19 de dezembro de 2012

meu nome é ATÉ BREVE


Boas surpresas para 2013!

Dificilmente escreverei no bloguito antes de retomar minha rotina pós-festas de fim de ano, então já aproveito para deixar registrado meus desejos de paz e amor para 2013. No Natal, menos pisca-pisca, mais carinho com quem estiver do seu lado. Na virada, menos espumante e pernil, mais abraços sinceros. Potencialize os tradicionais ritos de passagem de ano novo! Tem tantos desejos que sete ondas são pouco? Pule sete tsunamis! Vestir branco apenas não vai lhe satisfazer? Vista-se de arco-íris, sandália azul, saia verde, blusa lilás, calcinha e sutiã dourados com bolinha rosa, unhas vermelhas e uma flor branca no cabelo. Comer só o que cisca pra trás dá azar? Coma o que corre, menos coelho. Tudo pode ser visto de um outro ponto de vista, é nisso que acredito.

Novos arranjos mentais em 2013 e vida nova para todos nós!

9 de dezembro de 2012

meu nome é MELANCOSONGS


Hoje não tenho vontade de escrever, estou melancólica com tantas despedidas. Hoje despedi-me de mais uma amiga querida. Isso dói. Tento me convencer de que, com tantos apetrechos virtuais, a saudade ficou mais fácil de ser administrada. Só não inventaram cheiro, nem toque, nem olho no olho. Então me reservo o direito de sentir saudade, daquelas apertadas, chorar, dormir toda a tarde de domingo, sacudir a poeira que a semana chegou para me distrair com o trabalho que resgata.
O Natal sempre me deixa tristonha. Um dia, quem sabe, olho para as luzes de Natal e fico menos nostálgica.  Minha decoração de Natal nunca tem pisca-pisca. Enfeito a casa com laços, presépios árvores, menos pisca-pisca. Sinceramente teria que voltar para a terapia para saber o que dá em mim quando vejo as luzinhas coloridas, alternando o claro e o escuro. Freud explica com certeza.
Já que não tenho vontade de escrever, vou resumir numa lista. Listas são mais palatáveis que longos textos. Mas lista sobre o quê? Já sei: as músicas que escuto quando a melancolia me visita. Música é um resgate na vida da gente. Na ordem da lembrança, não da preferência, lá vai:
1. Haja o que houver (Madredeus)
2. Lamento sertanejo (Gilberto Gil)
3. Espere por mim morena (Gonzaguinha)
4. Aquela coisa toda (Oswaldo Montenegro)
5. O Vento (Los Hermanos)
6. Forza della vita (Renato Russo)
7. Balada de Agosto (Zeca Baleiro e Fagner)
8. Pedra de rio (Ney Matogrosso)

E pra espantar, Beija flor (Timbalada)!

Escutei todas e vou dormir certa de que sobrevivo e vou reencontrando todos pela vida ou depois dela. Afinal a melancolia é doce.

2 de dezembro de 2012

meu nome é SALAMANDRA

... pense bem antes de fazer...
Eles entraram no quarto, um pouco constrangidos pela intimidade repentina, com desejo sim, mas em cada mundo particular uma interrogação para o que estava para acontecer. Ela começou examinando o quarto, ele a colocar o celular no mudo. Algum dos dois puxou uma conversa boba, falando do tempo, do trânsito, nada que comprometesse raciocínio ou ligação com a realidade. Deixaram para fora da porta, cada um, sua vida de compromissos. A decisão de esticarem o almoço foi conjunta, simples, direta. "Vamos passar a tarde juntos?". "Vamos". Há coisas que podem ser simples num mundo complicado. Enquanto ela pensava nos lençóis, ele tirava a camisa. Pediu para usar o banheiro primeiro. "Claro, pode ir..." Ela estava um pouco desconfortável com a ideia de, depois de anos, voltar a encontrar aquele velho-amor, mudado sim, em quase tudo muito mudado. Parecia mais calculista que antes. Cientista mesmo. Concreto. O que fazer se não experimentar o novo momento? A pergunta não saia de sua cabeça. Ele sai do banheiro, tomou banho, tinha cheiro de sabonete. Era a vez dela pedir que esperasse um pouco. Quando saiu, enrolada numa toalha com inscrição do "Royal Motel", ele estava na cama, aguardando. Ela vira de costas e tira a toalha. "Ahhhh!!" - ele grita. "O que houve?" Ela puxa a toalha, cobrindo-se nervosamente. "O-que-é-isso?"... "O quê??"... "Isso-aí??"... Aponta para atrás dela. "Como assim? Minha tatuagem!"... "Você-tatuou-isso-quando??"... "Ora, sei lá! Depois que a gente ficou pela última vez."... "Foi de propósito? Você sabe que odeio lagartixas!"... "É só o que faltava! Não é uma lagartixa, é uma salamandra!"... "Seja lá o que for, odeio!"... "E você acha que tatuei isso pra lhe assustar?"... "Se não foi, por quê?"... "Seu egocêntrico! Meu mundo não gira entorno de você!"... Entra no banheiro, batendo a porta. Respira, respira, concentra no que fazer. Sai vestida, atravessa o quarto sem olhar para o homem que um dia amou, o mesmo de sempre, com medo de lagartixa. "Vou esperar no carro. Desça logo, não vim até aqui discutir sobre seus medos idiotas." Saem mudos, 15 minutos depois, ele a deixa num ponto de táxi, ela não pretende vê-lo jamais. Ele volta para o trabalho, suando. Ela vai ao shopping, andando depressa. Toda a rotina re-estabelecida. Cada um com seu caos interior. Ele se pergunta por quê. Ela se pergunta por quê. Nenhum tem a resposta. Tudo normal no reino ruído dos desejos frustrados, das lagartixas disfarçadas em salamandras.