19 de dezembro de 2012

meu nome é ATÉ BREVE


Boas surpresas para 2013!

Dificilmente escreverei no bloguito antes de retomar minha rotina pós-festas de fim de ano, então já aproveito para deixar registrado meus desejos de paz e amor para 2013. No Natal, menos pisca-pisca, mais carinho com quem estiver do seu lado. Na virada, menos espumante e pernil, mais abraços sinceros. Potencialize os tradicionais ritos de passagem de ano novo! Tem tantos desejos que sete ondas são pouco? Pule sete tsunamis! Vestir branco apenas não vai lhe satisfazer? Vista-se de arco-íris, sandália azul, saia verde, blusa lilás, calcinha e sutiã dourados com bolinha rosa, unhas vermelhas e uma flor branca no cabelo. Comer só o que cisca pra trás dá azar? Coma o que corre, menos coelho. Tudo pode ser visto de um outro ponto de vista, é nisso que acredito.

Novos arranjos mentais em 2013 e vida nova para todos nós!

9 de dezembro de 2012

meu nome é MELANCOSONGS


Hoje não tenho vontade de escrever, estou melancólica com tantas despedidas. Hoje despedi-me de mais uma amiga querida. Isso dói. Tento me convencer de que, com tantos apetrechos virtuais, a saudade ficou mais fácil de ser administrada. Só não inventaram cheiro, nem toque, nem olho no olho. Então me reservo o direito de sentir saudade, daquelas apertadas, chorar, dormir toda a tarde de domingo, sacudir a poeira que a semana chegou para me distrair com o trabalho que resgata.
O Natal sempre me deixa tristonha. Um dia, quem sabe, olho para as luzes de Natal e fico menos nostálgica.  Minha decoração de Natal nunca tem pisca-pisca. Enfeito a casa com laços, presépios árvores, menos pisca-pisca. Sinceramente teria que voltar para a terapia para saber o que dá em mim quando vejo as luzinhas coloridas, alternando o claro e o escuro. Freud explica com certeza.
Já que não tenho vontade de escrever, vou resumir numa lista. Listas são mais palatáveis que longos textos. Mas lista sobre o quê? Já sei: as músicas que escuto quando a melancolia me visita. Música é um resgate na vida da gente. Na ordem da lembrança, não da preferência, lá vai:
1. Haja o que houver (Madredeus)
2. Lamento sertanejo (Gilberto Gil)
3. Espere por mim morena (Gonzaguinha)
4. Aquela coisa toda (Oswaldo Montenegro)
5. O Vento (Los Hermanos)
6. Forza della vita (Renato Russo)
7. Balada de Agosto (Zeca Baleiro e Fagner)
8. Pedra de rio (Ney Matogrosso)

E pra espantar, Beija flor (Timbalada)!

Escutei todas e vou dormir certa de que sobrevivo e vou reencontrando todos pela vida ou depois dela. Afinal a melancolia é doce.

2 de dezembro de 2012

meu nome é SALAMANDRA

... pense bem antes de fazer...
Eles entraram no quarto, um pouco constrangidos pela intimidade repentina, com desejo sim, mas em cada mundo particular uma interrogação para o que estava para acontecer. Ela começou examinando o quarto, ele a colocar o celular no mudo. Algum dos dois puxou uma conversa boba, falando do tempo, do trânsito, nada que comprometesse raciocínio ou ligação com a realidade. Deixaram para fora da porta, cada um, sua vida de compromissos. A decisão de esticarem o almoço foi conjunta, simples, direta. "Vamos passar a tarde juntos?". "Vamos". Há coisas que podem ser simples num mundo complicado. Enquanto ela pensava nos lençóis, ele tirava a camisa. Pediu para usar o banheiro primeiro. "Claro, pode ir..." Ela estava um pouco desconfortável com a ideia de, depois de anos, voltar a encontrar aquele velho-amor, mudado sim, em quase tudo muito mudado. Parecia mais calculista que antes. Cientista mesmo. Concreto. O que fazer se não experimentar o novo momento? A pergunta não saia de sua cabeça. Ele sai do banheiro, tomou banho, tinha cheiro de sabonete. Era a vez dela pedir que esperasse um pouco. Quando saiu, enrolada numa toalha com inscrição do "Royal Motel", ele estava na cama, aguardando. Ela vira de costas e tira a toalha. "Ahhhh!!" - ele grita. "O que houve?" Ela puxa a toalha, cobrindo-se nervosamente. "O-que-é-isso?"... "O quê??"... "Isso-aí??"... Aponta para atrás dela. "Como assim? Minha tatuagem!"... "Você-tatuou-isso-quando??"... "Ora, sei lá! Depois que a gente ficou pela última vez."... "Foi de propósito? Você sabe que odeio lagartixas!"... "É só o que faltava! Não é uma lagartixa, é uma salamandra!"... "Seja lá o que for, odeio!"... "E você acha que tatuei isso pra lhe assustar?"... "Se não foi, por quê?"... "Seu egocêntrico! Meu mundo não gira entorno de você!"... Entra no banheiro, batendo a porta. Respira, respira, concentra no que fazer. Sai vestida, atravessa o quarto sem olhar para o homem que um dia amou, o mesmo de sempre, com medo de lagartixa. "Vou esperar no carro. Desça logo, não vim até aqui discutir sobre seus medos idiotas." Saem mudos, 15 minutos depois, ele a deixa num ponto de táxi, ela não pretende vê-lo jamais. Ele volta para o trabalho, suando. Ela vai ao shopping, andando depressa. Toda a rotina re-estabelecida. Cada um com seu caos interior. Ele se pergunta por quê. Ela se pergunta por quê. Nenhum tem a resposta. Tudo normal no reino ruído dos desejos frustrados, das lagartixas disfarçadas em salamandras.

25 de novembro de 2012

meu nome é BALANÇO 2012

2012, sobrevivemos entre abismos
Fim de novembro, aproximam-se as confraternizações de fim de ano, bate a vontade adiantada do balanço 2012. E olha que ano! Ele foi/está sendo mesmo intenso em muitos sentidos. Não quero falar aqui de dualidades, bom/ruim, triste/feliz. Isso seria resumir um ano de acontecimentos ao preto e branco, sendo que, para mim, ele passou pelo vermelho toque de ira, rosa pink, azul céu, cinza nebuloso, ou seja, toda a criativa palheta de cores dos esmaltes da moda.
Ê aninho... Queria mesmo era gravar aqui um "ê aninho...", arrastando o sotaque baiano. Teve de tudo, até mesmo o que nunca vou escrever neste bloguito, aquelas partes da vida da gente que são só nossas: isso existe apesar das redes sociais...
Bem, conquistei coisas, perdi muito também. Fiz uma lista. Algum dia isso servirá para alguma coisa, só não tenho ideia para quê:

cuidei de meu corpo e espírito
chorei de rir e de ficar com olhos inchados
escrevi muito, relatórios, e-mails, posts
amei "como se amanhã não fosse possível fazer nada"

voltei a usar óculos depois de 14 anos
fiquei emocionada ao ver meu sobrinho aprendendo a ler e escrever com letra "pursiva", falando coisas divertidas, inteligentes e mágicas (algumas compartilhadas aqui)
com uma rede de amigos, ajudamos a dar esperança para duas vidas
fiz novos amigos, alguns com nomes incríveis

apoiei minha irmã e suas escolhas
realizei um sonho de minha mãe
viajei para lugares que sempre sonhei
enfim, entrei em Notre Dame

fiz slackline
avancei no inglês e na conectividade
reencontrei muita gente que gosto
aprendi técnicas que me ajudarão a construir futuros

trabalhei muito, acredito que "o trabalho engrossa o fio da vida"
reanalisei minha vida todos os dias, certa de que sou hoje minhas escolhas
li livros encantadores
assisti filmes que quebraram paradigmas e construíram outros

saboreei arte
vivi música
estive perto de anjos e demônios, sobrevivi
presenciei milagres, reconstruções de lugares e de pessoas

Enfim, um ano para lembrar...

16 de novembro de 2012

meu nome é ESPERA


Tão distraída que andava, sempre tão distraída, que não percebeu o menino com mão no queixo, apoiado no braço da cadeira, piscando lento...

Tão inquieta sempre, inquieta e ansiosa, não percebeu o olhar admirado do rapaz encostado no carro...

