conhecida por vovó Mira)
  • OSVALRÍZIO, popular Arízio  do Ilê Ayiê (fonte: euzinha, revirando minhas memórias de CDI)

Quem quiser colaborar, será um prazer. Com isso inauguramos o marcador "Nomes Drops" - não tem explicação pra isso, tá? Não me pergunte por quê.

19 de julho de 2010

meu nome é ARICLENES

Hoje começou a refilmada novela das sete, Ti Ti Ti, e tenho que (na verdade preciso) escrever sobre isso. Por quê? Simples: quando a novela passou há alguns anos, eu me rolava de rir a cada cena de Jaques Leclair e Victor Valentim, cortei o cabelo para me parecer com a personagem que era filha da costureira, usei o batom Boka Loka e era doidinha pelas bonecas vestidas com roupas de alta-costura!

1985, estava no auge de minha adolescência, sonhando acordada com meu primeiro namoradinho (Claudio Gilson post novembro/2009), mas ainda brincando de boneca. Na novela tinha uma senhora que vestia as bonecas com modelitos maravilhosos, eu babava de desejo por uma daquelas substituindo as minhas com cabelos de náilon espichados de tanto escovar. Eu querendo bonecas lindas, projetando meu futuro de mulher, querendo ser como uma das bonecas lindas. Bem, não virei boneca como imaginava, hoje sou melhor que as bonecas lindas – treinando o pensamento positivo.

Voltando à novela e aos nomes, o costureiro bem sucedido chama-se André Spina – nome de homem bem sucedido. O personagem pobre-coitado chama-se Ariclenes Almeida – entenderam a aderência ao blog? Pois é, Ariclenes é também o personagem mais divertido da história. Os divertidos ficam mais divertidos quando têm nomes divertidos como Daguijane, personagem que quer ser chamada de Nicole – nome de mulher chique.

Enfim, essa novela fala de moda de alta-costura, que, assim como nomes, dá sentido ao “império do efêmero”. Nome também é moda, significante de estilos, gostos, marca época, história, sintetiza ideias ou falta delas. Definitivamente, as novelas pautam demais a moda dos nomes; quem não viu nascer alguma Helena ou algum Ravi após as novelas das oito?

Agora não espere nascerem Ariclenes nem Daguijanes. No máximo Victor ou Nicole. O povo não é besta e nem a Globo faz tanto milagre. Para nome de personagem de novela virar moda, tem que ser exótico, ter atores modernos como donos dele e, acima de tudo, não combinar com os sobrenomes brasileiros “Silva”, “Souza” ou “Santos”. Entenderam a lógica? Nem eu.

13 de julho de 2010

meu nome é FÁTIMA

Em homenagem ao Dia do Rock, como diz Dinho Ouro Preto, o “espólio” do Aborto Elétrico:


Fátima - Flávio Lemos, Renato Russo (entre 1978 e 1982)

Vocês esperam uma intervenção divina
Mas não sabem que o tempo agora está contra vocês
Vocês se perdem no meio de tanto medo
De não conseguir dinheiro pra comprar sem se vender
E vocês armam seus esquemas ilusórios
Continuam só fingindo que o mundo ninguém fez
Mas acontece que tudo tem começo
Se começa um dia acaba, eu tenho pena de vocês
E as ameaças de ataque nuclear
Bombas de neutrons não foi Deus quem fez
Alguém, alguém um dia vai se vingar
Vocês são vermes, pensam que são reis
Não quero ser como vocês
Eu não preciso mais
Eu já sei o que eu tenho que saber
E agora tanto faz
Três crianças sem dinheiro e sem moral
Não ouviram a voz suave que era uma lágrima
E se esqueceram de avisar pra todo mundo
Ela talvez tivesse um nome e era: Fátima
E de repente o vinho virou água
E a ferida não cicatrizou
E o limpo se sujou
E no terceiro dia ninguém ressuscitou

