28 de setembro de 2014

meu nome é MOCHILEIRA


Setembro indo embora, inferno astral chegando, e eu com a bagagem cheia de uma das coisas mais preciosa que a vida me deu: meus amigos. Espalhados pelo mundo, tenho muitos, queridos, guardados preciosamente no lugar mais especial das lembranças. São eles que guardam minhas memórias, minhas experiências que me fizeram ser o que sou. Companheiros de tantos momentos, sem laços de sangue, encontrados na vida, sem que a gente lembre ao certo em que momento foi, mas é certo que foi no momento certo.
Neste setembro tive encontros muito especiais. De pessoas que guardam pontas de minha história que necessito lembrar às vezes para segurar a onda da realidade. Essa gente que é o conteúdo daquela mochila apoiada nas costas, que levo para onde for, mesmo atravessando abismos. Meu alimento, meu pé no chão e cabeça nas estrelas.
Tem gente que conheci no meio do carnaval, pois existe sim chance de almas afins se aproximarem em meio a dois milhões de foliões numa avenida de Salvador. Tem gente que se aproximou numa sala de aula lotada de interesses e diversidade. Tem gente que chegou por meio do trabalho, numa empresa de muitos empregados. Tem gente que chegou manso. Tem gente impositiva. Todos queridos.
Hoje, especialmente, revi grandes amigas. Elas fecham setembro dos reencontros. Nos conhecemos quando eu tinha 17 anos. Uma outra vida, praticamente. Guardamos características daquele tempo, mas não somos iguais. O melhor de tudo é perceber que o que foi construído naquele tempo não acaba. Essas são minhas raízes, nada mais. Não é um lugar, não é uma idade, é um estado de espírito. A base de tudo é intangível e chama pelo nome de amizade.

23 de setembro de 2014

meu nome é ELEIÇÕES 2014

 
Cansativo esse período eleitoral. A propaganda política parece conversa de comadre. Fofoca, denúncias, falácia. Queria assistir campanhas em outros países para ver se é diferente ou se é uma doença generalizada. A seriedade já foi pelo ralo. Na TV é uma lástima, no meio das avenidas, aqueles infames cartazes que o vento leva para o meio da rua e atrapalha o trânsito (mais ainda).
Vamos pesquisar para entender essa salada de fruta azeda. Fiz meu filtro e já sei quem será meu Federal; só. Os outros candidatos parecem ser uma releitura torta um do outro. Céus! Difícil, mas não vou me render ao nulo. Apesar de estar namorando com ele esses dias. Seria lícito dentro do jogo democrático um voto nulo, mas não seria prudente. Não é tempo de ser neutro no mundo.
Como diz meu sobrinho, estou muito "despositiva" hoje - contrário de positiva. Textos são assim mesmo, dizem tudo que a gente quer, dizem nada sobre a gente. Fato que, quem não quer passar por esse mundo como poluição de ônibus, pesquisa antes de votar. Só deixo meu protesto contra os oportunistas dos nomes bizarros: política não é palhaçada. Acorda aê!

17 de setembro de 2014

meu nome é CRÊR

Preciso refrescar a cabeça! Fonte: Google Imagens

"Já vi tudo, só falta acreditar"

Um texto com epígrafe entre aspas para ilustrar um estado de espírito que pode ter sido inspirado desde o período eleitoral, até violência urbana, ou amores tortos. Tudo isso ronda minha cabeça (com dor) hoje. Seria muito mais fácil se meus escritos falassem de momentos de beleza e flores, mas não é bem assim que a banda toca quando estou "a toa na vida".
Escuto uma música e outra pra espantar os pensamentos, tomo um analgésico, danço pela casa, bebo suco de limão, contudo o pensamento (com dor) está impregnado em mim. Essa dor - se é que posso descrever uma dor física de forma mais realista que descrevo as dores da alma - essa começa um pouco acima dos olhos. Dor conquistada depois de um dia cansativo, de baixa energia.
Escrevo para lembrar que já vi muito, preciso agora acreditar. Acreditar que muitas pessoas podem ter deuses dentro delas, criando mais tormentas do que jardins. Alguns dos cenários que frequentei durante minha ínfima estadia no planeta, fazem com que acredite que vejo, mas não me permitem aceitar.
Meus olhos que vêem, não acreditam na distorção social que estamos metidos. O que fez o homem da humanidade? É realmente assustador ver coisas; não olhar, digo ver. Não posso acreditar no prazer da violência, da ausência de harmonia, na preguiça, no radicalismo, no vazio. Desejo, imploro não acreditar no que vejo. Só que aí aparece a velha conhecida dor. Acima dos olhos, mais do lado esquerdo.
Aumento o som. Ouvir Otto nesses momentos é espetacular. Todas as peles são cruas, amigo, e alguns corpos parecem desabitados de alma. Não o meu - eu a vejo, só não acredito. Acredito que posso caminhar mais um pouco, mesmo com os pés e a cabeça doendo muito.