Tão ocupada, vivia sempre tão ocupada, não percebeu como a olhava o cara por cima dos óculos...

Tão ansiosa, respirando sem ar, não percebeu quem estava sentado do outro lado da mesa...

Tão longe, tão perto...

(Para minhas amigas, tão eu...)


11 de novembro de 2012

*JV e as perguntas

- Mamãe, o que é "pau"?
- ..."tal"?...
- "Pau"!
- ... "pau"... com P de pato ou com T de tatu?...
- "Pau" com P de pato.
- ... é... "pau"... é... um tipo de madeira... algo assim...
- Ah...
- ...hum... por que, meu filho?
- Nada não, eu tava pensando aqui.
- ... é... onde... hã... você... hum... ouviu... isso?...
- Tava pensando em uma música.
- ... sei... que.. hã... música... hum... é... hã... essa?
- "Atirei o pau no gato to to".
- Ufa!

7 de novembro de 2012

meu nome é BLACK OBAMA

Gosto da escrita visceral! Gosto quando os textos são produzidos enquanto a emoção está presente. Gosto de exclamações! Entrego-me às frases clichês e eis-me completamente entregue: Obama venceu.
Não, eu não sou a pessoa mais entendida em política mundial. Não, eu não acompanho a Bolsa de Valores. Não, eu não pretendo passar as próximas férias nos EUA. Amo mesmo o contraste. Obama na Casa Branca, para mim é um contraste ideológico. A terra que inventou o Ku Klux Klan re-elege um homem negro, com família negra, com raiz negra, que não levanta a bandeira da supremacia, que está atuando lentamente no país da velocidade. Agora vou ler com mais prazer a grande biografia dele que está na minha cabeceira. Pela primeira vez na vida tenho vontade de balançar uma bandeirinha americana....

"Four more years" - Barack Hussein Obama by Twitter
Referência interessante para nosso bloguito: "o nome inteiro de Obama é baseado em mitologia islâmica. Barack Hussein Obama quer dizer [Alá está abençoando] [o neto de Maomé] [Um dos melhores guerreiros de Maomé]."

4 de novembro de 2012

meu nome é CINQUENTA TONS DE CINZA

- Você leu a parte que ela disse que não sente cólica???

O que um fim de semana prolongado não faz por uma cabeça cansada. Muito bom! Foram três dias entre livros, plantas, estudo e cozinha, só que sem pressão. Até o coelhinho percebeu que estava na boa, cochilando ora de barriga para cima, ora de barriga para baixo, uma coisa linda de ver!
Elegi um livro água com açúcar para não puxar nenhum tipo de autoanálise: Cinquenta Tons de Cinza, o best seller do momento. Na verdade ele pede água com açúcar depois de alguns capítulos, descrevendo como a Anastasia Steele e Christian Grey utilizam um arsenal sadomasoquista para sentir prazer. O título original é mais charmoso "Fifty Shades of Grey", eu acho, apesar de já ter lido que a tradução e a versão em inglês usam uma linguagem muito parecida, sem novidades.
Pra dizer a verdade - e sem querer ofender os leitores curiosos - o livro é massante. Chega determinado momento que a gente quer saber logo no que vai dar tudo aquilo, os grampos, as algemas, as surras, muito tesão e pouca conexão. E a autora conseguiu escrever uma trilogia! Tenha dó.
Como manual de instruções talvez ele fosse mais interessante, tenho até um título no estilo Revista Nova: "Cinquenta formas de esquentar sua relação". Eu compraria. Tem coisas ali que nunca tinha ouvido falar mesmo, confesso sem pudor. Mas um livro para ser chamado de livro para mim tem que ser bem escrito ou propor uma ruptura. Além do hímen da Srta. Steele esse livro não rompeu com nada. As antigas brochuras Júlia, Sabrina e Bianca, vendidas nas bancas de revista, já apresentavam isso desde mil novecentos e bolinha.
Enfim, me senti uma retrógrada enquanto escrevia esse texto. Imagino quantas pessoas nascidas depois da minha adolescência não estão vibrando com esse livro, com todas as possibilidades do mundo para experimentar. Sou mesmo uma tola. Isso é ruptura para alguém, em algum lugar, apenas não é para mim.
Não me livrei de tomar uns cinco banhos hoje, mas não consigo culpar apenas o livro. O calor estava imenso, o dia abafado e as lembranças começaram a vagar por minha cabeça de vento. Mal-criada que às vezes sou, digo logo que não adianta que não vou narrar aqui o que só diz respeito a mim, mas posso fechar o texto com um cometário incrível de uma amiga.
Conversando sobre o livro, sobre histórias que já se passaram, ela me diz que já que está sozinha, não tem olhado muito para o corpo, descobrindo a pouco tempo o quanto seu umbigo estava sujo. Essa foi a conta para rir durante todo o dia, pensando quantos umbigos andam sujos pelo mundo afora, esperando um estímulo para serem apreciados e higienizados com prazer.

2 de novembro de 2012

meu nome é DO OUTRO

Queria poder...



Podia ter sido escrito por mim...


Sou de onde o vento me levar
Nos quatro cantos do mundo
Sempre vou estar

Talvez um dia eu possa parar
e em algum canto
me estabilizar

Mas gosto de voar
no mundo da lua sempre vou morar
minha mente não pode parar
tenho a imaginação além da realidade

Que vaga no mundo dos sonhos
Em busca da felicidade.

Sonhar é meu destino e minha razão
Fonte de minha realidade e de minha ilusão
sou feliz assim
quem poderá me julgar.
(Poema as Bruxas)

28 de outubro de 2012

meu nome é ENCONTRO



Está vendo alguma coisa? O futuro está vindo, finalmente? Corre! Não esquece de respirar.
Se der, leva as coisas. Se não, segue assim mesmo. Um livro na bolsa é uma boa bagagem. Batom e uma presilha para o cabelo também.
Equilíbrio, confiança, não vá se largando pelo caminho. Precisa das lágrimas, nada de desperdiçá-las.
Sorrisos para o tempo que der.
Velocidade e ritmo. No mais, boa sorte!




14 de outubro de 2012

meu nome é CHUVA

Hoje chove... Vieram tantas lembranças junto com ela... Nostálgica, não triste, decidi resgatar minhas opiniões sobre a chuva durante o passar dos anos. Gostei do resultado:

Um dia de chuva
Um dia sem graça
Olhamos o mundo
Por trás da vidraça

Para chuva de chover
Para de cair
Você fica a gente chora
Você vai a gente ri
(aos 4 - único poeminha que decorei na vida)

Purple rain, purple rain
I only want to see you bathing in the purple rain
(aos 16 - de Prince)

(aos 20 - tempos difíceis)

O que a gente precisa é tomar um banho de chuva, um banho de chuva...
(aos 30 - de Vanessa da Mata)

Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. Ambos existem; cada um como é.
(aos 40 - de Alberto Caeiro, avatar de Fernando Pessoa)


6 de outubro de 2012

meu nome é FIM

"Meu amor, o que você faria se só te restasse esse dia? Se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria"

Desafio de Juba, no super blog Foi assim: que aceitei desde quando proposto - demorei apenas para definir o contexto. Resolvi apertar a história: o que eu faria, morando em Mucuri, distante da minha família, de muitos de meus amigos, se só me restasse esse dia? Vamos lá, 10 coisas que eu faria:

1. aproveitaria a tecnologia para me conectar com minha irmã e sobrinho durante minhas últimas 24 horas, assim veria JV comendo, dormindo, calçando a meia, escovando os dentes, brincando, tomando banho, fazendo tarefa;
2. em casa, na rede ou na mesa, ouviria todas as histórias que minha mãe conta desde quando sou criança, rindo muito;
3. molharia as plantas, afinal existe sempre a esperança da semente;
4. daria cenoura, couve, ração e muita água para meu companheiro de casa Zero3;
4. rezaria por meus amigos e demais de minha grande família, pois já que não estou em presença física ao lado deles, sempre estou em pensamento;
5. rezaria por meus antepassados, os que já se foram e conheceram o mistério antes de mim;
6. leria poesia de Florbela Espanca, Quintana e Borges, trechos de Clarice Lispector, Gabriel García Marquez e José Saramago, alimentando o único romantismo possível a poucas horas do fim;
7. abriria aquele vinho Médaille d'OR do Concours Des Vins, brindaria por toda a vida que vivi, agradecida pelo aprendizado;
8. mandaria um e-mail, um longo e-mail para meu amor, com todas as palavras lindas que ele merece ouvir numa despedida desse plano e uma promessa para outros encontros além dessa vida;
9. tomaria um banho de mar e ficaria uns minutos na areia, só observando a paisagem, afinal o que pode ser mais bonito nessa vida do que o ir e vir das ondas?
10. todos os momentos, ouviria música, muita música, Caetano, Chico, Gil, Mozart, Zeca, Zé Ramalho, Adriana, Luiz Gonzaga, Gonzaguinha, Vanessa, Maria Bethânia, Beatles, Coldplay, Santana, Tulipa, Tiê, Zaz, Lenine, Barão, Titãs, Paralamas, Marisa, Moska, Diogo Nogueira, Ney... Será que ia dar tempo?


