18 de outubro de 2015

meu nome é ANAIRA

Olá, Ariana! Tudo bem com você?

Parabéns pelo aniversário antecipadamente! Terça-feira, não é mesmo? Sei bem como você gosta de receber abraços e ligações e mensagens nos dias 20 de outubro. Sempre dou um jeito de lembrar os esquecidos para falar contigo. Por quê? Não tenho ideia! Acho que por ver que não gosta de comemorar, fazer festa. Parece que esse dia é feliz e melancólico ao mesmo tempo, como você e sua balança dos propósitos.
Por falar nela, tenho um alimento para você colocar na plantinha de ideias que cresce em sua cabeça. Assisti uma entrevista ótima do Bauman para o Observatório da Imprensa. Você vai adorar, assista! E estou lendo um livro delicioso chamado "Memórias Póstumas de Brás Cubas" do Machado. Pense como essa mistura de intelectos pode gerar uma bomba criativa em nossas cabeças? Ideias muitas são meus presentes para você. Não tenho como dar muito mais do que isto.
Pensei em dar conselhos também, não vou mentir que é tentador dar conselhos na época do aniversário. Pensei em coisas do tipo: alimente-se melhor; não se distraia tanto; economize mais; pense na velhice e faça exercício hoje; mantenha seu cabelo sob controle. Depois de escrito parece mais esdruxulo do que imaginei, a não ser a parte do cabelo, claro.
Ao invés desse besteirol de conselhos que já deveriam ser parte de sua rotina, optei por lhe dar nomes de presente. Funciona assim: escreverei uma lista de nomes. Todos eles estão em mim e gostaria de lembrar que estão também em você. Não se importe com a ordem, só deixe fluir...
Família; Filosofia; Amor; Lua; Mar; Sombra; Verde; Roxo; Literatura; Umbu; Pipoca; Dia; Música; Água; Energia; Mandala; Janelas; Plantas; Coelho; Cachorro; Silêncio; Pés; Amigos; Cheiro; Olho; Óculos; Travesseiro; Computador; Caneta; Humanidade; Luta; Opinião; Memória; Busca; Paixão; Jeans; Números; Voar; Vento; Mar; Areia; Baleia; Saudade; Casa; Poço; Rede; Jardim; Mesa; Livro; Máscara; Torre; Praça; Céu; Nuvens; Carinho; Aconchego; Beijo; Concha; Casaco; Carta; Mensagem; Perfume; Boné; Perna; Bicicleta; Ombro; Ballet; Pilates; Sorriso; Caixa; Tosse; Brilho; Papel; Injeção; Bola; Carnaval; Caruru; Bolo; Passarinho; Chapéu; Onda; Caju; Caranguejo; Acarajé; Desenho; Bonecas; Sapatos; Lápis; Lima; Peru; Roma; Paris; Alpes; Erva-doce; Cerveja; Coragem; Disfarce; Pulo; Grito; Verdade.
Cada uma delas está dentro de você e desperta algo. Leia e releia, talvez aí estejam as pistas.
Um abraço bem sinceramente apertado, daquela que sempre estará contigo,