meu nome é OPLÍNIA

Passei o feriado de São João com minha amiga-irmã Juba (Jusciney - post outubro/2009) e sua família deliciosa. Sempre achei que a melhor parte dos encontros familiares são as histórias que acabam virando lenda após acrescentarmos alguns detalhes sem maldade, mas baseados em fatos reais. E o que não falta a essa família são histórias.
Conversamos sobre tudo até vir a história dos nomes, essa minha pública fixação por saber o porquê das escolhas, achando graça das caras de interrogação por causa de minha curiosidade boba – e pensar que isso me distrai tanto aqui...
No final das contas, esses foram dias riquíssimos em informação para nosso espaço de estudos antropológicos disfarçado em entretenimento. A começar pelo nome-título: Oplínia. Proprietária do “Espaço O” e moradora da cidade de Itarantim, centro urbano no interior da Bahia, onde se origina toda a família de Juba e suas histórias.
Pesquisei no site da prefeitura da cidade e encontrei nomes dos fundadores do local que podem ter influenciado as escolhas das futuras gerações. No “Perfil de Itarantim” tem escrito – não inventei nada: Athanásio, Claudemar Etelvino, Durvalino, Edvard, Ernack, Estevo, Olavo Gil, Tibério, Tibrio, Valdionor e Valmirando.
Se isso tudo não for erro de digitação no site (http://itarantim.ba.gov.br/perfildeitarantim.htm) é aqui a raiz para os nomes que meus amigos me contaram e que mal acreditei. De Itarantim para o mundo, lá vai:
Cleidiana (casada com Valdinei, cunhada de Valdélio, Elinei e Jusciney – minhas amigas...)
Daiane Carla, Darli Cássia, Darth Cleia
Erivelton Mozart, Gilston, Girlânia, Girlene, Guiorley
Helmarinei, Helmazinha, Hermes
Joana D’Arc, Jobineto, Julival
Kevin Costner, Lisvanina
Maristênio, Marizene, Marleide, Marthan De Gaulle, Marvenúzia
Miller, Mirza Landi (mãe de Horácio e Iana Clara)
Philben, Robervânia
Saint Clair (que virou Sante Clai, depois Cai, e finalmente Caio)
Valvi, Zaicon
Agora me diga se qualquer um, algum dia, encontrar essas figuras, se não vai coçar a língua para perguntar de onde veio toda essa criatividade, meu Deus do céu! Poderíamos criar o turismo léxico lá, o que acha? Só que a prefeitura tem que caprichar na atualização do site, pô! Tirando as fotos, as páginas do portal do município só têm a inscrição “em breve”, perdendo de fazer a maior publicidade escrevendo algo do tipo:
“Venha para Itarantim, Jobineto e Lisvanina te esperam de braços abertos!”

11 de julho de 2010

meu nome é LUÍZA

A inspiração de Tom Jobim, sua poesia e músicas com nome de gente, inaugura nova sessão do blog. As músicas e os nomes:



Luiza - Tom Jobim (1981)


Rua,
Espada nua
Boia no céu imensa e amarela
Tão redonda a lua
Como flutua
Vem navegando o azul do firmamento
E no silêncio lento
Um trovador, cheio de estrelas
Escuta agora a canção que eu fiz
Pra te esquecer Luiza
Eu sou apenas um pobre amador
Apaixonado
Um aprendiz do teu amor
Acorda amor
Que eu sei que embaixo desta neve mora um coração

Vem cá, Luiza
Me dá tua mão
O teu desejo é sempre o meu desejo
Vem, me exorciza
Dá-me tua boca
E a rosa louca
Vem me dar um beijo
E um raio de sol
Nos teus cabelos
Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar Luiza
Luiza
Luiza

10 de julho de 2010

meu nome é ÚLTIMO

Passo um dia em frente ao clube de Mucuri e uma faixa está fixada: Guto Cabelereiro - Depilação e Petshop - tosa e banho (!). Guto é o nome artístico do mais famoso cabelereiro da cidade. Todos cortam cabelo nele, do gerente ao gerenciado, e sua fama está ganhando peso em meu conceito tanto que um dia vou experimentar, nem que seja para fazer uma hidratação profunda e ver de perto o mitológico mãos de tesoura. Como não posso mais levar Ateninha junto, vou pedir Bonny emprestado.

