25 de maio de 2014

meu nome é EDADUAS

Dele assim deu saudade... Fonte: Google salvador da pátria

Senti a maior saudade de mim esses dias. Primeiro no show retrô do Léo Jaime que cantou minha adolescência. Vesti preto e coloquei um moleton do Brasil, estilo rebelde aos 15 anos. Era mais ou menos isso o que era, uma rebelde totalmente sem causa. Lá em casa os pais falaram um dia que confiavam em mim. Incorporei e danou-se. Não consegui quebrar o casulo todo. Acho que fiquei cotó de uma asa. Era uma adolescente que queria ser rebelde, mas não era. Só meu cabelo se encarregou desse papel; alías, até hoje.
O outro estopim da saudade foi um grupo criado com a turma da faculdade. Tive crises de riso de doer a barriga das lembranças e atualizações da turma. Este ano faremos 20 anos de formados. Foi um tempo daqueles. Muito sacrificante também. Comecei logo a estagiar. Dinheiro curto. Tudo parecia bem pesado para conciliar. Estágio, engolir algo, faculdade, casa, estudar, tudo de novo. E o cabelo, aff!
E a saudade de mim... Sinto falta de, de... Hum, deixe-me ver... Hum... Não estou certa, talvez, hum... Pensando bem, estou melhor hoje do que ontem. Estarei melhor amanhã do que hoje. Saudade é palavra de responsabilidade, significa falta, vontade de resgatar. Isso eu não sinto por mim. Já fui. Agora sou. Melhor ficar atenta ao espelho...

20 de maio de 2014

meu nome é G.H.

Cortina voando esconde o quê? Por trás dá pra ver a luz da rua. O vento sopra fino. Nada está como antes. Música em Mi sai da caixa de canto. Perto tem uma estante. Sabedoria de livro é cheirar a poeira. Espirro, fecho. Esse não dá. A planta precisa de água e poda. Sofá macio, melhor nem olhar. O chão merece mais cuidados da vassoura. Ouvi dizer que muito aparelho junto na mesma tomada não é bom. A TV que aguente. Qual é mesmo aquele canal que gosto? Cortina voa mais alto. Fecho a comunicação com o lado de fora. Banco no meio da sala não devia. Hum, qual é mesmo o livro? Talvez seja o que emprestei. Aquele sobre Paris. Sinal da cruz pela visão da Aparecida. Música agora é outra, som de fonética. Poeira não é coisa de Deus. Pode ser esse. Clarice sempre para espantar pensamento pequeno. Almofadas, mais uma sustentando meu pescoço. Meu dedo opositor direito dói. Sono rima com ansiedade. Mais um espirro. Preciso ver essa rinite. Página 87 e leio o que preciso escrever aqui:
Estava sentada, quieta, suando, exatamente como agora - e vejo que há alguma coisa mais séria e mais fatal e mais núcleo do que tudo o que eu costumava chamar por nomes. Eu, que chamava de amor a minha esperança de amor.

11 de maio de 2014

meu nome é MAINHA

Nossa mainha e eu, apertando o olho para agradar.
Era uma vez uma linda princesa que morava num lindo castelo, sonhando com o príncipe encantado que apareceria para levá-la num cavalo branco para morar em terras além mar; assim seriam felizes para sempre, com seus lindos filhinhos.
Na vida real aconteceu assim: minha mãe conheceu meu pai e seis meses depois estavam casados. Ele a levou do interior da Bahia num jipe desconfortável para morar em Salvador; ela logo engravidou de mim. Seis anos depois teve minha irmã.
Isso não é lá um conto de fadas, mas não foi assim também que ela nos contou essa história.
Minha mãe sempre preencheu nossa vida com fantasia, contando histórias com detalhes e efeitos sonoros que fazia com que a gente achasse que tinha vivido aquele momento também. Por exemplo, até hoje eu imagino meu pai chegando na cidade, todo bonitão só que de gesso no pé, vendo minha mãe na festa da cidade e apaixonando-se imediatamente. Como chamar a guria para dançar com pé imobilizado? Esse era o modo de paquerar da época. Decidido foi para casa, quebrou o gesso, calçou o sapato lustroso, conquistou a bela moça de longos cabelos e mini-saia, e sofreu no dia seguinte com o pé pra cima super inchado.
Vou pular a história do jipe para contar que quando eu nasci de parto normal, o trauma maior de sua vida e talvez da minha também, o médico me levantou e me mostrou para ela. A descrição de minha mãe sobre sua primeira impressão foi: que menina feia do olhão! Imagina como é ter mãe sincera. Nunca sofri bullying por que já nasci ouvindo isso. Depois ela disse que de roupa fiquei bonitinha.
Essa é minha mãe, um pedacinho mínimo da história que nos une, minha grande companheira de jornada. Minha irmã e eu tivemos a honra de tê-la como presente nesta vida. João Victor tem a felicidade de tê-la como vovó. Esse é o núcleo que agrega quem conhecemos ao longo da vida, a família de laços fraternos, os tantos que se aproximam percebendo o quanto o amor está presente entre nós.
Por isso, quem sabe, talvez, seja até verdade... Era uma vez uma linda princesa...


