24 de janeiro de 2013

meu nome é DEVANEIO



não, eu não sofro além do necessário

Falta de assunto é doença grave? Estou absolutamente sem assunto. Falando muito, pensando pouco, procurando soluções, isso tudo cansa.

Melhor contar uma história.

Esses dias, conversando com um grupo de amigos no WhatsApp - nova mania de comunicação do mundo virtual - passei meu atestado de vida sem glamour. Enquanto as amigas mostravam unhas  pintadas de cores com nomes atrevidos, os amigos mostravam saídas nas baladas, músculos e copos. Eu, por minha vez, mostrei meu chuveiro, um alfinete e o trabalhão que daria desentupir buraquinho a buraquinho daquele aparelho.

Depois disso, leio um texto do Carpinejar dizendo que "homem ainda tem medo da mulher com autonomia". Lástima! Para mim autonomia sempre foi a melhor coisa que a mulher conquistou; só não associei ao fato de que, por causa disso, ficarei gata borralheira para sempre! Ou até encontrar algum príncipe corajoso. Será?

Um príncipe pode ter me visitado esses dias: a casa tá cheia de rãs e sapinhos em geral. Não beijei nenhum. Segundo o sábio Carpinejar, homem tem medo também  da "mulher que faz piadas, e não somente ri das piadas dele". Pronto aí me enforquei totalmente! Reparando bem, até o sapo parecia que estava com medo de mim: sabia que faria uma piada daquela situação.

Para piorar o cenário que o texto traça, abordando o medo dos homens, e que me deu pavor de ler, homem tem medo de "mulher exigente, que não aceitará cantada com erro de português". Danou-se! Melhor procurar um gringo, desses que a gente perdoa os "poblemas" com a língua portuguesa, não vai entender que estou contando piada, já está acostumado à autonomia feminina, e até gosta.

Vale a pena ler algo muito mais divertido do que minha falta de assunto:

MULHER SEM VÍRGULA - Fabrício Carpinejar


Tenho amigas lindas, inteligentes, divertidas e independentes sem namorado. E sabe por que elas estão sem namorado?
Porque são lindas, inteligentes, divertidas e independentes.
O homem ainda tem medo da mulher com autonomia. Da mulher que não dependa dele financeiramente.
Da mulher que faz piada, e não somente ri das piadas dele.
Da mulher que fala abertamente de sexo.
Da mulher que precisa de sexo e gosta de sexo.
Da mulher que se veste bem e tem ideologia.
Da mulher exigente, que não aceitará cantada com erros de português.
Da mulher educada, que não leva desaforo para casa.
Da mulher resolvida, mãe, viajada, informada, leal aos amigos.
Homem tem medo de alguém que vai desafiá-lo socialmente, intelectualmente, profissionalmente.
Tem medo de perder na conversa (mas amor é perder mesmo, de qualquer jeito).
Homem tem medo de mulher com opinião, que discorde dele na frente dos amigos, na frente da família.
Homem tem medo de ser passado para trás e daí não anda para frente.
Homem ainda deseja Amélia, a figura submissa, obediente, que se esconde no romantismo e dentro de um casamento.
Até quando?

10 de janeiro de 2013

meu nome é CONTARDO CALLIGARIS


Então, é esse! - In: Revista Trip
Queria escrever sobre minhas férias, meus amigos que tanto amo, minha família maravilhosa e divertida, só que meu eu-romântico pede para responder à pergunta de Contardo Calligaris no texto publicado na Folha hoje, “Então, é isso?”

Digo sim, é isso, meu caro italiano, psicanalista, doutor em psicologia clínica e escritor. O mundo não muda muito dos sete aos 56 anos, pelo menos o mundo óbvio. Falo após 41 anos de reflexões diárias sobre a vida e nossas buscas.

A nossa expectativa é que as mudanças do outro, e mesmo nossas, sejam visíveis: esse é o conceito do ter, não do ser. No seu texto, o tempo é visto pela lente de um cineasta que entrevista crianças de sete anos e, a cada sete anos repete-se o encontro com a câmera. Isso vai mostrar a passagem física, as conquistas materiais das pessoas, opiniões talvez. O íntimo, como? O íntimo é meu, é seu, lido aqui e ali por pessoas sensíveis, treinadas, mas nunca tocado. Ele arde.

No cinema nunca espero ver além de cenas quadro a quadro - não esqueça nunca que para o cinema há edição. O que ele suscita está além do que é visível. Entrevista, olhar do diretor, interpretação dos atores, tantos filtros. O cinema é como a fé: escuridão e luz.

Imaginei sua cara de intelectual frustrado com a fatalíssima finitude dos acontecimentos da vida. “Então, é isso?” foi a melhor questão que podia sair de sua cabeça reflexiva, treinada, conhecedora de teorias, acadêmica, teórica, preparada para dar respostas? Que lindo! Mesmo assim, depois de tanto caminhar, você ainda faz perguntas maravilhosas, parabéns!

É isso, homem do nome estranho, até o momento é só e tudo isso o que pude constatar. Ao mesmo tempo, pergunto quantos milagres não aconteceram em nossas vidas nesse mundo de meu Deus? Quantas escolhas, oportunidades, conveniências? Quantas estratégias formuladas para sobreviver? Quantas conquistas e quantas perdas? Quando “orgulho e preconceito”? E sim, é isso, e é muito.

Para mim, nem foi o filme que lhe emocionou tanto, foi a “blue note”. Como o cinema, a música é fagulha em capim da alma. Se você tivesse assistido a esse filme na terra que moro, sairia do cinema, ouviria a Timbalada tocando, e sua pergunta poderia ser outra: ó paí ó?