16 de novembro de 2014

meu nome é SUBVERSÃO

Fui dia desses no supermercado e não levei uma lista. Peguei o carrinho, sabia que tinha apenas três quartos de hora para me virar nos corredores, confiando na minha memória fotográfica sobre o que faltava na despensa e geladeira.
Comecei ordenando meu pensamento por seções: alimentos, limpeza, bebidas, frios. Fui distraída, passeando apoiada no carrinho, concentrada em ser objetiva. Uma compra sem lista pode ser traiçoeira. Para mim especialmente no departamento de artigos de limpeza. Abro os tubos, cheiro todos. Adoro desengordurantes, desinfetantes, detergentes, paninhos coloridos, sabão líquido, amaciantes, cloro com ação mega power. Só nessa seção passo metade do tempo, além de correr o risco de gastar mais dinheiro com coisas que realmente não preciso. Nesse ponto preciso de lista.
O supermercado e lista combinam. Eu e lista não. Em defesa dela e minha, digo que as listas estabelecem ordem; reduzem a ansiedade; dão folga para a memória; apoiam estratégias; definem o olhar. Contudo, limitam. Não descobriria metade das novidades no mundo se seguisse listas de afazeres o tempo todo. Me livro delas especialmente nos domingos.
Pensei no texto exclusivamente pela falta de ordem que estabeleci hoje, um domingo despretensioso de novembro, com céu nublado e baixa disposição para dirigir até qualquer lugar. Fiz uma lista e não fiz nada que estava escrito nela. Ao contrário, subverti meu domingo num dia de aprendizagem. Assisti cerca de dez vídeos com palestras e documentários sobre coisas que atualmente me interessam. Li textos imensos, de piadas a poesia, conceitos científicos e orações. Jiboiei vendo filmes que sempre prorroguei assistir. A única rotina foi a faxininha da casa, todavia feita de traz pra frente, alterando um regulamento particular, confundindo meu senso de ordenamento.
Acabo o dia com uma sensação de frescor na cabeça. Ainda tenho planos para hoje, estendendo a intenção de viver um dia sem agenda. O que se aprende com isso? Não sei mesmo, talvez o prazer de sentir-se livre das amarras das programações. Mesmo assim vou acabar esse texto com uma lista, das coisas que me dão prazer, sem escala de preferência:
- observar o mundo
- perambular por ruas de lugares que pouco conheço ou não conheço nada
- sorrir de coisas sem importância aparente
- sentir bons cheiros que não agridem as narinas
- ler qualquer coisa, a qualquer momento, preferencialmente o que me faz virar a cabeça para o lado
- ouvir o som que combina com o momento
- despertar meu ser sinestésico
- a comunhão do pensamento
Era isso, sobre listas e pequenas revoluções que me resgatam a vontade o assunto de hoje. Estado de espírito dividido, penso agora em fazer a agenda de amanhã. Tanto me aguarda na semana... Ainda tenho poucas horas... Suspiro redentor.