29 de janeiro de 2014

meu nome é ENTRE


"Não te dizer o que eu penso, já é pensar em dizer..." Fonte: Google salva-vidas

Entre domingo e hoje meu nome foi...

DINDA
FILHA
MANZI
GAROTA DOURADA
JANDIRA
LICA
PRIMA
AMIGA
ARIANA

FELICIDADE
RISO SOLTO
GARGALHADA

ANGÚSTIA
TRISTEZA
CANSAÇO

VALENTIA
IRRITAÇÃO
FÚRIA

FRIO
CALOR CALOR CALOR

SAUDADE 

São tantas pessoas em mim que ando com dor nas costas...

25 de janeiro de 2014

meu nome é ILUSÃO

Foi entre os seis e sete anos. No play do prédio tinham umas festinhas com globo de luz, som alto e muito guaraná. Descíamos umas cinco horas da tarde - creio que, naquela época, era esse o horário das crianças - e ficávamos até umas oito. Meu coraçãozinho disparava quando ele aparecia. O menino com cabelo igual ao do Príncipe das Águas Claras.
Naquela noite, eu bebi o refrigerante de um gole para refrescar a garganta seca de nervoso provocado pelo surto do amor; procurei a amiguinha cúmplice e fomos para o canto observar o movimento da turma dos meninos. Ele se destacava com sua camisa com a estampa do Batman. Era perfeito como corria atrás dos amigos, provando sua habilidade nos dribles. Eles se batiam, riam alto, se enforcavam. Achava aquilo um belo símbolo de força para um menino de sete anos. Além de lindo era forte! O jeito era beber mais guaraná. Quando ele ia me notar, afinal? O que eu precisava fazer? A vida é mesmo dura para as mulheres, pensava.
Na terceira ida para a cantina da festinha, senti um vulto passar com a velocidade da luz e parar com o som do trovão na minha frente. Era ele! Minhas pernas bambolearam. Oi, ele disse. O-oi, disse eu. Vamos dançar, ele me puxou. Foi minha primeira experiência, nunca esqueci como se dança depois daquele entardecer com o Príncipe das Águas Claras. Homem de atitude.
Foram os minutos mais maravilhosos dos meus sete anos. Não lembro de outros, a não ser o passeio no Jardim Zoológico. A gente ficou calado; não havia palavra que desse conta de minha emoção, mesmo que todas estivessem explodindo em minha cabeça. Cadê minha amiguinha? Olhei aflita para minha cúmplice. Sua boca estava tão aberta que achei que babava. Também tive medo de babar de nervoso. Mas deu tudo certo. Não me lembro da música, nem como terminou a noite. Acho às vezes que dali eu pulei para o Zoológico numa máquina do tempo.
O que me fez lembrar de tudo isso? Essa doce música de Marisa Monte e o que ela me provocou. Será que espero até hoje o menino com cabelo do Príncipe das Águas Claras ou sua atitude? Por que eu o deixei? Ilusão, por que a deixei?


Uma vez eu tive uma ilusão
E não soube o que fazer
Não soube o que fazer
Com ela
Não soube o que fazer
E ela se foi
Porque eu a deixei
Por que eu a deixei?
Não sei
Eu só sei que ela se foi
Mi corazón desde entonces
La llora diario
No portão
Por ella
No supe que hacer
Y se me fue
Porque la dejé
¿Por que la dejé?
No sé
Sólo sé que se me fue
Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque não me deixei tentar
Vivê-la feliz
É a ilusão de que volte
O que me faça feliz
Faça viver
Por ella no supe que hacer
Y se me fue
Porque la dejé
¿Por que la dejé?
No sé
Sólo sé que se me fue
Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque não me deixei tentar
Vivê-la feliz
Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque no me dejo
Tratar de hacerla feliz
Porque la dejé
¿Por que la dejé?
No sé
Sólo sé que se me fue

23 de janeiro de 2014

meu nome é LIVRO

Um dia eu chego. Fonte: Google Imagens

Estou tentando escrever um livro. Esta deve ser a aventura mais difícil que me meti nos últimos tempos. Tudo acontece de modo estranho. Para terem uma ideia, não escrevi uma lauda sequer. Ele está se passando em minha cabeça durante os longos percursos no trânsito. Outro ponto que não sei bem se está certo é que insisto em incluir nele explicações do processo criativo e isso parece que não vai ser bom para quem lê.
Por exemplo, no meio de uma frase passa uma ambulância do meu lado, fazendo aquele barulho estridente que quero descrever como parte da trilha sonora. Ou se encontro com pessoas conhecidas na faixa ao lado da minha em meio a um trânsito infernal, quero incluí-lo com entusiasmo no meio do livro imaginário.
As estranhesas vêm de diversos pontos. Sabem que toda boa biografia sempre começará pelo motivo de escolha do nome do personagem. Todos os livros têm explicação sobre o nome de algum personagem, a não ser que os personagens não tenham nome. Meus personagens não têm nome, isso me parece um absurdo completo. Tenho um blog que fala sobre a importância do nome, que defende a hipótese de que um nome encerra em si uma ideia, um sentido para o ser - um ser sem nome é um ser sem sentido. Mesmo assim não consegui parir essa ideia. Todos os personagens chamam-se "...". Desconfio que há algo errado nesse ponto.
Esse processo de construção pelo menos tem cheiro. Cheiro do ar condicionado do meu carro. Lembro que quando li "O Perfume" fiquei impressionada com a carência do personagem para ter um lugar no mundo e isso dependia dele ter um "cheiro". Sua obssessão foi crescendo pela necessidade de ser percebido, sentido, amado, motivando a busca pelo cheiro. O cheiro que ele não tinha: era um homem sem cheiro, portanto, sem lugar no mundo; consequentemente, sem amor. O que ele queria era ser amado e buscou sem limites o cheiro do amor. Alivia pensar que não estou criando um livro psicopata.
Mas não me livro das doenças mentais. Penso que todo o processo criativo é  bipolar no início. Sinto ele órfão, carente, patinho feio às vezes. Outras vezes toma a dimensão de um clássico e imortal Machado de Assis. O fato é que vai ter que virar palavra escrita, sair de minha cabeça, ser entregue às feras críticas. Em ânsias, continuo no ritmo. Já estou no capítulo 3.

2 de janeiro de 2014

meu nome é DOIS-MIL-E-CATORZE

 
A lista de meus desejos fica num lugar estratégico. Fonte: Google
 

Desejo neste novo ano bolas de sabão voando pelo céu azul
EU QUERO voar, sentindo o ar alto no rosto desprotegido

Desejo água clara lavando os pés
EU QUERO nadar para respirar melhor, para me erguer melhor

Desejo fogo nos olhos quando vir o desejo de perto
EU QUERO chegar mais perto do fogo e aquecer o coração

Desejo pegar na terra molhada
EU QUERO plantar sementes e ver brotar uma árvore que um dia será imensa

Desejo sentir o cheiro do mato verde, do cabelo lavado, do acarajé fritando, da brisa do mar
EU QUERO inspirar e expirar