1 de outubro de 2012

meu nome é VOAR

Maitena - cartunista argentina que me desenha igualzinho como acordo
Lá vem você novamente, inferno astral. Alguém já lhe falou que você não é desejado? Chega trazendo tanta reflexão que meu cabelo armou ontem que não havia jeito de baixar. Daí para virar experimento de amiga solidária, seu secador e sua chapinha, foi daqui pra'li.
Meu aniversário chegando, junto o balanço do ano, e o inferno astral colado. Ele começou a me atiçar com desejos de mudança a partir de um sonho muito doido esta noite: eu voava. Meio torta, meio de lado, mas voava. E tinha um acompanhante muito interessante ao meu lado, só não sei quem era; lembro de olhos claros como os de Chico Buarque. Enquanto ele mergulhava, eu voava. Era tudo muito normal, estávamos perdidos em uma cidade estranha. Pensava em ligar para uma amiga "GPS", mas lembrava que meu celular não pegava naquele país - eu estrago até meus sonhos com pensamentos práticos.
Voar em sonho deve ter um significado. Imagino que seja liberdade, palavra que amo de paixão, a mais linda de todas as palavras, a mais misteriosa também. Plenamente não acredito que seja possível experimentar a liberdade neste mundo, mas nos sonhos, sim, é possível.
Voltando ao sonho, voei por cima de um mar azul revolto. Havia pedras, sentia o vento. Como é bom sentir o vento no rosto enquanto se voa... Daí acordei para mais um dia com os dois pés na realidade. Pena. Não que ache a realidade pouco interessante. A minha tem sido interessante por demais nos últimos tempos. Só que voar combina com liberdade que rima com realidade mas não combina, entende?
Vou dormir pra sonhar novamente, quem sabe voar novamente. Boa noite, inferno astral! Começou bem.

*JV e a alfabetização

- Mamãe, vamos brincar de forca? A pista é: um objeto.


30 de setembro de 2012

meu nome é PRESSÁGIO



Quisera eu escrever com disciplina neste espaço. Cada palavra digitada tem o poder de me transportar para um mundo interior muito explorado, pouco conhecido. As viagens interiores sempre me encantaram. Sou daquelas pessoas que aproveita o silêncio para entrar no ninho e com um prazer enorme, explorar cada pensamento, cada cenário do dia, transformando tudo em conclusões das mais absurdas.
Um dia coloquei na cabeça que o motorista do ônibus ia me esquecer numa das paradas entre Salvador e Vitória da Conquista. Sofria quando tinha que pegar aquele ônibus, não pelas oito horas de desconforto, mas aguardando a parada do xixi. Detalhe importante: odeio banheiro de ônibus; espero que todos concordem que é a coisa mais desagradável que existe. Claustrofobia com cheiro é de matar. Sempre prendia o xixi até chegar as duas paradas da viagem.
Fazia essa viagem noturna, mais fácil para uma estudante que gostava de aproveitar cada minuto com a família antes de voltar para as apostilas. Minha mãe e irmã moravam em Conquista e eu estudava pra o vestibular em Salvador, batalhando para passar em uma faculdade pública de primeira e pular o famigerado cursinho.  E foi numa dessas idas que a profecia foi cumprida, ou quase.
Desci num dos pontos rodoviários de beira de estrada para ir ao banheiro, velho conhecido. Demorei um pouco mais por causa da fila de mulheres que resolvem viajar com roupa demais, fivelas demais, zíperes demais, botões demais, nada práticos para se desfazer num banheiro público. Pulando, apertada, preocupada com o ônibus, usei o banheiro como ele deve ser usado, rapidamente, e saí correndo com minha bolsa sempre grande me seguindo.
Quando cheguei no ponto, cadê o ônibus? Desesperei. Soltei um palavrão que vou preservar aqui os leitores e fui, soltando fumaça, me queixar no guichê. Um absurdo, falei, como deixam o ônibus sair sem um passageiro? Algumas pessoas começaram a se interessar por minha história, me perguntavam o que houve e eu repetia cada vez mais alto que TINHAM ME ESQUECIDO!
A história foi crescendo, os curiosos se aproximando e o responsável pela empresa de ônibus falava com jeito manso:
- É, fiz uma vistoria e tava faltando um passageiro mesmo.
- Então, falava contidamente, tentando me manter calma, porque deixou o ônibus ir? E agora? Minhas malas, minhas coisas! E meu travesseirinho?!
Andava de um lado para o outro, enquanto um atendente conversava com o dono da lanchonete, articulando me encaixar no ônibus que passava dali a duas horas, quando um iluminado resolve fazer a pergunta decisiva:
- Qual o horário de seu ônibus?
- 22h45, respondi emburrada.
- Ué, olha seu ônibus estacionado ali!
Silêncio geral, enquanto apertava a bolsa contra o peito e entrava no ônibus sem olhar para os lados.
Essa minha mania de criar cenários ainda vai me colocar em apuros.

29 de setembro de 2012

meu nome é FOLGA


E agora? Como será daqui pra frente?
Quando vou poder alienar? Qual a distração?
Chegarei em casa, mecanicamente farei o café e tomarei
Voltarei para o raciocínio logo após, sem folga?
E agora? O que vai desligar o botão do compromisso e das responsabilidades?
O que vai ligar o botão da folga, do ninho, das pernas pra o ar?
Como vou viver sem Fabian, Chayenne e as Empreguetes?!
Ah, chato isso...

meu nome é BURRO



Empolgadíssima, Floriscéia chama Ariana na copa para contar o que descobriu no cafezinho. Nosso colega Gêneses contou que tinha um velho amigo chamado 1,2,3 de Oliveira 4. Sim, pensou Ariana, será que existe mesmo o personagem número um dos nomes inusitados brasileiros? Claro, exclama Floriscéia, e tem mais. Issamu contou também que existiu um alto executivo de uma empresa com sobrenome Burro; quem não o conhecia ficava atônito com alguém chamando o chefe pelos corredores: "Seu" Burro!

*Floriscéia é uma entusiasta desse nosso bloguito. Gêneses e Issamu são colegas de trabalho com nomes pertinentes ao interesse dos leitores e da escritora aqui. Sobre 1,2,3 de Oliveira 4, pode ter sido uma pegadinha, não sei. E "Seu" Burro foi encontrado no Google. Então, proponho dar crédito aos correspondentes, donos de nomes de todos os estilos, origens, grafias, enfim, observadores como nós, gente boa de se conviver.

23 de setembro de 2012

meu nome é LISANDRO ARISTIMUÑO



Desembarco nos destinos internacionais, procurando logo saber sobre a música produzida ali e, em muitos momentos, me apresentam cantores brasileiros ou intérpretes do país deles, cantando música do meu país. Fico decepcionada, pois minha expectativa é que todos sejam orgulhosos de sua música como sou da produzida aqui, com ressalvas para essas músicas chiclete, claro. Alguns se arriscam e me apresentam cantores atuais, desinteressantes na maioria, prefiro os clássicos ou folclóricos. Nenhuma viagem é perfeita, afinal.
É mesmo difícil qualquer país competir com meus preferidos, monstros da música brasileira, das composições de letras e sonoridade encantadas. Nesse assunto sou chata e inflexível, me aturam meus amigos mucurienses. Aguardo encontrar Neys, Chicos e Zecas, me apresentam música de consumo rápido e pouco marcante.
Parece contraditório essa ênfase na defesa de clássicos brasileiros quando reservo um lugar especial para um jovem cantor/compositor argentino. Assisti ontem uma entrevista desse rapaz que me encantou pela sensibilidade quando falou sobre o processo de composição. Um "hermano" desse não pode passar sem ser percebido, conhecido, reconhecido, sentido, consumido, mil vezes ouvido, um presente para a música do mundo! Bem que ele poderia ser brasileiro... Quando o vi lembre-me de um velho conhecido, "navegador solitário, que tem uma bússola solitária e um papagaio solitário". Ele vai ler este texto algum dia, vai saber que dedico a ele e à toda a sua loucura, música falada com "a língua solta na boca".
Está aí, um maravilhoso "hermoso cantante" da nova geração, Lisandro Aristimuño, Azucar del Estero.