Anaira


27 de setembro de 2015

meu nome é NÃO LEMBRO

Marvin, help! Fonte: São Google

A gente fala em mudança, em caminhar para frente, em recomeçar, e de repente abre o computador e vê uma foto de uma pessoa que não encontra há muito tempo, e a memória dá um curto circuito: é a professora da oitava série! Nossa, de que disciplina mesmo? Como é o nome dela? As outras informações são fumaça! Vejo a sala, os amigos espalhados, sinto o cheiro do lugar, mas e o nome da professora?...
O foco foi mudando e percebi que naquela foto muitas das pessoas foram minhas companheiras quando tinha 14 anos. Em escala humana isso corresponde há quase 30 anos, em escala de memória, outra vida. A sensação é a de ter caminhado para frente sem nunca ter saído do lugar. Estou ainda ali, na beira do lago, ouvindo André tocar no violão uma música que fazia a gente rir. Como era mesmo? "Sentada na porta...". O que a gente conversava? Perdi essa parte em algum lugar de minha cabeça...
Dá um gostinho melancólico remexer memórias!... Nessa época, existia meu pai. Nessa época, vivíamos todos juntos. Mas nessa época tinha violência, tinha fome, tinha corrupção. "O mundo avança, sim, mas dando voltas ao redor do sol", escreveu meu sábio Gabriel García Márquez. Pensamento lúcido de um homem que acumulou anos de vida e entende que a experiência humana não começou ontem. Bem, esse não é um texto de crítica social, a intenção não era essa. Desculpe, é o costume brasileiro de estar insatisfeita.
Resgato meu texto com outro trecho do Sr. Gabo: "tinha uma ideia tão flexível da juventude que nunca achei que era demasiado tarde." Tenho essa sensação de flexibilidade de minha juventude, de meu olhar curioso para o mundo. Me agarro a ele para sobreviver, mesmo que a idade física às vezes lembre o de uma velhinha manca.
Espero não perder a memória com o tempo, a visão também me faria falta pelo prazer da leitura e da escrita, mas sempre tem o braille. E tem o nome da professora e dos amigos... Tenho que fazer listas, com ilustrações ao lado. Vai que a memória suma de uma vez e perca a riqueza disso tudo. Já perdi o nome da professora, oh céus! E a disciplina? Pelo menos isso, dona memória! Acho que era Inglês ou Matemática. Talvez Física também.

20 de setembro de 2015

meu nome é DOMINGO

O real e o imaginário: quem é quem? Foto: Google Imagens.
Depois de muitos meses sem escrever, tantas mudanças na vida, aventuro-me aqui novamente para dividir minhas impressões sobre as pessoas, o mundo, as circunstâncias doidas e alinhadas que chamamos de vida. Minha pergunta filosófica é sobre o domingo: o que é um domingo? Um dia imenso, cheio de tédio e expectativa do começo da semana como vejo alguns comentarem, ou seria um dia de ser feliz e acabar vendo o noticiário das mazelas do mundo para dormir cheios de medo e apreensão?
Hoje, domingo, é o dia que mais gosto de escrever. Normalmente escrevo sobre o que acontece nele, gosto desse dia preguiçoso, o dia do descanso da alma. Não vou dar receita para ter um bom domingo, acho bem tediosa essa história de seguir receita. Isso me provocou um insight: será que é por isso que não cozinho? Vamos investigar esse assunto dia desses...
Meus domingos são bem interessantes, sempre mexem comigo. Por isso me recuso a assistir os conhecidos programas de tv da noite para não estragar minha exploração criativa. Sim, pego o controle remoto e zapeio até o dedo doer. Algo de bom sempre aparece. Hoje foi a música brasileira no Rock In Rio. Delirei! Sentimento: orgulho de ser do país que produz a melhor música do mundo. Amo!
Domingo passado foi dia de cuidar da alma. Semana Espírita de VDC. O anterior foi melancólico, estávamos recentemente abalados com a morte do tio, muito juntos também, pois é assim que sabemos viver. Sentimento: consolo para tempos difíceis após dias de choro e saudade.
Os demais de agosto para cá? Mudei de casa, de cidade, de emprego. Sentimento: mente inquieta, tentando se adaptar a tanta novidade. O melhor? Poucos eventos de dor de cabeça. Acho que minha cabecinha virada no mói de coentro acha que está de férias, serelepe pela ausência de engarrafamentos. Aqui um parêntese: engarrafamento envelhece! Fila também. Estava virando uma velha rabugenta, intolerante e insociável na terra que nasci. Salvador, me dá um tempo para lhe amar novamente, agora não dá.
Voltando aos domingos, resumindo meus dias, tudo ocorreu conforme meus planos até agosto. A partir daí larguei os planos de lado por que a vida não tem controle - ela mostra isso com clareza imensa às vezes. Sem receita, sem lista, sem sensação de tédio nos domingos, vou vivendo esse tempo que se impõe. "E, devagar, o tempo transforma tudo em tempo." Li isso ontem, não é lindo? E é assim que vai ser, domingo após domingo. Sentimento: gosto que seja assim, por que essa sou eu, e assim vou seguindo - controladamente livre ou livremente sob controle. Bons domingos, bons tempos de recomeço!