10 de maio de 2014

meu nome é DO CONTRA

Antes que a foice de Dona Morte venha atacar novamente quero manifestar aqui minha concordância com Veríssimo a opinião sobre ela: "sou contra". Essa semana foi Jair Rodrigues, mês passado Gabriel García Marquez e José Wilker.Não aguento mais ver velório. É muito triste! Lembro do de meu pai. Saí enquanto os que nem conheciam ele direito ficaram chorando em cima do corpo. Uma espécie de etiqueta da velação do corpo presente. Fiquei olhando para o céu, para as árvores próximas, para a terra seca. Em que matéria meu pai poderia estar se transmutando? O que ele queria que eu estivesse fazendo por ele já que igreja e oração nunca foi seu forte? Talvez continuar respirando fosse uma boa; era o mais difícil naquele momento.
Os velórios são muito difíceis. Minha tia um dia escolheu o vestido (aparentemente) mais discreto para ir para um. Cinza, meio da perna. Só não reparou na enorme caveira nas costas. Contei isso aqui? Depois disso eu dou risada em todo velório. Lembro dela e de nossa vontade de adequação a um lugar onde não tem jeito de estar adequado, pelo simples fato de estarmos vivos e ali estar um humano, sua individualidade, sua história, sua autoconsciência, inertes na morte da matéria.
Sim, acredito na morte da matéria. Não acredito na morte do espírito. Por mais que estude, que vivencie, admito que há algo além. O problema é que a comunicação é rudimentar ainda. Isso me incomoda. Sou contra a morte como Veríssimo por que ela ainda leva para sempre quem nos pertenceu por toda uma vida! Imagine nunca mais ouvir a risada de Jair Rodrigues? Cruel. No caso de Gabo sempre há a psicografia, mas sempre tem um ar evangelizador que faz a gente desconfiar que morreu e virou anjo.
No caso de meu pai nunca busquei encontrá-lo nos médiuns. Acharia estranhíssimo ver meu pai com aquela voz grossa incorporado numa médium frágil, tentando falar comigo com voz de alma. Em mensagem psicografada, nem pensar. Já era difícil entender sua letra vivo, imagine desencarnado.
Se Deus me permite um manifesto, sou a favor da inovação nos meios de comunicação entre vivos e mortos antes que a saudade leve a gente para a desesperança. Sua requisição para ampliar a orda de boas almas está grande este ano, deixando a gente com um vazio grande. Tá indo gente querida e admirada de todo lado. Deixa uns mais um pouquinho, por favor. O trabalho aqui está muito duro, tem gente matando gente por fofoca, pai matando filho. E o significado de amor nem se descute mais, é só um hashtag nas redes sociais.
A morte de quem tem o que levar de bom para o mundo? Sou contra.

5 de maio de 2014

meu nome é AMIZADE

Separados somos fracos, juntos somos Um! Fonte: Google - Mandala da Tarde
E com a companhia de meus amigos mucurienses, o tempo se estende. São horas de agradável encontro com a essência da amizade, do respeito, da confiança, do aconchego. É tão simples estar com eles que é difícil de explicar.
Li um dia que “definir é limitar”. Então resisto a definir amizade, mas gostaria de traçar um perfil do que entendo por isso, ou melhor, uma rota dos caminhos que esse sentimento percorre para chegar a um lugar especial na gente e permanecer ali, independente do tempo e espaço.
O ponto de partida sou eu. Tudo depende de como olho para o outro. Observo muito, por isso raramente me decepciono. Reconhecendo minhas imperfeições, a aproximação passa por muitos filtros, especialmente com relação aos valores. Vou mansinha. Primeiro uso meu instinto, depois escuto minha intuição. O resto é adequação de quanto quero avançar naquele caminho.
Parece uma rotina, mas não tem nada disso. O tempo que percorro esse caminho é livre como o vento. Pode ser uma amizade instantânea, uma suave. Aquela que começa na guerra e institui com laços fortes. A que começa torta e lhe salva a vida um dia.
Reúno todas elas em mim. As de Mucuri são especiais, essencialmente por que aconteceram numa intensidade que desconhecia. Em uma imagem, penso numa mandala. Visto por parte, somos pedaços pintados na tela do mundo, cada um com sua individualidade, seus pequenos e grandes problemas, manias diversas, sotaques variados - o mapa do Brasil é todo marcado pelos cantos que cada um anda. Só que juntos seja presente ou à distância, nos transformamos num círculo harmônico. Cores certas nos lugares certos. Viramos um lindo jardim.
O jardim está em festa! Conseguimos integrar presencialmente parte desse grupo num feriado. As lembranças transitam juntamente com o presente e os desejos de futuro. Nunca houve separação, agrega-se com facilidade quem quiser dividir a celebração. É uma experiência de respeito acima de tudo. Ter esses amigos: um privilégio que agradeço a Deus todos os dias.