16 de setembro de 2012

meu nome é ACRÓSTICO



Para meu pai que hoje faria aniversário, com amor, um acróstico meio biográfico, meio sensitivo 


E nasceu de uma mãe que não conheceu e de um pai cuidadoso
De pequeno aprendeu a perder
Mãe morreu cedo
Uma primeira provação de resistência da vida
Nutriu a força, a seriedade e a autotirania
Durante toda a vida deu o que lhe deu a vida
O último suspiro foi ao lado de uma criança

Meu pai que hoje faria 78 anos
Está continuando sua vida em outro plano 
Inevitavelmente nos encontraremos, tenho certeza
Riremos dos tortos caminhos que fizeram de nós pai e filha
Agora é o tempo do aprendizado individual

Mas seu pai, meu avô, voltou a estar com ele hoje
A mãe pode enfim conhecê-lo e acarinhá-lo
Garanto que até os meus bichos desencarnados estão por perto, fazendo festinha
Atenta, de cá, peço em oração que assim seja
Lhe agradeço a vida, os olhos, a resistência
Há que considerar que me pareço mais na cara do que no comportamento
Assim mesmo, somos unidos pelo sangue e pela justiça
E seu neto manda um abração
Sintonia de filha

10 de setembro de 2012

meu nome é EDILSON BARRETO

Nosso bloguito está sendo divulgado na página da intranet da empresa na qual trabalho. Isso me trouxe surpresas muito interessantes, dentre elas um texto encaminhado hoje por um colega com pedido para publicar aqui, já com título "meu nome é GENTE". Agradeço a confiança e o texto transcrito abaixo. Mudei o título para dar crédito ao autor. Quem sabe nasce um novo blogueiro?


GOSTO DE GENTE...

Gosto de gente que sabe ser gente...

Gente com a cabeça no lugar, cuca fresca de conteúdo interno, idealismo nos olhos e dois pés
no chão da realidade.

Gosto de gente que ri, chora se emociona com um simples e-mail, um telefonema, uma canção
suave, um bom filme, um bom livro, um gesto de carinho, um abraço, um afago.

Gente que ama e curte saudade, gosta de amigos, cultiva flores, ama os animais,
Admira paisagens, curte o tamborilar dos pingos da chuva na janela.

Gente que tem tempo para sorrir bondade, semear perdão, repartir ternuras, compartilhar
vivências e dar espaço para as emoções dentro de si, emoções que fluem naturalmente de
dentro de seu ser!

Gente que gosta de fazer as coisas que gosta, sem fugir de compromissos difíceis e inadiáveis,
por mais desgastantes que sejam.

Gente que colhe, orienta, se entende, aconselha, busca a verdade e quer sempre aprender,
mesmo que seja de uma criança, de um pobre analfabeto.

Gente de coração desarmado, em ódio e preconceitos baratos. Com muito AMOR dentro de si.

Gente criança que brinca, joga bola, solta pipa, observa tudo sem a maldade dos adulto, que
vê seu mundo sempre colorido,” que se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do
papel no instante imagina uma lida gaivota a voar no céu”.

Gente Mulher que sabe ser mulher ,coloca seus estojos de maquiagem em cima da cama
e começa a seção de produção, tudo para te ” enlouquecer “, e depois ouvir do seu amor
você está linda!!!

Gente Homem que faz a barba, corta seu cabelo, se arruma todo curte um bom perfume,
gosta de se arrumar...

Gente religiosa, que vai a igreja, que ora/reza pensa em Deus, e sabe da sua insignificância
diante daquele que é Soberano, Majestoso, Deus Forte, poderoso nas Batalhas ,príncipe da
Paz.

Gente jovem/adolescente que perde os cadernos na véspera da prova, desespera, rói as unhas
mais depois que acha, estuda, se alegra e grita quando tira uma nota Boa e diz: Passei....

Gente Romântica, metido a poeta , que curte as canções de amor, curte Caetano, Gil, Vinicius
de Moraes, pensa em passar uma “ tarde em Itapoá, ao sol que arde em Itapoá “ Gente que
erra , reconhece, cai mas se levanta ,apanha mas assimila os golpes, tirando lições dos erros e
fazendo redentoras suas lágrimas e sofrimentos.

Gente profissional que acorda cedo chega sempre alegre no trabalho ,dá duro, batalha,
arregaça as mangas e sai em busca do seu lugar em um mundo altamente competitivo, e que
chega no final de semana realizado espalhando alegria , por mas uma semana de vitorias.

Gosto de gente assim... e eu creio que é desse tipo de gente que você, e DEUS deve gostar
também.

Edilson Barreto

8 de setembro de 2012

*JV e a velhice

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- Ô vovó, quando eu tiver com 62 anos como você hoje, você terá quantos anos?

- Ah, meu filhinho, sua vovó estará morando no céu.
- E eu vou tá um velhinho mancando, não é?
- Mancando porque, João Victor? Sua vó tá mancando por acaso? Misericórdia, menino!
(6 anos)
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- Vamos guardar sua caixa de brinquedos, filho.

- Deixa que eu pego por que tá muito pesado pra velhinha.
- Porque você acha que sua vovó é velhinha, meu filho?
- Por que você tem vários risquinhos, e todo velhinho tem vários risquinhos.
(5 anos)
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7 de setembro de 2012

*JV e a disputa eleitoral

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Na última disputa eleitoral, João Victor (4 anos) resolve opinar:
- Agora é entre Serra e Zilma.
"Zilma" ganhou.
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*JV e a saudade

Amo meu sobrinho. Amo o que ele vem se tornando dia a dia. Suas histórias são conhecidas por meus amigos do Facebook, mas pouco escrevo aqui sobre ele. Aí pensei, porque não registrar no nosso bloguinho suas tiradinhas divertidas? Pronto, já criei o marcador "Dinda Babona", com preciosa colaboração de minha irmã, codinome "Mamãe".

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Sai vai viajar no fim de semana e João Victor ficará com o pai.

- Você vai ficar com saudade de mamãe, filho?
- Não sei... Se eu me lembrar de você, acho que vou.

(6 anos)

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2 de setembro de 2012

meu nome é ELEIÇÕES 2012

óbvio: lugar de palhaço é no circo, diversão legítima. Fonte: Google

Ai, ai, campanhas políticas, suas invenções me matam de rir. Ontem Mucuri estava animadíssima. Bandeiras tremulavam nas mãos de jovens sorridentes, carros plotados e pilotos buzinando "felizinhos" como se fosse comemoração de resultado das eleições. Enfim, cenário nada bonito para mim. Minha percepção foi de poluição pra todo lado; papéis no chão, som alto, sem falar no colorido de mau gosto das propagandas, muitas vezes tapando a sinalização, o que para o código de trânsito é categoricamente proibido.

Eu, meio zonza que fico com tanto estímulo sensorial, resolvi parar para ler um cartaz em um cavalete que praticamente gritava para eu votar em... Dodô de Babá?! Bingo! No meio daquela confusão encontrei rico material para nosso bloguinho. Resolvi ler todos os anúncios de candidatura durante minha rotineira perambulada pelo comércio mucuriense. Pérolas para todos os lados, mas nenhum material de rua foi tão primoroso para este post como o senhor Tribunal Superior Eleitoral.

O TSE em uma boníssima iniciativa cidadã, criou um site onde podemos pesquisar sobre todos os concorrentes a vagas públicas. Chama-se DivulgaCand. Vale a pena ir lá, ler sobre o perfil de seu candidato, confirmar se ele é o que realmente diz que é, se vale a pena mesmo votar no dito cujo, antes que seja tarde. Outros sites também oferecem informações bacanas, como o Transparência Brasil com seu Mapa de Risco da Corrupção. Enfim, minha campanha é: use a internet para pensar.