14 de julho de 2015

meu nome é JACIARA DA FITINHA

Palmeiras imperiais, testemunhas das crenças e descrenças. Foto: #euquetireiessa

Aqui em Salvador é assim, para alguns: comprou um carro tem que ir na Igreja do Bonfim agradecer e pedir proteção nos caminhos. Arremata-se o ritual com uma fita do Senhor do Bonfim bem amarrada em algum lugar do veículo. Pois foi isso que fomos fazer, eu e minha amiga Juba, num final de semana desses.
Ela de carro novo, eu de carona, chegamos na Igreja mais pop da Bahia com suas fitas coloridas penduradas por todo lado e em mãos dos mais estranhos elementos. Eles começam sorridente, oferecendo a fita sagrada, e terminam brigando, reclamando que vantagem teriam em vender uma fita apenas, xingando a mãe da gente e praguejando que nossos pedidos vão acabar na boca da cabra cega.
Nessa seara que nos metemos, rezando e logo depois discutindo com o ambulante na porta da igreja, conhecemos uma vendedora com mais fé e menos ganância. Ela disse que realmente não venderia uma fitinha, ela DARIA a fitinha pra Ju e da cor que ela escolhesse (!). Achei super gentil, deu até vontade de comprar algum regalo santo, mas me contive para não inibir o impulso de gentileza dela. De quebra, ganhei uma também, escolhi roxa, cor da saúde.
Saímos satisfeitas e com o nome dela gravado para indicar e realizar compras nas próximas visitas à colina sagrada. Ela fica na barraca com toldo vermelho, do lado direito de quem entra na igreja. Seu nome é Edileuza, mas pode chamá-la de Jaciara. Não é a cara desse blog? Gentileza e criatividade conquistam as pessoas. Palmas para Jaci! Xô urucubaca de ambulante que explora na venda de fitinhas.

8 de julho de 2015

meu nome é BASTA

Minha Mafalda querida. Fonte: Google Imagens

Basta um pouquinho mais de paciência para meu mundo ser melhor. Basta um pouquinho, só um pouquinho de resiliência de livros de autoajuda. Basta o tal amor incondicional por mim mesma ou a gratidão por tudo o que aconteceu de bom até hoje. Basta ler mais livros fininhos de como achar um queijo escondido ou um monge executivo. Basta seguir a receita, mas eu não consigo!
Tenho mania de substituir farinha de trigo por maisena, queijo prato por ricota, leite por suco. Sempre desando nas receitas que, didaticamente, explicam como o produto final fica perfeito se seguido o passo a passo das quantidades e dos ingredientes. Mas nunca estou pronta para seguir essas receitas. Tenho um gênio criativo e difícil que me habita. Eu e ele juntos somos o que há de terror para as listas de textos de como melhorar o nosso ser social. Quando leio "33 maneiras de..." começo a me coçar. Confesso que leio, claro, assim como leio quase tudo o que me cai nas mãos. Só não acato e não aceito (tudo).
Bastava um pouquinho, só um pouquinho menos de autonomia no pensar, as coisas seriam mais fáceis. Muita opinião dentro de minha cabeça, muita análise. Prós e contras o tempo inteiro; decisões rápidas, instantâneas. Vivo ilhada na concepção de minha vida. Quero que o mundo dê certo, mas o trânsito me mata um pouco a cada dia. E as pessoas, aquelas que a gente não concorda com a visão de mundo? Elas proliferam, multiplicam, crescem desproporcionalmente (ou despropositadamente) ao nosso redor.
Sou um ser difícil, contudo basta apenas me olhar que eu desmonto. Não aguento um contato visual, me comovo com outro sinal de alma, de vida, de ser. Basta um olho no meu olho, uma mão em minha mão, um tempo pra respirar, e tudo se acalma.

