21 de maio de 2016

meu nome é ARTÍSTICO

Três opções já prontinhas: Fê; Lipe: Felipe (fofinho lindo!). Fonte: Google Imagens
Voltando às raízes, o site da Exame publicou alguns dos "surpreendentes" nomes de pessoas famosas. Adoro! A primeira coisa que faço é imaginar se essas pessoas não tivessem mudados seus nomes se teriam essas mesmas atuações no mundo artístico. Salve o livre arbítrio! Nossos pais nem sempre têm as melhores ideias na hora de nos registrar, convenhamos. Colocar o nome de Eliemary em um bebê é no mínimo exótico e dá margem para apelidos mais palatáveis (exemplo da pública Mara Marvilha).
Não quero reprimir os pais, especialmente os brasileiros - povo de criatividade pulsante. Nem gosto do regulador de cartório que abrasileira os nomes e provoca mais confusão que acerto. Minha intenção sempre foi a ressurreição de personalidades "abafadas" por seus nomes de batismo. A sombra de um nome não desejado provoca uma sombra na vida de muita gente - hipótese sugerida para um doutorado em linguística.
Quando que Elton John usaria aqueles óculos estasiantes sendo chamado de Reginald? E a clássica Xuxa seria ela e seus pompons chamando-se Maria das Graças? Não só os nomes, digamos, diferentes oprimem uma personalidade. Os nomes comuns, normais no IBGE, também reduzem um ser. Trágica, cômica, dramática constatação de um delírio meu, partindo de meu próprio nome.
Às vezes fico me imaginando lançando um livro, que não chega nunca a ser um projeto, mais seria um devaneio. E que nome adotaria se não o meu mesmo. Talvez um dos meus vários apelidos fizesse mais sucesso. E teria a consulta à numerologia que não poderia faltar. Somados tantos "as" em um nome só será que daria sorte? Decisões cruciais.
Os nomes da reportagem são mostrados como um souvenir para o leitor. Para mim dizem mais do que apenas uma diversão, falam de nosso ser público, nosso personagem social. O discurso presente em um nome é uma coisa linda de se observar! Desde a escolha para registro à aceitação dos registrados tem tanto desejo no meio, tanta informação afirmadora de tempo/história, espaço territorial, condição social, cultura... Encanta-me cada apresentação.
Aos Dinhos citados na Exame - Dinho do Mamonas Assassinas chamava-se Alecsander, e Dinho Ouro Preto do Capital é Fernando - até os Dinhos que conheço de perto - tipo o Serisvaldo que gerente de produção aqui da fábrica, toda a liberdade de escolha de nomes que se sintam reconhecidos e felizes!

16 de maio de 2016

meu nome é LEITORA

Está mais fácil viver no meu mundo interior. Fonte: Google Imagens
Realmente amo ler bons livros. É no universo da literatura que me desligo desse mundo louco e reconecto com mais força para sobreviver a ele. Gosto de ler livro impresso. Livro que tem cheiro. Ainda não me adaptei a longas leituras por meio das telas. Leio uma notícia, um artigo. Mas para histórias sou analógica. Sim, prefiro livros ao cinema. Adoro bons filmes; um audiovisual bem feito, com narrativa interessante encanta-me tanto quanto um bom livro. Contudo há uma diferença. O tempo. Um filme é consumido em duas horas ou um pouco mais. Um livro pode durar uma vida toda de leitura.
Não tenho livros de cabeceira. Tenho muitos livros na cabeceira. Ontem contei uns cinco. Um me pegou de jeito neste domingo. Por sua maravilhosa forma de escrever, Mia Couto é hoje uma das minhas preferidas leituras. Ele escreve magicamente e me lembra meu povo de Salvador, místicos clãs de sereia, como diz o Djavan na música.
Lembrei do bloguinho e de seu ímpeto inicial de narrar sobre histórias das pessoas e de seus nomes, especialmente em uma parte do livro, quando um dos personagens diz mudar de nome a cada aniversário para enganar a morte. Uma linda e melancólica imagem da incapacidade humana de fugir do fim. Só que chega um momento onde a memória falha e ele repete um nome antes usado. Mau agouro. A memória quando falha pode matar a gente.
Quanto mais leio mais sinto vontade de escrever. Ando lendo muita reportagem, por isso estou pouco criativa para escrever além da crise política e social que estamos vivendo neste nosso país. Os problemas são tão grandes e estão comprometendo tanto nossas vidas presentes e futuras que não dá pra ficar alheia. A opinião indiscriminadamente atola as telas, mas não minha prateleira. Meus livros são meu refúgio à opiniões. São meu alimento substantivo.
Nesse mundo tão exterior, tão "fora" de nós, encontro nos meus livros a delicadeza para me reconstruir. E isso e tão bom! Por um tempo de mais leituras, mais silêncio, mais reflexão e mais consistência.