Longe de mim fazer campanha política no bloguinho, minha real/virtual intenção é observar os nomes com os quais essas pessoas se identificam, e cá pra nós, muitos já ficam desacreditados desde essa escolha. Política pra mim é coisa séria, só que ando rindo demais, me lamentando muito mais ainda, e pouco sentindo orgulho de termos eleito gente que prova dia-a-dia não saber o que é gestão pública honesta e capaz. Não concordo em voto de protesto, pagando salário de rei aos Tiriricas, para demonstrar repulsa pela palhaçada que aparenta ser o resultado da gestão pública brasileira ano após ano.

Vou me concentrar nos nomes. Prometo. Por exemplo, como levar a sério Cheba do Baú? E Zé do Pife? Não me sinto segurara em votar em gente com apelidos tão "exóticos". Imagino uma cerimônia da Câmara de Vereadores. Chamam o senhor "Tubaína" para apresentar seu projeto de lei para o município de Piripoca (inventei esse). Ele sobe no púlpito, cabelo penteado, nó da gravata meio torto e defende a ideia de que todos os novos cidadãos piripoquenses devem ser registrados com o nome do prefeito, Zé do Picolé Capelinha, homenagem singela do povo para seu governante, e, caso nasça uma menina, deve ser Zefa do Sorvete da esquina da Ribeira, considerando a mesma linha de raciocínio.

Aqui na região os nomes e sobrenomes são os mais lastimosos. Fernando Sannkkoll apto para governar, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, Dal da Funerária também e demais corajosos que ganharam propaganda gratuita aqui graças a sua audácia. Aguenta firme que a garimpagem não parou por aí: Daniel da Padaria Itabatan, Edson do Super Pão, Fábio Ambulância, Fátima Filha de Cabila, Jeruza do Finado Cheiro, Joildo Popular Bigode, Zé Maria Só Alegria, Feinho, Julio Limpa Fossa, Lucim, Márcia Tele Emoções, Paulo Gato Seco, Sueli Barraqueira... Nem aguento digitar de tanto rir. Não inventei nenhum, juro que não teria tanta criatividade.

É pedir demais que a sensatez comece no registro da candidatura? Para os propagandistas o brasileiro é tão burrinho que só vota por associação apelido-candidato. Depois todos justificam que votaram em Zé Lelé por protesto e está formada uma Câmara de Vereadores com 99% de voto protesto. Quatro anos de manipulação, corrupção e retrocesso político. Um mês pela frente para pensar no que a gente acredita e quer para as cidades que vivemos. Cansada da omissão, por uma eleição verdadeira, espero dar boas risada apenas das propagandas e depois aplaudir o resultado consciente do voto de cidadãos, não de platéia de circo votando no melhor show de palhaçada da temporada.

30 de agosto de 2012

meu nome é ARIANA, A MÃE

Inaugurando nova sessão do bloguito: "Reinventando ARIANA". Essa é a desculpa que encontrei para pensar como seria minha vida se tivesse trilhado por um caminho diferente. Começo com a opção que nunca fiz, a de ser mãe. Adoro crianças, fiquei muito feliz num rápido momento que pensei estar grávida, mas nunca foi uma escolha. Numa imaginária entrevista para uma revista super badaladinha, quem sabe responderia assim:

Fonte: Google por que amo pé de bebê
meu apelido preferido é... mamãezinha, amo! a viagem inesquecível foi... quando levamos as crianças para a Disney, precisava ver a cara de felicidade deles. se tivesse um super poder seria... teletransporte. meu sonho é... ver meus filhos crescerem. um amor para toda vida... minha família, claro. meu lugar perfeito é... minha casa. tenho medo de... não poder ver meus filhos todos os dias. o cheiro perfeito é... do banheiro depois do banho das crianças. meu sonho de consumo é... uma cama king size para dormirmos todos juntos. mantenho a forma... lavando mamadeiras (risos). meu livro de cabeceira é... A Vida do Bebê - Rinaldo de Lamare. a frase que me inspira é... amor com amor se paga.

19 de agosto de 2012

meu nome é ENGENDRAR

Quase matei esse blog na semana passada. Junto com ele imaginei matar também as dores pelo corpo que me causaram um mau humor admirável. Comecei a questionar o porquê do interesse de alguns por minha opinião boba exposta num universo virtual. Quem lê, me conhece? Se sim, me entende? Se não, qual o sentido? Escrevo sobre bobagens; escrevo com erros; escrevo pouco; escrevo para não me sentir tão só. Isso desperta interesse? Um cacto cativa mais que esse torto desenho de mim.

Vejo então mais de 11 mil e 500 acessos. O que temos aqui? Amigos, leitores, curiosos, estranhos. Eu em crise e um mundo de gente gastando seu tempo precioso acessando, lendo, quem sabe se interessando por algum dos nomes dos textos, quem sabe mudando com alguma frase mal escrita, ou rindo, ou chorando...como eu...

Bateu um sentimento de culpa. Imaginei um blog órfão, com teias de aranha, anônimo no espaço web e continuamente acessado, por nostalgia, somando na estatística um, dois, três acessos no mês... Uma matrix de mim solta, sem cuidados, mesmo que pouquinhos. Até o cacto gosta de água de vez em quando. E se não mato meus cactos de sede, porque mataria meu blog de textos?

Reafirmei com clareza que não conseguiria viver hoje sem um canal de desabafo. A clausura além da qual me proponho provocaria uma úlcera, mais dor. O blog é minha terapia de quarta-feira com Helena. Como era na terapia, às vezes ouvir é melhor do que falar, então silêncio nas postagens. Respeito o tempo do ouvir. Aqui eu só falo, demais até.

Mas espera... estou ouvindo algo... uma música... letra interessante... parece o blog "cantando"... nunca uso essa palavra, engendrar... é bonita... é Caetano... mas parece o blog... parece pra mim...

Eu não me arrependo de você
Cê não me devia maldizer assim
Vi você crescer
Fiz você crescer
Vi cê me fazer crescer também
Prá além de mim...

Não, nada irá neste mundo
Apagar o desenho que temos aqui
Nem o maior dos seus erros
Meus erros, remorsos
O farão sumir..

Vejo essas novas pessoas
Que nós engendramos em nós
E de nós
Nada, nem que a gente morra
Desmente o que agora
Chega à minha voz
Nada, nem que a gente morra
Desmente o que agora
Chega à minha voz...

Não me arrependo - Caetano Veloso - Cê

6 de agosto de 2012

meu nome é AND

Para quem como eu gostaria apenas de estrangular algumas lembranças, segue dicas:




KEEP CALM and DO IT YOURSELF

KEEP CALM and KILL IT WITH FIRE

KEEP CALM and EXTERMINATE

KEEP CALM and HIDE HIM


KEEP CALM and CARRY ON

KEEP CALM and MAKE A TEA

KEEP CALM and HAVE A BEER


KEEP CALM and DON'T FORGET TO BE AWESOME

KEEP CALM and BLOG ON


KEEP CALM and PRESERVE EVIDENCE

2 de julho de 2012

meu nome é SEI LÁ

Sem sono, os pensamentos começam a inquietar, melhor levantar e escrever, por logo para fora o que incomoda. Hoje é um aperto no coração, esse bom companheiro que tem aguentado trancos diversos e resistido fielmente. Tem como amigo a garganta, danada para dar um nó nesses momentos de nostalgia. Não é bem nostalgia, a sensação é de que tirei uma casquinha da ferida cicatrizada (mais ou menos) e ardeu. Queimou por dentro. Tinha que ser assim, o guerreiro coração bate depois de baterem tanto nele. A "legião" foi a que mais batalhou nele; feridas profundas, talvez leve isso para curar em outras encarnações. Tudo cuidado na terapia, ótimo canal de desabafo. A "legião" foi tema de várias sessões. Hoje são temas de minhas orações e, não posso mentir, de algumas farpas lançadas ao vento por meus pensamentos.
O coração vai se aquietando a medida que escrevo. Ele tem memória boa, mas esquece por conveniência. Surgem logo lembranças mais ternas, daqueles que chegaram, se acomodaram com carinho, sem muito alarde, ignorando os curativos aqui e ali. Pena que não têm o poder da cura... A garganta dá sinais de que precisa de mais desabafos. A garganta deve estar ansiosa por amanhã, o tempo da esperança. Sim, essa mocinha verde consegue jogar o olhar para além e promover tempos melhores. Especialista em marketing vende bem o futuro. Esse texto será ótimo material para futuras gargalhadas.
As lembranças ruins dão lugar ao sono... Herman Hesse faria bem melhor que isso... Chamaria seus personagens absurdos e montaria uma grande platéia de loucos, lobos e santos, faria um grande teatro e a catarse seria um livro de, pelo menos, 200 páginas. Saramago faria um "ensaio sobre a ferida", provocando uma rotação contrária no movimento do mundo, para que tudo cicatrizasse até que a pele fosse tão fina que não mais existisse suor, dor e amor.
O sono e a escrita não combinam bem. Melhor dormir mesmo. Boa noite.