8 de junho de 2015

meu nome é ALICE PARA SEMPRE

Quando ainda há memória, bom confessar o amor, sem dúvida... Fonte: Google

É, escrevi pouco, muito pouco em 2015. E já chegou junho. Não me lembro como o ano novo começou, lembro pouco do carnaval, menos dos últimos feriados. Lembro-me bem mesmo de um olhar cheio de perguntas, de uma voz cheia de silêncio, de uma música que insiste em repetir, repetir, repetir em minha cabeça tonta. Lembro-me de um plano, o de escrever para outros lerem além de mim. Lembro de ruborizar só de pensar o quanto a escrita expõe, mesmo assim não parar de escrever. Arriscar como se o amanhã fosse uma irrealidade. Isso me torna viva. Já fiz muita besteira pensando assim; fiz também tudo o que há de mais importante em minha vida. Sim, assisti "Para Sempre Alice" e senti a impossibilidade da memória, de todo um investimento na vida perdendo-se no esquecimento do próprio ser subjetivo. É uma história real, é uma possibilidade para qualquer pessoa. Na velhice, o esquecimento vem como um bálsamo. Na juventude, como uma praga. Pobre dos lúcidos. Enquanto isso, façamos textos, observemos olhares, tomemos sorvete, ouçamos música e, acima de tudo, respeitemos o outro e suas escolhas.

10 de maio de 2015

meu nome é CL(AMOR)

Tudo é grande nesse colo... Foto: Google Imagens

Se há um papel que minha mãe sabe fazer é ser Mãe. Sempre tivemos, eu e minha irmã, uma super companheira em todas as fases da vida. Minha mãe é uma mulher que se dedica a maternidade e a tudo o que se compromete na vida, deixando sua marca de vitalidade e amor em tudo o que toca. Sou uma super fã de minha mãe e durante muito tempo desejei que o mundo tivesse mães mais parecidas com a minha. Hoje meu desejo é mais intenso do que nunca e vou explicar por quê.
Assim como minha mãe, conheço super mães dedicadas e presentes na jornada dos filhos, sem anulação de outros lados femininos tão essenciais quanto a maternidade. Mas conheço histórias terríveis de danos causados pela ausência de mãe, inclusive de mãe presente mas que nunca conseguiu exercer esse papel com a força necessária para dar conta das necessidades dos filhos. Triste ver isso. Mesmo estudando muito para compreender como as individualidades interferem nas relações, essas histórias me enchem de tristeza. É pena alguém privar alguém de ter um amor de mãe, a vida privar alguém de ter esse amor tão aconchegante, a gente se privar de ser amado.
Hoje, desejo apenas que o mundo esteja inundado por esse sentimento que conheço bem e me dá coragem de enfrentar tanta coisa. Levo a vida muito a sério, não acho que estou aqui de férias, por isso essa força maternal é essencial para permanecer no caminho que escolhi: minha base, meu sustento, minha esperança e meu norteador. Nem ligo para a quantidade insana de declarações e fotos de mães nas redes sociais, espero mesmo é que o mundo se encha de amor e paz! Feliz Dia do Amor Materno!

4 de maio de 2015

meu nome é DESCUBRARIANA

Isso é um tipo de relação de amor <3 fonte:="" google="" td="">

Quatro textos publicados no ano, nunca estive tão ausente do bloguinho desde que me propus a escrever para outras pessoas lerem além de mim. E pensar que, mesmo depois de tantas laudas, os pensamentos não descansaram. Não existe usina mais profícua do que a mente da gente, que até mentir mente.... Profícua?! Agora me lembrei das cartas que trocava com minha prima Tina! A gente escrevia nos papéis de carta mais lindos do mundo e as últimas linhas eram sempre reservadas para as palavras mais recentes que descobrimos, tipo "profícua". Criamos nosso dicionário e aprendi o gosto de encontrar palavras bonitas com significados interessantes. Creio que assim aprendi o que era hermenêutica, ósculo e amplexo, indubitavelmente, ditoso. Idiossincrasia aprendi com um amigo que insistia em jogar essa palavra no meio de engenheiros e eles faziam cara de "tô sabendo" e a conversa transcorria sem haver comunicação - no fundo achava que essa era a intenção. Havia outro amigo que usava termos em inglês durante conversas formais ou informais; "turn down" tinha em todas as falas. Havia também as pessoas simples, sem estudo formal, que sempre estiveram por perto. Nesses casos a riqueza era muito maior. A gente tinha que aprender a decifrar hieroglifos e neologismos fantásticos. E assim fui me apaixonando pelas palavras, pelo sentido delas, por dicionários, por cordel. Respeito muito tudo isso, por isso escrevo aqui sempre que posso, para brincar um pouco com minha alfabetização, minha língua, minha memória, minha terapia, minha capacidade de juntar sílabas e criar palavras e criar frases e criar orações e forjar textos e ter o prazer de dividir por que a vida assim fica mais fácil.

