29 de agosto de 2013

meu nome é MOÇA

Eu acredito! Fonte: paraquedismoskycompany

Ei, moça, por onde anda aquele seu sonho? Aquele de mudar o mundo, pular de paraquedas, desenhar um coração na parede? Moça, por onde anda aquela vontade de ter uma mochila rosa, um sapato azul, uma calça sem bainha? Por onde anda mesmo o desejo de morar num jardim, de viajar de trem, de perder o fôlego? Ei, moça, onde você se perdeu? Naquela curva fechada, no fim da ladeira, no beco escuro? Foi nessa rua sem saída aí que tem nome estranho, cul-de-sac, quase palavrão, só pra falar bonito, só pra parecer que sabe onde acaba um caminho? Ei, moça, e as chances que perdeu, hein? E aquelas que aproveitou e se arrependeu? Por onde anda o brilho nos olhos, o pé doído de dançar, a respiração ofegante, o peito movido de coração acelerado? Moça, você deixou morrer seu sonho? Pergunto se não regou, se não acolheu, se não acreditou. Foi isso, moça, isso que aconteceu? Lembra que sonho é bicho sinistro, não morre, fica escondido, só sacudir a toalha e olha ele saltando pra fora, de trás do baú da memória, com o paraquedas nas costas, pronto pra o salto. Ei, moça, acredita que ele volta. Acredita nele, moça, que ele acredita em você.

24 de agosto de 2013

meu nome é CONSELHO



Inaugurando um novo marcador de texto (#dissetudo), com música "Conselho", composição inspirada de Almir Guineto, interpretada no vídeo pela Orquestra Imperial:

Deixe de lado esse baixo astral,
Erga a cabeça enfrente o mal,
Que agindo assim será vital
Para o seu coração.
É que em cada experiência
Se aprende uma lição.
Eu já sofri por amar assim,
Me dediquei, mas foi tudo em vão.
Pra que se lamentar
Se em sua vida pode encontrar
Quem te ame com toda força e ardor?
Assim sucumbirá a dor (tem que lutar).
Tem que lutar, não se abater
E só se entregar a quem te merecer.
Não estou dando nem vendendo,
Como o ditado diz.
O meu conselho é pra te ver feliz.

11 de agosto de 2013

meu nome é MOVIMENTO

Movimento Parado - Velox
Paralisia Movimentada - As Sessões

Quero contar uma história que começou em 1995 na primeira vez que ouvi falar da Cia de Balé Débora Colker e de seu inusitado espetáculo Velox. Para a época, era surreal ver bailarinos pendurados na parede enquanto se apresentavam. Comprei os ingressos como se estivesse indo para um ritual. Ingressos caros para mim na época, mas não me importei de cortar algumas coisas para entrar no êxtase da arte por uma hora. Resultado, esquecemos o convite em casa e perdi a vez.
Ontem realizei o sonho de ver a montagem do mesmo espetáculo aqui em Salvador. Guardei os convites como se guarda algo sagrado. Fui sozinha, saí mais de uma hora antes de casa para não dar brecha para o destino me frustrar novamente. Resultado, me senti remexida por dentro a cada movimento. Entre encantada e libertada, viajei na força daquelas pessoas, no equilíbrio, na transformação de gente de carne e osso em seres articulados. Mesmo Nó e Casa, espetáculos lindos, nenhum tem a força da bola vermelha de Velox.
Mas ainda não é tudo o que quero dizer. Se ontem experimentei tantas emoções pela arte da dança no teatro, hoje fui sacodida pelo cinema. O filme chama-se "As Sessões". Resumindo, um homem com músculos que não suportam o peso de seu corpo, mas com uma cabeça cheia de ideias e poesia, descobre o sexo com uma terapeuta que trabalha com consciência corporal. É um filme que vale a pena. Para mim ficou a busca pela interseção dos bailarinos - loucos, pongados naquela parede com uma bola de fogo desenhada, um cenário nipônico, forte, viril, intenso - com o homem que era emoção também, forte, viril, intenso, mas sem a possibilidade de expandir sua alma além da palavra. Ah, a palavra! Quanto resgate que ela produz! O movimento falado, o movimento mudo. Tudo misturado em minha cabeça.
Mas ainda tenho mais o que dizer. Quero falar sobre o incômodo de minha cidade estar tão mal cuidada; do medo de ser assaltada entre o lugar que estaciono o carro até chegar ao teatro; da mulher que dá as costas deixando a torneira aberta no banheiro feminino e quando a gente vai fechar olha com aquela cara de ovo pochê; das pessoas que acham que ir ao teatro é privilégio e não direito; dos estereótipos comportamentais que se destacam na multidão e meus olhos captam com facilidade, por mais que tente desviar.
Mas ainda não é tudo o que quero dizer. Um dia consigo organizar todo esse fluxo de pensamentos que brotam a cada estímulo. Por enquanto só quero deixar fluir, sem compromisso. Como nos sonhos. Sem consciência, sem perdão.

8 de agosto de 2013

*JV e a negociação

Negociar com um homem de sete anos é um perigo. Meu sobrinho conseguiu que eu, com mais de vinte anos trabalhando com gente grande, cedesse aos seus argumentos de um metro e dez de altura. Carente de sobrinho por perto, sempre quero ligar, falar que amo, perguntar sobre sua vida e ele nunca me dá muita bola. Tudo o que quero é ouvir sua vozinha, então criei uma estratégia infalível: negociar - ele ama isso.
A proposta inicial era conversarmos por telefone (já que o sujeito mora em São Paulo e eu na Bahia) uma vez na semana por tempo indeterminado. Ele queria uma vez no mês, mas convenci de que desse jeito ele nem saberia quem era a própria dinda se passasse por ela na rua - ficou meio apavorado, imagino, e teve pena de mim. Aceitou falar no último dia da semana, sendo que este sábado não pois meu crédito foi antecipado para hoje. Quanto ao tempo, só cedeu 3 minutos de sua preciosa atenção para eu matar saudades e dizer que o amo muito, muito, muito etc.
Segundo ele, se precisar comer banana para ser jogador de futebol, vai abrir mão desse sonho e virar engenheiro mesmo, pois prefere matemática do que comer a pobre da fruta. Mas, depois da conversa de hoje, acho que será advogado, Trabalhista!

4 de agosto de 2013

meu nome é IMAGINAÇÃO

 
Liniers já disse tudo o que gostaria. Gosto desse cara.