27 de junho de 2012

meu nome é PARIS

Quem já realizou algum sonho, sonhado com muito afinco, vai entender esse texto, que pensando bem não é um texto que possa ser meramente lido, é um texto para ser experienciado. Por isso vou descrever uma situação e preciso de concentração do leitor para compartilhar comigo o que vivi nos últimos dias. Vamos ao exercício? Primeiro espero que esteja vestido de forma confortável. Imagine que está num lugar aconchegante, sentado numa cadeira com forro de linho listrado, olhando para frente, flores frescas e coloridas compondo livremente o ambiente. Também preciso que tenha uma caneca com algo gostoso ao seu lado. Prefiro chá de limão. O cheiro no ar é bem agradável, leve, um pouco doce. Há música, essa que compartilhei aí. Se puder colocá-la enquanto lê o texto, entrará mais na viagem. O volume sempre baixo, ou em fones, aí o volume bem alto. Ao lado sempre haverá uma companhia, de um amante ou de um cachorro ou de um livro ou de alguns amigos. Você está na platéia de um café parisiense. Passa a frente uma moto vespa preta com motorista sério. Uma senhora com cabelos brancos brilhantes e um grande lenço vermelho no pescoço caminha no passeio com muita classe. Um turista chinês, aliás dez turistas chineses sorriem, meio histéricos, e tiram foto da placa do estacionamento, acelerando o passo para o próximo clic. Uma jovem, usando um vestido de "lurex" preto e azul, com meia calça de renda, uma charmosa boina e uma bolsa grande transpassada, atravessa a rua. E é dia, às oito horas da "tarde". Desfilam outros atores: um muçulmano e uma indiana; a mãe que, para não perder o filho, o mantém refém em um carrinho de bebê, mesmo que seu tamanho não mais comporte esse mimo; um padre de batina longa. Pedestres enfim passam, você olha, eles lhe olham. Você vê um grupo, turistas claro, mas não são orientais. Vestem-se com roupa mais colorida, descombinada; têm sacolas de loja de perfume e souvenir nas mãos. Alguém lhe olha. São olhos curiosos, ávidos. Está acostumado a ver e ser visto, mas esses olhos... São olhos de fome. Não fome de comida. Fome de outra coisa que ainda não sabe identificar. Os olhos estão caminhando, olham para o outro lado da pista agora - um carro de polícia passa perto; olha para cima - a rua tem mesmo prédios muito bonitos e antigos; olha para onde alcança a vista na rua em perspectiva - essa paisagem também lhe surpreende sempre. O olhar ansioso não está mais em você. Pena. Queria saber o que ficou de você nesses olhos... De repente não pensa mais nisso, apenas ouve a música, sente o odor agradável, sorve o líquido e começa a brincar também de olhar. O Sena, a Torre, a Ponte. Tudo está ali como deveria estar, para sempre.

28 de maio de 2012

meu nome é WATSON

Elementar, meu caro Watson! Existem pessoas que estão no seu caminho para construir e outras para destruir. É fato que tanto uma como outra tem sua colaboração nos diversos aprendizados que precisamos encarar para nos tornarmos mais construtores e menos destruidores, mas às vezes os destruidores enchem!
Sherlock Holmes olharia para esses sangue-sugas de felicidade com uma sobrancelha levantada, o cachimbo na mão direita e chamaria Dr. Watson para explicar tudo. Cadê Dr. Watson para me explicar? Na verdade quero que ele me convença de que é normal depreciar o outro, é normal não oferecer ajuda, é normal olhar vazio, é normal ser desleal, é normal minar alegria, é normal ser cruel nas palavras, é normal menosprezar, é normal chamar tudo isso de mundo normal:

- Elementar, minha cara Ariana, o mundo normal não tem exatamente a mesma normalidade que você acha plausível para convivência social. O homem normal está em todos os lugares normais. Nas salas, nos sofás, nos escritórios, atrás dos computadores, respondendo e-mails, nos bares, salões, linhas de produção, colégios, tribunais, bancos, igrejas, academias. Você quer forçar uma escala "santa" de normalidade. Não foi verificada evidência de que o homem/ a mulher possa, hoje, construir algo além do que a normalidade-normal. O ser-em-si não está preparado para abrir mão das convenções. O ser-em-si quer ganhar, nunca perder, e o conceito de ganhar e perder é rígido, extrapola sua normalidade santa. Você tem que aprender que Louis Vuitton faz mais sentido que Louis Pasteur. Jack Daniels é mais que Jack London. É fato, os nomes são apenas nomes, os normais apenas normais. Essa investigação nos leva a constatações óbvias: seja menos rígida, seja menos exigente, seja menos.
- ...

19 de maio de 2012

meu nome é AYRTON e SENNA

Definitivamente essa matéria publicada na Folha, mas feita para este bloguinho:

"Sim, Ayrton, acho que vou ao baile com você", respondeu Senna, sorrindo.



Pouco antes, Ayrton chegava à sala de aula com um bolo e o colocava sobre a mesa de Senna. Na cobertura feita pela mãe do estudante está o convite para a amiga ir à festa de formatura com ele.



O "Ball", baile realizado no último sábado, em São Francisco, é um dos mais tradicionais ritos de passagem da juventude nos Estados Unidos.

O peruano Ayrton e a californiana Senna ainda vão receber, dia 11, seus diplomas do curso correspondente ao segundo grau no Brasil.

Ainda em junho, ela no dia 17, e ele, no 24, completam 18 anos. Mesmo tempo decorrido da morte do tricampeão de F-1 que inspirou seus pais.

Ayrton e Senna, porém, demoraram três anos para conversar sobre a coincidência. "Quando ouvi o nome dele pela primeira vez, imediatamente associei a Ayrton Senna. Mas imaginei que ele não deveria conhecê-lo", disse Senna Helene Milstead, 17, por e-mail, à Folha.

Leia mais:

http://www1.folha.uol.com.br/esporte/1092604-ayrton-e-senna-formam-casal-e-vao-juntos-a-formatura-nos-eua.shtml