25 de abril de 2015

meu nome é PENSARIANA

"posso ficar pensando no que é bom"... Fonte: MPB/Google

A vida não tá fácil pra ninguém e desconfio que nunca foi em tempo algum. Desconfio também daquelas propagandas fofas de casais sorrindo e correndo em praias maravilhosas; anúncios com famílias felizes comendo pipoca e assistindo TV com o cachorro quieto no meio do sofá; publicidade com celebridades de cabelos perfeitos com tintura barata; bancada de telejornal tentando pular do tom lastimoso de um terremoto para a felicidade dos gols da vez; das pessoas em minha frente conversando sobre a maravilhosa produção artística de Berlim no meio um show lindo de música brasileira pura; do discurso torto da pessoa que barganha deveres.
A vida não tá fácil pra ninguém e a minha cabeça está a mil pra variar. Desconfio que nunca será diferente. Tenho a impressão de que já nasci pensando. Vejo uma menina do olhão com um balãozinho estilo nuvem no topo da cabeça, tentando formar seu primeiro pensamento. Devo ter pensado que aquele lugar me recebia e eu teria que dar algo em troca, mas o quê? Um pouco de compaixão, talvez. Um pouco de argumentação, quem sabe. Um pouco de respeito, é possível.
A vida não tá fácil pra ninguém e eu aqui pensando qual foi o meu primeiro pensamento. Com certeza foi o instinto da sobrevivência que formou o primeiro dos pensamentos do tipo: respire! Depois veio a fome, o sono e todo o resto. Mas quando será que iniciou o tempo do pensar pensamentos mais elaborados? Aqueles pensamentos grandes, como perguntas com pontos de interrogação destacados? Quando aconteceu a compreensão de que sou um ser pensante, criativo e social? Quando entendi o que é possível interferir na vida e tornar as coisas mais fáceis?
O fato é que a vida não está mesmo fácil, nem pra mim nem pra ninguém, e todo o resto tem ficado de lado. Pena, eu curto pensar.

(leia ouvindo música: sugiro "Nu Com a Minha Música" de Caetano Veloso)

5 de março de 2015

meu nome é SIMPLES

Aqui para os censuráveis!

Fevereiro sem posts e já chegamos a março sem muito assunto. Mentirinha! Vários assuntos já passaram por minha cabeça esses dias. De música à filosofia. De amor a acidente. De fantasia a indicadores sociais. Nada me impulsionou para a escrita, até ouvir uma palestra de Suassuna no YouTube. Isso mudou tudo.
Escrever é um ato de libertação para mim. Falo o que quero, escrevo como aprendi, censuro sempre. Imagina se não? Se toda a rebeldia, a gaveta desarrumada aparecesse aqui nos adjetivos. Creio que se a autocensura não existisse, estaria em apuros.
Vocês devem estar se perguntando o que Suassuna e o parágrafo acima têm a ver um com o outro. Nada exatamente. Só que as palavras daquele sertanejo clássico guardavam opiniões originais e chegaram ao estágio de serem ditas sem censura pelo próprio. Imagino se algum dia chegarei eu a tal privilégio.
Primeiro ele conhecia muito sobre o que falava: era um estudioso. Contestá-lo merece não só debruçar sobre os livros, mas viver uma história de vida tão rica quanto a dele. Segundo, a simplicidade o habitava e quem pode com isso? Escrever "data venia", com o devido respeito, nunca fez de um tolo um grande advogado. Terceiro e não menos importante, ele mentia e confessava que esse era o melhor dos seus recursos para a escrita. Qualquer um que faz isso merece respeito e quem quiser que aprenda o que é a verdade.
Assim sendo, expresso minha inteira e irrestrita admiração pelo senhor Ariano Suassuna. Meu nome não veio do seu. Data venia, apodero-me dessa similaridade para me envaidecer. Rebusquei na tentativa de normalidade, contudo gosto de gente simples. Valeu, "Seo" Ariano!

