20 de abril de 2016

meu nome é NÃO É

Meu lugar! Fonte: Google imagens

Muitas vezes, com absoluto senso de auto-preservação, congelo-me. Vou explicar como faço: primeiro o silenciamento - não falar é necessário nesse momento. Depois a procrastinação - localizando-me no tempo do depois. Depois o casulo - ninguém vai sentir falta mesmo diante de tantos estímulos externos. Domingo saí do estado sólido para o líquido e para o gasoso em nove horas com a TV ligada na votação do processo de impeachment.
Foi um estado de mudança muito rápido e doloroso. De repente não consegui mais ficar quieta, parada, omissa. Falei algumas coisas, não tudo o que queria. Não sou muito de briga, fico desgastada, minha energia baixa logo. Contudo implodo se ficar ouvindo coisas que discordo sem me posicionar.
Hoje, cansada com a luta diplomática interna, pesando prós e contras de minha fala, estou dolorida e aliviada. Disse o que penso e isso é muito bom.
Daí vem as consequências: muitas pessoas que gosto e admiro têm visão diferente do mesmo problema. Estão feridas e apaixonadas. Sofreram por mais tempo que eu, já que estava congelada. Já estão roucas por clamar seus discursos por justiça. Oh, justiça! Santa que oramos por solucionar as incongruências sociais. Sim, a justiça no Brasil é um caminho de fé - acredito nisso e sigo. Deixou de ser estuda, racionalizada há muito tempo. Ou melhor, este é um tempo de interpretações. Sabe a pegadinha da vírgula? A depender de onde coloco a vírgula o sentido da frase muda completamente. Assim está o Brasil.
Inquieta, muito inquieta com esse rumo. Não surpresa. O acesso à informações diversas provoca isso. Emissores e receptores de informação, todos temos opiniões e filtros distintos para analisar a mensagem. Velhos tempos de faculdade. Começo a entender porque não me desfiz de meus livros de faculdade, anteriores à reforma ortográfica. Preciso continuar lendo sobre sublimiraridade, manipulação, opinião pública, agenda setting, alienação. poder, mídia.
Pesquisando mais, chego a um conceito chamado "espiral do silêncio" (criado pela pesquisadora alemã Elisabeth Noelle-Neumann). Estava nessa neura! É mais ou menos assim: melhor calar, já que a maioria está numa linha que não concordo; já que a mídia fala com outra ênfase, priorizando as opiniões do status quo; já que os posts de pessoas que gosto estão colorindo minha timeline com palavras de ordem do discurso dominante.
Ainda bem que sempre tive um sentimento de liberdade dentro de mim, e de justiça social também. Chutei a espiral do silêncio para bem longe. Até tive vontade de escrever! Às vezes somos oprimidos por convicções alheias que não são nossas em absoluto, mas brigar é ruim. Deve ser ruim também nascer. E viva Herman Hesse! "Quem quiser nascer tem que destruir um mundo".