14 de julho de 2015

meu nome é JACIARA DA FITINHA

Palmeiras imperiais, testemunhas das crenças e descrenças. Foto: #euquetireiessa

Aqui em Salvador é assim, para alguns: comprou um carro tem que ir na Igreja do Bonfim agradecer e pedir proteção nos caminhos. Arremata-se o ritual com uma fita do Senhor do Bonfim bem amarrada em algum lugar do veículo. Pois foi isso que fomos fazer, eu e minha amiga Juba, num final de semana desses.
Ela de carro novo, eu de carona, chegamos na Igreja mais pop da Bahia com suas fitas coloridas penduradas por todo lado e em mãos dos mais estranhos elementos. Eles começam sorridente, oferecendo a fita sagrada, e terminam brigando, reclamando que vantagem teriam em vender uma fita apenas, xingando a mãe da gente e praguejando que nossos pedidos vão acabar na boca da cabra cega.
Nessa seara que nos metemos, rezando e logo depois discutindo com o ambulante na porta da igreja, conhecemos uma vendedora com mais fé e menos ganância. Ela disse que realmente não venderia uma fitinha, ela DARIA a fitinha pra Ju e da cor que ela escolhesse (!). Achei super gentil, deu até vontade de comprar algum regalo santo, mas me contive para não inibir o impulso de gentileza dela. De quebra, ganhei uma também, escolhi roxa, cor da saúde.
Saímos satisfeitas e com o nome dela gravado para indicar e realizar compras nas próximas visitas à colina sagrada. Ela fica na barraca com toldo vermelho, do lado direito de quem entra na igreja. Seu nome é Edileuza, mas pode chamá-la de Jaciara. Não é a cara desse blog? Gentileza e criatividade conquistam as pessoas. Palmas para Jaci! Xô urucubaca de ambulante que explora na venda de fitinhas.

8 de julho de 2015

meu nome é BASTA

Minha Mafalda querida. Fonte: Google Imagens

Basta um pouquinho mais de paciência para meu mundo ser melhor. Basta um pouquinho, só um pouquinho de resiliência de livros de autoajuda. Basta o tal amor incondicional por mim mesma ou a gratidão por tudo o que aconteceu de bom até hoje. Basta ler mais livros fininhos de como achar um queijo escondido ou um monge executivo. Basta seguir a receita, mas eu não consigo!
Tenho mania de substituir farinha de trigo por maisena, queijo prato por ricota, leite por suco. Sempre desando nas receitas que, didaticamente, explicam como o produto final fica perfeito se seguido o passo a passo das quantidades e dos ingredientes. Mas nunca estou pronta para seguir essas receitas. Tenho um gênio criativo e difícil que me habita. Eu e ele juntos somos o que há de terror para as listas de textos de como melhorar o nosso ser social. Quando leio "33 maneiras de..." começo a me coçar. Confesso que leio, claro, assim como leio quase tudo o que me cai nas mãos. Só não acato e não aceito (tudo).
Bastava um pouquinho, só um pouquinho menos de autonomia no pensar, as coisas seriam mais fáceis. Muita opinião dentro de minha cabeça, muita análise. Prós e contras o tempo inteiro; decisões rápidas, instantâneas. Vivo ilhada na concepção de minha vida. Quero que o mundo dê certo, mas o trânsito me mata um pouco a cada dia. E as pessoas, aquelas que a gente não concorda com a visão de mundo? Elas proliferam, multiplicam, crescem desproporcionalmente (ou despropositadamente) ao nosso redor.
Sou um ser difícil, contudo basta apenas me olhar que eu desmonto. Não aguento um contato visual, me comovo com outro sinal de alma, de vida, de ser. Basta um olho no meu olho, uma mão em minha mão, um tempo pra respirar, e tudo se acalma.