30 de abril de 2012

meu nome é SEM NOME

cuy disfarçado para não ser reconhecido pelos gaviões... pode dar certo
Tenho um acervo grande de nomes divertidos a trágicos que coleciono aqui no extremo sul da Bahia. Hoje não desejo escrever sobre nenhum deles. Quero apenas escrever sem compromisso, mas tem que ser público, nada de diários com cadeado. Se fosse católica, ia procurar um padre para confessar meus pecados e aliviar o peso dos dias. Como não tenho esse privilégio, nem minha terapeuta preferida por perto, sentencio quem lê esse blog a compartilhar minhas crises existenciais. Só que não posso sair do foco do blog, o tema aqui é nome e seus significados subjacentes, por isso costuro a triste história de "Sem Nome" com minha necessidade de fala e apresento para vocês o que poderia ser considerado uma fábula de tempos líquidos.
Era uma vez dois fofos porquinhos da índia que foram adotados por um paulista lindo e loiro segundo ele mesmo se descreve. A adoção foi motivada pela vontade de fazer parte da comunidade dos donos de pet, a qual se engajaram todos os seus amigos. Acontece que, por pura falta de habilidade com animais de estimação, ou por total irracionalidade que lhe é peculiar, o homem de bom coração resolve que os animais devem ser livres, voltar as raízes de seus ancestrais, vida selvagem, caçar para comer e cavar a procura de água. Daí solta os dois porquinhos da índia, que nasceram em cativeiro, no quintal da casa com meio metro de mato acima da cabeça de cada um. Moral da história, só deu tempo de batizar um deles de "Carniça", por que "Sem Nome" foi devorado por um gavião num voo rasante após o primeiro dia de liberdade no quadrado perigoso que pode representar um despretensioso quintal.
Posso escrever textos fantásticas com base nessa fábula real, no estilo Platão a Martha Medeiros, dando uma passadinha por Casseta e Planeta. Acreditem, sou capaz disso. É por essa razão, e tão só por ela, que as dores de cabeça me visitam constantemente. Tenho que dar vazão a inquietude de meus pensamentos e conexões mentais senão a tomografia vai começar a dar indícios de "pensamentite aguda" e lá vou eu  me aposentar pelo INSS e ficar sem dinheiro para ter segurança e liberdade, os únicos valores possíveis atualmente, e vem a tristeza, a depressão, a solidão, a internação, a morte do coração e a ressurreição... será? Muita ansiedade faz com que construa textos com muitas vírgulas, me perdoem por isso também.
Estou feliz, não reclamo de uma segunda-feira com jeito de sábado, entre um domingo e um feriado. Dou graças por isso. Há sol. Tempinho de ajeitar a casa, ouvindo meus CDs - fora de moda isso? - ler um pouco, ver um programinha na Globo que nunca vejo por causa do trabalho, fazer umas aulas extra de inglês, francês e italiano (resolvi começar meu projeto Poliglota até 2014), jogar conversa fora com os amigos etecetera e tal. Crise normal para quem sofre de pensamentite aguda. Ontem assisti o Café Filosófico, tive insônia, acordei lendo outro texto de filosofia sobre a "eugenia", claro que hoje a pauta tinha que ser o desejo de ir além de mim, ou extramundo ou inter-mundo.
Acontece que me solidarizo com "Sem Nome", metaforizo sua vida com a minha. Solto num quintal de 30m², doidinho por causa do mato grande que o impedia de ver além; sem água, num solo seco; sem comida a não ser o pé de boldo. Como a personagem de "A Paixão Segundo G.H.", me coloco no lugar dele. Menos mal ser um porquinho da índia que uma barata (leiam mais Clarice Lispector). De ontem pra hoje já me senti livre, completa, feliz, feliz demais, satisfeita, nostálgica, ansiosa, tensa, com raiva, com medo, com dor, solitária, sozinha, calma, firme, racional e reciclada. Agora vou colocar o pé no chão e sobreviver mais um dia, tipo o porquinho "Carniça", afinal há sol lá fora e um dia lindo tem que ser vivido plenamente. Por via das dúvidas hoje no máximo mexo nas plantas do jardim, nem vou olhar para o quintal.

23 de abril de 2012

meu nome é TCHARLLES

Não me perguntem por quê... Achados do FB... Minha hipótese é que facilita a pronúncia, mas para que os dois "eles"?... A criatividade do brasileiro não tem limites... Só um texto com muitas reticências para me salvar das explicações...

21 de abril de 2012

meu nome é DESPEDIDA

Olá, senhora Despedida, chegou novamente para nos visitar em Mucuri. Não posso dizer que é bem-vinda, desculpe se isso não parece educado. Sabe como é, são quarenta anos de encontros, aí a senhora leva pessoas queridas para longe e me faz chorar. Isso também não é muito educado de sua parte. É, eu sei, também segurei sua mão algumas vezes, muitas vezes por espontânea vontade. Mas isso não está sendo discutido nesse momento. Na quarta-feira está levando dois amigos-irmãos. E a gente ainda lhe dá ibope, fazemos festa. Nunca entendi isso... Não há alegria nisso... Tá bem, há desejos de sorte, felicidade, eles partem para um "novo desafio", blábláblá... Nada disso consola... Aliás, queria que a amiga Consolação chegasse antes da senhora. Ela sempre chega depois que o estrago foi feito. Lembro quantos a senhora me levou nesses últimos quatro anos, viu? Queridos para longe, para sempre. São tantos os nomes e histórias que colecionei aqui... Há um bom material para esse blog. Pra me livrar da senhora comecei a pertencer a redes sociais, sabia? Assim tenho a sensação de que não me despeço para sempre. Ilusão. Alguns não verei mais a não ser por fotos e mensagens virtuais. Esses que estão indo contigo faço questão de reencontrar, mas sempre terá a senhora entre nós. Só que vou tratar de chamar logo o senhor Até Logo para ir comigo, mesmo que isso lhe deixe um pouco zonza. A boba que escreve aqui não é assim tão boba afinal...

meu nome é INOCÊNCIA

Todas as vezes que viajo de avião lembro de uma história quando fazia primeira ou segunda série - nem sei mais que classe isso equivale hoje... Eu devia ter uns seis anos. Um coleguinha, muito empolgado, me contou sua primeira viagem de avião. Disse que abriu a janela, pegou uma nuvem e a guardou em uma caixa. Meu olho que nunca foi pequeno deve ter crescido mais ainda de encantamento, mas não quis dar o braço a torcer. Perguntei cética: cadê a nuvem, me mostra! Ele disse que não podia, pois a nuvem "choveu" e desintegrou. Eu fiz uma cara de chateada e saí pensando seriamente: por que essa nuvem tinha que chover antes de ele trazer para o colégio? Assim fico sempre na tentação de levar uma caixa na bagagem de mão para, se acontecer uma brecha, pegar uma nuvenzinha para mim e quem sabe vê-la chover em minha mão...

...no céu, por mim...

9 de abril de 2012

meu nome é ZEROBERTO

Eram cinco filhos: Umberto, Doisberto, Trêsberto, Quatroberto e Cincoberto. Qual era o nome do pai?

28 de março de 2012

meu nome é MILLÔR

*** 
Millôr nasceu Milton, o problema foi a caligrafia rebuscada do escrivão do cartório. O dito cujo desenhou tanto o nome do menino que, onde deveria estar um "ton", lia-se "lôr". No dia seguinte do registro, a família já tinha esquecido que o nome escolhido para o rebento era Milton e já o chamavam com intimidade de Millôr.
****


"Com a internet, cada um tem seu blog, e quando há um volume muito grande de gente praticando tudo se abastarda.
Quando se deliberou que não haveria mais métrica e rima na poesia, toda senhora de cinquenta anos começou a fazer poesia."


Concordo plenamente com Millôr. A internet democratizou a escrita, a expressão, de um jeito que nenhum movimento político jamais conseguiu resultado nem semelhante. Hoje a gente escreve para milhões, todas as besteiras que vêm a cabeça, com erros de concordância, de gramática mesmo, de maneira pretensiosa como se fosse obra de arte comerciável ou só de farra. A comunicação e expressão não precisa de diploma mais. Houve perdas e ganhos.
A maior das perdas de hoje foi mesmo sua partida para outras esferas. A morte de um pensador é a pior coisa que pode acontecer nesse mundo e no Brasil então nem se fala. Morre junto com Millôr ideias que alavancam o senso crítico, que incitam novos pensamentos, que concretizam revoluções mesmo interiores. Ficou a saudade da família, a reverência pública de alguns e minha nostalgia relendo suas frases desenhadas com minha letra adolescente em velhos cadernos.
Cresci sendo alimentada por pensadores, nos livros, revistas e discursos lá em casa. Na prateleira, sempre me encantou as enciclopédia e os dicionários. Encadernações pomposas onde eu podia ter acesso a todas as informações do mundo - papel da www hoje. Na mesinha de canto eram os livros, emprestados, esquecidos, lidos, relidos, ainda hoje tenho esse hábito. "Zen e a arte da manutenção de motocicletas" está lá, junto com "Senzala" que Soares me emprestou e "É sustentabilidade sustentável?" que possui uma linda dedicatória do autor para mim (sobre ele, só um outro post).
Os discursos eram políticos, basicamente de meu pai conversando com amigos ou meus tios. Sobre a alma humana quem sempre falou foi minha mãe, relatando histórias de família e do dia-a-dia. Com meus pais aprendi palavras lindas: liberdade, atitude, justiça, amor, ajuda, certeza, ética, firmeza, caráter. Me enxergo aprendendo ainda, dada a mão a minha irmã, só que agora não tem mais meu pai, a figura masculina é João Victor, meu sobrinho com seu sábio olhar dos 5 anos.
Sim, e haviam revistas, e nelas havia Millôr, Henfil, Diretas Já, movimentos sindicais no ABC paulista, a Cuba socialista, isso tudo na cabeça de uma garota de 11 ou 12 anos era demais. Definitivamente marcante. Por isso esse post é importantíssimo para mim. É um resgate da menina que aprendeu a ver a vida por meio das opiniões de pessoas como Millôr, desencarnado hoje. Podem encarar como minha homenagem ao ídolo de infância. Alguns tiveram Xuxa, eu tive Millôr Fernandes:

Millôr (1924-2012)

26 de março de 2012

meu nome é MENTIRA

Para inaugurar o novo layout do bloguinho, a peça "meu nome é mentira", de Luiz Mafuz - desde os tempos de faculdade uma referência no teatro baiano:


Coincidência ou não, seu título é igual a todos os nossos títulos, então, por isso também, merece ser conferida. Para quem está perto do teatro, o que não é meu caso... meu nome é mentira...