25 de janeiro de 2015

meu nome é ESPECTADORA

O filme "Mil Vezes Boa Noite" é uma narração interessante sobre a morte. E também sobre a vida. Quem quiser assistir, na minha opinião, vale a pena. Mas não espere um filme com narrativa de rápido consumo; tudo é denso e faz pensar. A história da fotógrafa de guerra, que denuncia os absurdos humanos, é movida pela raiva, como ela mesma diz numa das cenas. E esse é o motivo deste texto: me vi naquelas palavras.
O que me move a viver situações tão distintas da vida pacata? A raiva. Ela pulsa em mim como uma bomba pronta a explodir. Tenho que ser vigilante para não detonar. Consigo noventa e nove por cento das vezes. Mas uma vez, uma vez que seja, em um milésimo de segundo, não basta muito, ela acelera o batimento cardíaco e vira dor de cabeça ou palavras neste espaço.
Eu e Rebecca somos muito diferentes, apesar de movidas pelo mesmo ideal de indignação. Se é esse o espaço que me cabe neste mundo, sou uma inconformada. Preciso também de um canal de desabafo. No caso dela, encontrou a fotografia. No meu caso, encontro toda a minha filosofia de vida. Acredito na raiva como propulsora de mudanças.
Fiquei com muita raiva quando fui conhecer a vida de um pai e um filho que moravam embaixo de uma ponte. Também tive raiva quando vi uma mãe dar para adoção seus três filhos de uma só vez. Morri de raiva quando vi um empresário brindando a sua fartura com bebidas caras enquanto devia salário de meses aos funcionários. Raiva me habita, assim como a tristeza.
Triste saber que o poder faz parte do jogo. E que a vida é esse jogo sem fim. Não há vencedor, não há fim. Mesmo assim se joga sem parar. É um belo filme.

8 de janeiro de 2015

meu nome é ARIANA CHARLIE

Do australiano David Pope por todos que acreditam na vida.

Preciso escrever sobre o evento de ontem em Paris. Não por ser seguidora do Charlie Hebdo, mas por acreditar que a violência “de fato” é um recorte da violência simbólica da intolerância às diferenças. Tolher liberdades é o que mais me dói. Para mim esse é o cenário que mais simboliza o estágio primitivo que o ser social vive ainda hoje, após tantos milhões de anos de vida em grupo. Como li hoje em uma das tantas reportagens sobre o ataque ao semanário francês, “a religião não é uma doença, mas o radicalismo sim”. Concordo. A religião em si, como qualquer ideia que simpatizamos não é uma doença, é um ponto de vista sobre algo que nos identificamos. Contudo o radicalismo, o fanatismo, o achar que a verdade individual tem que prevalecer ou convencer o outro é absurdamente alienada. No rádio ouvi que o fanatismo não é educável. Concordo. A pessoa fanática por qualquer coisa, seja “politicamente” certa ou errada (conceitos extremamente subjetivos) quer impor seu ego, sua maneira de pensar, é incapaz de ver outras possibilidades de pensamento, é o simbólico da inflexibilidade. Esta inflexibilidade que diariamente a gente convive em pequenas coisas, deixando passar para não criar problemas, vai se alimentando de nossa covardia até se transformar em uma afronta social de medição de força. Quem tem mais poder? O que sou capaz de fazer para estabelecer o meu ponto de vista no contexto que estou? Quem está certo e quem está errado? Não sei responder, queria que muito mais gente conseguisse não responder a essas perguntas. A opressão começa com a vaidade de achar que temos respostas. A vida social não me exige aceitação, exige respeito. Pelo respeito, pela liberdade, “Je suis Charlie”.

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