Mas ele veio parar nesse blog por um motivo muito específico e ainda mais interessante que divulgar seus serviços e criativa publicidade. Descobri ontem que o nome de Guto é Último. Último dos Magalhães. Tudo indica parentesco entre nós, acabo de descobrir um primo nessa terra de deus-que-me-guarde e já não me sinto tão estrangeira. Agora saber o porquê desse nome, hum, intrigante, só conto depois da hidratação.

8 de julho de 2010

meu nome é ALEX

Conheci um mocinho chamado Alex. Segui meu roteiro de boa educação e demorei um pouco para puxar o assunto do nome. Sabe como é: nome pequeno, tipo apelido, a curiosidade logo bateu. Só que ele me pegou de surpresa. Antes que eu começasse o interrogatório, ele me apareceu com um livro sobre astrologia, fez várias contas com a data de meu nascimento e começou a me descrever, interpretando um mapa astral não desenhado.

Nesses cálculos tive uma revelação que quebrou um paradigma em minha vida: estou no limite entre o signo de libra e escorpião. Um drama. Agora nunca sei qual previsão ler, ou onde me encaixo nas semelhanças de irmãos de signo. Problemão que ainda estou tentando resolver, pensando em comprar um livro daqueles e refazer os cálculos.

Quando finalmente me refiz do susto astrológico, encontrei um ambiente acolhedor para matar minha curiosidade. Comendo um sanduíche natural, antes de uma sessão de cinema 3D, com acessórios e tudo, espetei meu ferrão (vixe, acho que sou mesmo de escorpião...):

- E aí, porque seus pais colocaram esse nome?

Os olhos cor de chuva estreitaram-se, a pupila dilatou, o corpo ficou por um momento rígido e confessou não ter ideia. Agora eu quebrei um paradigma dele: a ignorância de se apresentar a vida toda com um nome e não saber por quê. Bingo. Ligou imediatamente para a mãe.

Tudo bem, nem sempre a resposta atende às nossas expectativas. Ela disse que queriam um nome pequeno, que não tivesse apelido. Escolheram Alex, que atendia aos critérios. Segundo ela, as irmãs dele também seguiram o mesmo padrão; uma é Gabriela e a outra não me lembro, sei que são dois nomes. Não entendi onde está o padrão. Ele também não e ficou meio emburrado com a explicação.

Depois dessas revelações, tudo ficou mais transparente entre nós. Sinto confiança no nome-apelido dele e ele em minhas facetas libriana-escorpiana com pitadas de gêmeos. O que ficou de tudo isso? Não sei ainda. Só posso responder quando terminar de ler “Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido” de Ouspensky, livro que ele me indicou como sendo o revelador de todas as verdades. E pensar que sua verdade é simples como seu nome...


