27 de setembro de 2015

meu nome é NÃO LEMBRO

Marvin, help! Fonte: São Google

A gente fala em mudança, em caminhar para frente, em recomeçar, e de repente abre o computador e vê uma foto de uma pessoa que não encontra há muito tempo, e a memória dá um curto circuito: é a professora da oitava série! Nossa, de que disciplina mesmo? Como é o nome dela? As outras informações são fumaça! Vejo a sala, os amigos espalhados, sinto o cheiro do lugar, mas e o nome da professora?...
O foco foi mudando e percebi que naquela foto muitas das pessoas foram minhas companheiras quando tinha 14 anos. Em escala humana isso corresponde há quase 30 anos, em escala de memória, outra vida. A sensação é a de ter caminhado para frente sem nunca ter saído do lugar. Estou ainda ali, na beira do lago, ouvindo André tocar no violão uma música que fazia a gente rir. Como era mesmo? "Sentada na porta...". O que a gente conversava? Perdi essa parte em algum lugar de minha cabeça...
Dá um gostinho melancólico remexer memórias!... Nessa época, existia meu pai. Nessa época, vivíamos todos juntos. Mas nessa época tinha violência, tinha fome, tinha corrupção. "O mundo avança, sim, mas dando voltas ao redor do sol", escreveu meu sábio Gabriel García Márquez. Pensamento lúcido de um homem que acumulou anos de vida e entende que a experiência humana não começou ontem. Bem, esse não é um texto de crítica social, a intenção não era essa. Desculpe, é o costume brasileiro de estar insatisfeita.
Resgato meu texto com outro trecho do Sr. Gabo: "tinha uma ideia tão flexível da juventude que nunca achei que era demasiado tarde." Tenho essa sensação de flexibilidade de minha juventude, de meu olhar curioso para o mundo. Me agarro a ele para sobreviver, mesmo que a idade física às vezes lembre o de uma velhinha manca.
Espero não perder a memória com o tempo, a visão também me faria falta pelo prazer da leitura e da escrita, mas sempre tem o braille. E tem o nome da professora e dos amigos... Tenho que fazer listas, com ilustrações ao lado. Vai que a memória suma de uma vez e perca a riqueza disso tudo. Já perdi o nome da professora, oh céus! E a disciplina? Pelo menos isso, dona memória! Acho que era Inglês ou Matemática. Talvez Física também.

20 de setembro de 2015

meu nome é DOMINGO

O real e o imaginário: quem é quem? Foto: Google Imagens.
Depois de muitos meses sem escrever, tantas mudanças na vida, aventuro-me aqui novamente para dividir minhas impressões sobre as pessoas, o mundo, as circunstâncias doidas e alinhadas que chamamos de vida. Minha pergunta filosófica é sobre o domingo: o que é um domingo? Um dia imenso, cheio de tédio e expectativa do começo da semana como vejo alguns comentarem, ou seria um dia de ser feliz e acabar vendo o noticiário das mazelas do mundo para dormir cheios de medo e apreensão?
Hoje, domingo, é o dia que mais gosto de escrever. Normalmente escrevo sobre o que acontece nele, gosto desse dia preguiçoso, o dia do descanso da alma. Não vou dar receita para ter um bom domingo, acho bem tediosa essa história de seguir receita. Isso me provocou um insight: será que é por isso que não cozinho? Vamos investigar esse assunto dia desses...
Meus domingos são bem interessantes, sempre mexem comigo. Por isso me recuso a assistir os conhecidos programas de tv da noite para não estragar minha exploração criativa. Sim, pego o controle remoto e zapeio até o dedo doer. Algo de bom sempre aparece. Hoje foi a música brasileira no Rock In Rio. Delirei! Sentimento: orgulho de ser do país que produz a melhor música do mundo. Amo!
Domingo passado foi dia de cuidar da alma. Semana Espírita de VDC. O anterior foi melancólico, estávamos recentemente abalados com a morte do tio, muito juntos também, pois é assim que sabemos viver. Sentimento: consolo para tempos difíceis após dias de choro e saudade.
Os demais de agosto para cá? Mudei de casa, de cidade, de emprego. Sentimento: mente inquieta, tentando se adaptar a tanta novidade. O melhor? Poucos eventos de dor de cabeça. Acho que minha cabecinha virada no mói de coentro acha que está de férias, serelepe pela ausência de engarrafamentos. Aqui um parêntese: engarrafamento envelhece! Fila também. Estava virando uma velha rabugenta, intolerante e insociável na terra que nasci. Salvador, me dá um tempo para lhe amar novamente, agora não dá.
Voltando aos domingos, resumindo meus dias, tudo ocorreu conforme meus planos até agosto. A partir daí larguei os planos de lado por que a vida não tem controle - ela mostra isso com clareza imensa às vezes. Sem receita, sem lista, sem sensação de tédio nos domingos, vou vivendo esse tempo que se impõe. "E, devagar, o tempo transforma tudo em tempo." Li isso ontem, não é lindo? E é assim que vai ser, domingo após domingo. Sentimento: gosto que seja assim, por que essa sou eu, e assim vou seguindo - controladamente livre ou livremente sob controle. Bons domingos, bons tempos de recomeço!