6 de setembro de 2010

meu nome é JURUNA

As histórias de meu sobrinho merecem um blog a parte. Sinto muita vontade, todo tempo, de contá-las aqui, mas perderia o charme de contar histórias de outras pessoas além do imaginativo João Victor. Adoro mesmo quando suas histórias me dão oportunidade de contar as de outros, como a experiência desastrosa de minha irmã de cortar a franja do garoto lhe rendeu o apelido (entre nós) de Juruna.
Para quem não se lembra esse era o nome do primeiro índio brasileiro a se tornar deputado federal. Símbolo de democracia, o cacique xavante Mário Juruna também foi sinônimo de penteado estranho, com sua franjinha curta demais para o gosto de nossa civilização.
Esse índio até os 17 anos não sabia que existiam pessoas que, a cada estação, pintavam o cabelo de uma cor, ou cortavam de outra, pois aquilo não tinha um significado utilitário ou marcava uma simbologia tribal, mas fazia parte de um conceito mais abstrato que o de Deus: a moda.
Li que na década de 1970, Juruna frequentava os gabinetes da Funai com um gravador, registrando “tudo o que o branco falava” e comprovando que “branco” não cumpre palavra. Parece que ele se apaixonou pela política e ela o destruiu, pois morreu de diabetes abandonado pela tribo e pelo poder público.
Mas não é uma história de desesperança que quero contar, mesmo porque o JN já faz isso com bastante eficiência. Quero falar de Juruna, índio que virou deputado, nome também de grupo indígena da região do Mato Grosso, cujo nome tem significado, “boca preta”, e tem um porquê: “porque a tatuagem características desses índios era uma linha que descia da raiz dos cabelos e circundava a boca”.
Mário Juruna é um marco político desse nosso país por sua atuação no congresso como embaixador das causas indígenas. Infelizmente hoje o que fez lembrar-me dele não foi o Dia da Independência que se comemora amanhã, mas um corte de cabelo desastrado de meu sobrinho.