5 de julho de 2010

meu nome é MAFALDA

Ando pensando em fazer outra tatuagem. Mas como qualquer outro ícone, mesmo uma letra, poderá conviver com Mafalda em meu corpo? Ela foi a primogênita, tem personalidade, é a síntese de tudo o que acredito: justiça, verdade, arte, indignação social, Beatles, humor. Tudo isso concentrado na figura de uma menininha de 6 anos, que observa os pais como se mãe deles fosse e que convive com os amigos, respeitando (às vezes) suas particularidades. [Minha Mafalda observa meu umbigo e não respeita nada]
Em minha opinião, Quino foi muito feliz na escolha do nome da personagem. Mafalda é um nome lindo e único.
Quando estivemos em Buenos Aires, toda hora via a bonequinha nos souvenires, nas bancas de revista, livrarias. Queria mostrar a tatuagem e dizer que era uma “hermana” de ideais, mas me contive – não todas às vezes, lógico. Voltarei lá só para ver a escultura da Mafalda sentada num banquinho – preciso bater um papo com ela sobre o que estamos fazendo com nosso planeta e saber sua opinião. [Podia tatuar a bandeira da Argentina... menos empolgação, Ariana...]
Como uma exclamação, registro que gosto do desenho original em preto e branco; gosto de ler “Toda Mafalda” quando estou triste; as tirinhas da Mafalda não foram criadas para constar apenas em livros de gramática e ser tema de redação; crianças podem gostar das tirinhas dela sim - meu sobrinho de 4 anos adora a “Mafada” desde que nasceu. [Resolvido, nada de mais uma tatuagem – é muito difícil conciliar minha Mafalda com outro ponto de vista.]

4 de julho de 2010

meu nome é ARNOLD SCHWAHZENEGGER

Esse é o tipo de texto que a gente tem vontade de começar com uma vírgula. Imagine que algum brasileiro deu o nome de Arnold Schwahzenegger ao filho, o garoto é assassinado, sai no jornal e toda a internet se comove, rezando pela alma do homônimo americano, porque não há como existir dois Arnold Schwahzeneggers no mundo. Mas há.


DA REDAÇÃO - A morte do adolescente Arnold Schwahzenegger Santos Gonçalves, de 17 anos, em Goiânia está causando confusão no Twitter. O assunto atingiu a primeira posição no trending topics (lista dos assuntos mais comentados) do Twitter.

O tema virou piada. No primeiro momento os usuários acharam que atual governador da Califórnia, o ator Arnold Schwarzenegger tivesse morrido. Mas ao procurar mais sobre a notícia percebe-se que se trata da morte do jovem de Jardim Curitiba 4, em Goiânia.

Uma usuária comentou estar com medo da notícia. "To com medo de clica no Morre Arnold Schwahzenegger nao vo assassina ninguem o twitter nao vai me leva pro mau" (sic)

O jovem morreu com um tiro na cabeça na noite de terça-feira (29) e a polícia goiana deduz que o verdadeiro Schwahzenegger morto foi assassinado por causa de uma dívida com tráfico de drogas, já que uma pequena quantidade de maconha foi encontrada ao lado do corpo. (Jornal do Brasil Online - 4/7/2010)

http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/07/04/e040711717.asp

3 de julho de 2010

meu nome é MAICON

O Brasil perdeu a Copa (...), mas Maicon fez bonito ontem. Ouvi a história de seu nome contada pela mãe numa reportagem da TV Globo. Ela disse que o nome de Maicon foi inspirado por Michael Douglas. Tudo bem, abrasileiramento de nomes é legal, mesmo que feio. A mãe criativa de Maicon batizou o outro filho de Marlon (Marlon Brando) - vê-se aí uma fã de cinema americano. Agora de onde ela tirou Erla Carla, nome da filha, não me pergunte...

Ê Brasil velho, perdemos outra Copa... E nosso técnico, limitado ao apelido dado por seu tio que achava que ele nunca ultrapassaria a estatura de um anão, Dunga, ou Carlos Caetano, a meu ver criou uma equipe de guerreiros distressados (palavra que aprendi na semana sobre o mau estresse). Dunga pegou a lenda de seu nome e transformou a gente em anões também, reprimindo nosso grito de “somos HEXA!” Tá bom, tá bom, tenho dó, imagino se existissem 190 milhões de pessoas dando pitaco no meu trabalho. Iria xingar muito mais que ele!

Mas é ruim perder uma Copa, nas quartas de final ainda por cima... Não consigo tirar as reticências do texto e o sentimento de derrota do peito. Queria escrever nome a nome, colorir o textos com estrelinhas, pintar o blog de verde e amarelo, mas fica a musiquinha irritante em minha cabeça: “eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou...”