14 de março de 2012

meu nome é RISONILDO

Chorar de tanto rir sempre foi a coisa que mais gostei de fazer na vida, e tendo a família e os amigos que tenho, é também a mais provável acontecer. Começa tudo por uma frase ou uma diálogo truncado. Não é a toa que adoro os "kkk" e os "rs" para finalizar frases virtuais no FB ou nos e-mails particulares (claro). Imaginem eu mandando um e-mail bem formal, documentando um compromisso qualquer, escrevendo: Cordialmente...kkk... No mínimo vão desconfiar que caí desmaiada no teclado com o dedo em cima da tecla "k".
Hoje tive dois diálogos onde chorei de rir, e muito! Um deles contando para minha irmã a saga com o ortopedista; o outro foi uma conversa "inbox" a oito mãos com amigas no Facebook. Ri tanto que agora não consigo relaxar para dormir. Confere: o riso é fonte de adrenalina mesmo.
As histórias deste bloguinho, contadas com o máximo de humor possível, dificilmente arrancariam gargalhadas como as compartilhadas hoje. Não sou boa assim na redação. Agora, tem um sentimento que faz as histórias parecerem bem mais legais do que são de verdade que tem um nominho porreta: cumplicidade. Você só ri de chorar com quem lhe é querido, já percebeu? Se não, qual graça tem?
Talvez já tenhamos, eu e você leitor, cumplicidade bastante para ler alguma dessas minhas viagens e rir, mas de chorar não creio... Rir de chorar é ato de extroversão máxima; compartilhar isso com outras pessoas é ato de entrega.  Pode ser histeria também - nunca devemos descartar um provável diagnóstico psiquiátrico. Para ter certeza em que critério o curioso leitor está enquadrado, faça um teste: depois de rir muito até chorar pare de repente. Se continuar rindo, provavelmente é patológico, mas se engolir o riso e chorar sem parar é só felicidade armazenada...rs
Para homenagear nossas gargalhadas, joguei o nome Risonildo no FB, encontrei até dois parentes: além de Risonildo, Magalhães...kkkkk

10 de março de 2012

meu nome é SELMA

E o da filha é Amles. Ai, os contrários! Há mães criativas por toda parte... A minha mãe homenageou meu tio Enéias e por conseguinte minha irmãzinha é Saiene. Tem a Airam por causa da vó Maria. Tem o Oded que acho que não perceberam ser dedo ao contrário. Os contrários se combinam mesmo? Então minha próxima viagem é para Roma, quem sabe lá encontro o Amor...

8 de março de 2012

meu nome é MARIA DA PENHA


ABAIXO A OMISSÃO!

A Lei 11.340 é uma das conquistas mais emocionantes da luta da mulher brasileira por... respeito? Imagine, essa lei só foi sancionada após a tecnologia levar o homem a lua, levar a informação para todos via WWW, levar a conectividade 100% por meio dos celulares. A ciência deu saltos imensos nos últimos 50 anos antes dessa lei ser sancionada; descobriu o controle para o vírus HIV, deu esperança a pessoas com câncer, promoveu inseminação artificial e mudanças genéticas só imaginadas em livros de ficção científica. A lei foi sancionada depois da queda do muro de Berlim, da eleição de um ex-operário para presidência da república. Os avanços acontecem em todas as frentes, porém, socialmente somos tão infantes...
Ouvi hoje no jornal que agora os índices de denúncia estão aumentando, sinal de que as mulheres estão perdendo o medo. Sim, a mulher ainda vive com medo de sofrer violência doméstica dentro de sua própria casa, por companheiros encolerizados.
Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Que tal vestir sua roupa preferida, usar seus perfume preferido, sentar em seu cantinho preferido da casa e ler/ouvir/assistir algo que lhe motive a ser ativa na mudança do mundo? Minha dica: Lei Maria da Penha


3 de março de 2012

meu nome é TEMPO

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...


A novela das 6 reprisou o último capítulo hoje; rendo-me a pauta levantada por ela, o Tempo. A novelinha em horário despretensioso serviu para mim como terapia. Chegava em casa, com as situações de trabalho rodando na cabeça, sentava em frente a TV e alienava com prazer. Os diálogos foram razão principal de minha atração. Nem gosto tanto de novela, na maioria cheia de clichês e terrorismo. As pessoas más são homicidas ou loucas, as boas são cândidas e angelicais, coisa irritante para mim, sempre com o Yin Yang na cabeça. Pois bem, mesmo que ela não tenha se livrado 100% dos clichês , afinal é novela, afinal é Globo, serviu para mim como válvula de escape nesses meses que acompanhei.
Foi encantador acompanhar cada frase de D. Iná (Nicete Bruno), cada argumentação neurótica de Eva (Ana Beatriz Nogueira), cada lição do Prof. Lourenço (Leonardo Medeiros), a doce loucura de Nanda (Maria Eduarda). O enredo da novela era insignificante, só me interessava o que era dito sobre as relações humanas, suas nuances. Nem sempre assisti os capítulos desde o início, ou assisti a novela todos os dias da semana, mas quando perdia alguma parte fazia muita diferença na minha noite, não pelo fato de ter perdido parte de uma história, mas pelo fato de ter perdido a chance de refletir um pouco mais sobre o sentido do Tempo na vida da gente sob a ótica dos personagens.
Registro logo que, por puro ciúme, não gostei da versão de Maria Gadú da música "Oração ao Tempo" de Caetano. Amo a versão original e a cantada por Maria Bethânia; enfim, não deu pra me emocionar. E foi o Tempo o enredo que acompanhei na novelinha, sem pressa, o dono de minha vida, a força que reverencio e admiro observando seu efeito no desenvolvimento de meu sobrinho desde quando saiu da barriga - e eu vi isso acontecer. O Tempo que está riscando meu rosto com suas marcas foi o personagem principal no final da história, como sempre será, e por esse efeito definitivo em mim, devoto a ele meu respeito e total redenção.
Não vou conseguir reproduzir os diálogos, nunca me interessei em pegar uma caneta e escrevê-los, apesar de hoje me arrepender de não tê-lo feito. De uma passagem lembro bem, quando Nanda fala para Manu que ela sente falta do namorado que morreu prematuramente, sente vontade de "se exibir" e mostrar para ele"como cresceu", mas ele não está mais lá, culpa do Tempo. Outra passagem foi a aula de Lourenço sobre Heráclito de Éfeso, onde se lia num quadro ao fundo "panta rei" ou "tudo flui". Esse filósofo sustentava que nada podia permanecer estático, tudo é devir, todas as coisas estão sujeitas ao tempo e se transformam numa luta de forças opostas. Tempo, culpado ou inocente?
No momento da fala de Nanda, meu pai estava em minha cabeça. Como eu gostaria de me exibir para ele, mostrando que consegui coisas importantes, consegui me manter no jogo da vida até agora de cabeça erguida, mas não há Tempo... O momento da fala de Lourenço, percebi claramente como panta rei é tudo o que acredito. A mudança que quero ver no outro, torna-se guerra em mim, luto, destruo, reconstruo e sigo, há Tempo para isso... ainda....
No final foi apenas uma novela, um enredo construído, interpretações de artistas conhecidos com um forte conteúdo que poderia ter pautado muitas matérias legais. Isso não aconteceu, pena. Mais interessante para o grande público de novela parece ser a doentia relação de duas mulheres se engalfinhando na novela das 9; do marido que bate na esposa; da eterna briga de poder e sedução. Perdão, com isso não perco meu Tempo.