30 de abril de 2012

meu nome é SEM NOME

cuy disfarçado para não ser reconhecido pelos gaviões... pode dar certo
Tenho um acervo grande de nomes divertidos a trágicos que coleciono aqui no extremo sul da Bahia. Hoje não desejo escrever sobre nenhum deles. Quero apenas escrever sem compromisso, mas tem que ser público, nada de diários com cadeado. Se fosse católica, ia procurar um padre para confessar meus pecados e aliviar o peso dos dias. Como não tenho esse privilégio, nem minha terapeuta preferida por perto, sentencio quem lê esse blog a compartilhar minhas crises existenciais. Só que não posso sair do foco do blog, o tema aqui é nome e seus significados subjacentes, por isso costuro a triste história de "Sem Nome" com minha necessidade de fala e apresento para vocês o que poderia ser considerado uma fábula de tempos líquidos.
Era uma vez dois fofos porquinhos da índia que foram adotados por um paulista lindo e loiro segundo ele mesmo se descreve. A adoção foi motivada pela vontade de fazer parte da comunidade dos donos de pet, a qual se engajaram todos os seus amigos. Acontece que, por pura falta de habilidade com animais de estimação, ou por total irracionalidade que lhe é peculiar, o homem de bom coração resolve que os animais devem ser livres, voltar as raízes de seus ancestrais, vida selvagem, caçar para comer e cavar a procura de água. Daí solta os dois porquinhos da índia, que nasceram em cativeiro, no quintal da casa com meio metro de mato acima da cabeça de cada um. Moral da história, só deu tempo de batizar um deles de "Carniça", por que "Sem Nome" foi devorado por um gavião num voo rasante após o primeiro dia de liberdade no quadrado perigoso que pode representar um despretensioso quintal.
Posso escrever textos fantásticas com base nessa fábula real, no estilo Platão a Martha Medeiros, dando uma passadinha por Casseta e Planeta. Acreditem, sou capaz disso. É por essa razão, e tão só por ela, que as dores de cabeça me visitam constantemente. Tenho que dar vazão a inquietude de meus pensamentos e conexões mentais senão a tomografia vai começar a dar indícios de "pensamentite aguda" e lá vou eu  me aposentar pelo INSS e ficar sem dinheiro para ter segurança e liberdade, os únicos valores possíveis atualmente, e vem a tristeza, a depressão, a solidão, a internação, a morte do coração e a ressurreição... será? Muita ansiedade faz com que construa textos com muitas vírgulas, me perdoem por isso também.
Estou feliz, não reclamo de uma segunda-feira com jeito de sábado, entre um domingo e um feriado. Dou graças por isso. Há sol. Tempinho de ajeitar a casa, ouvindo meus CDs - fora de moda isso? - ler um pouco, ver um programinha na Globo que nunca vejo por causa do trabalho, fazer umas aulas extra de inglês, francês e italiano (resolvi começar meu projeto Poliglota até 2014), jogar conversa fora com os amigos etecetera e tal. Crise normal para quem sofre de pensamentite aguda. Ontem assisti o Café Filosófico, tive insônia, acordei lendo outro texto de filosofia sobre a "eugenia", claro que hoje a pauta tinha que ser o desejo de ir além de mim, ou extramundo ou inter-mundo.
Acontece que me solidarizo com "Sem Nome", metaforizo sua vida com a minha. Solto num quintal de 30m², doidinho por causa do mato grande que o impedia de ver além; sem água, num solo seco; sem comida a não ser o pé de boldo. Como a personagem de "A Paixão Segundo G.H.", me coloco no lugar dele. Menos mal ser um porquinho da índia que uma barata (leiam mais Clarice Lispector). De ontem pra hoje já me senti livre, completa, feliz, feliz demais, satisfeita, nostálgica, ansiosa, tensa, com raiva, com medo, com dor, solitária, sozinha, calma, firme, racional e reciclada. Agora vou colocar o pé no chão e sobreviver mais um dia, tipo o porquinho "Carniça", afinal há sol lá fora e um dia lindo tem que ser vivido plenamente. Por via das dúvidas hoje no máximo mexo nas plantas do jardim, nem vou olhar para o quintal.

23 de abril de 2012

meu nome é TCHARLLES

Não me perguntem por quê... Achados do FB... Minha hipótese é que facilita a pronúncia, mas para que os dois "eles"?... A criatividade do brasileiro não tem limites... Só um texto com muitas reticências para me salvar das explicações...

21 de abril de 2012

meu nome é DESPEDIDA

Olá, senhora Despedida, chegou novamente para nos visitar em Mucuri. Não posso dizer que é bem-vinda, desculpe se isso não parece educado. Sabe como é, são quarenta anos de encontros, aí a senhora leva pessoas queridas para longe e me faz chorar. Isso também não é muito educado de sua parte. É, eu sei, também segurei sua mão algumas vezes, muitas vezes por espontânea vontade. Mas isso não está sendo discutido nesse momento. Na quarta-feira está levando dois amigos-irmãos. E a gente ainda lhe dá ibope, fazemos festa. Nunca entendi isso... Não há alegria nisso... Tá bem, há desejos de sorte, felicidade, eles partem para um "novo desafio", blábláblá... Nada disso consola... Aliás, queria que a amiga Consolação chegasse antes da senhora. Ela sempre chega depois que o estrago foi feito. Lembro quantos a senhora me levou nesses últimos quatro anos, viu? Queridos para longe, para sempre. São tantos os nomes e histórias que colecionei aqui... Há um bom material para esse blog. Pra me livrar da senhora comecei a pertencer a redes sociais, sabia? Assim tenho a sensação de que não me despeço para sempre. Ilusão. Alguns não verei mais a não ser por fotos e mensagens virtuais. Esses que estão indo contigo faço questão de reencontrar, mas sempre terá a senhora entre nós. Só que vou tratar de chamar logo o senhor Até Logo para ir comigo, mesmo que isso lhe deixe um pouco zonza. A boba que escreve aqui não é assim tão boba afinal...

meu nome é INOCÊNCIA

Todas as vezes que viajo de avião lembro de uma história quando fazia primeira ou segunda série - nem sei mais que classe isso equivale hoje... Eu devia ter uns seis anos. Um coleguinha, muito empolgado, me contou sua primeira viagem de avião. Disse que abriu a janela, pegou uma nuvem e a guardou em uma caixa. Meu olho que nunca foi pequeno deve ter crescido mais ainda de encantamento, mas não quis dar o braço a torcer. Perguntei cética: cadê a nuvem, me mostra! Ele disse que não podia, pois a nuvem "choveu" e desintegrou. Eu fiz uma cara de chateada e saí pensando seriamente: por que essa nuvem tinha que chover antes de ele trazer para o colégio? Assim fico sempre na tentação de levar uma caixa na bagagem de mão para, se acontecer uma brecha, pegar uma nuvenzinha para mim e quem sabe vê-la chover em minha mão...

...no céu, por mim...

9 de abril de 2012

meu nome é ZEROBERTO

Eram cinco filhos: Umberto, Doisberto, Trêsberto, Quatroberto e Cincoberto. Qual era o nome do pai?