26 de junho de 2016

meu nome é POESIANDO

Fazer poesia é fácil
É só rimar tudo o que tem alma
Como beijo com calma

Lágrima rima com jaula
Força com aula
Justiça com mula
Coragem acumula

Inventa palavra pra ficar mais bonito
Mistura tudo num só caldeirão
Demoreza
Solitude
Tempestão
Cataventisse
Luazada
Friocão

Tudo junto bem que rima
Frase se apruma na corda-bamba
Pense em circo
Pense em árvore
Pense em gente e tempestade

Esquece a mão no papel
Deixa o coração escrever
Faz aparecer imagem em vez de letra
Risca tudo, lápis de astrever

Ressuscita palavra de dicionário morto
Português guarda alfabeto rico
Rima roto, orto, porto
Polemiza aborto, desporto, pé-torto

Agora tenta rimar coisa que dói
Essa é minha dificuldade
Pai rimar com saudade
Casa rimar com vontade
Povo rimar com calamidade

E não é que veio a rima?
Devia de estar guardada no fundo da cabeça
Naquele lugar que por mais que eu aqueça
Não emerge com facilidade
Só na música, na palavra poesia, na ânsia de brevidade

Morro eu na palavra da rima
Chega de tentar poesia por hoje
Machuca a mão e a testa
Ver como a vida resta
Sem coragem, sem piedade, sem contemplação

É fácil fazer poesia
Contanto que queira Castro Alves berrando no peito
Fernando Pessoa saindo do leito
Manoel de Barros na garganta sem jeito

Todo esse povo que morre fazendo poesia
E eu?