19 de outubro de 2016

meu nome é FESTEJANDO

Um abraço para fortalecer a vida. Fonte: Google Imagens

Comecei a escrever este bloguinho como uma grande brincadeira. Foi a forma que encontrei para canalizar minhas observações sobre o mundo e sobre a humanidade, aproveitando para divertir com os amigos. Como diz o povo, peguei gosto de construir textos e, com o passar do tempo, fui elaborando mais, trazendo outros assuntos que não fossem apenas os diferentes nomes das pessoas. Do lugar onde falo, meu ponto de vista, batizar pessoas, coisas, sentimentos, merece cuidado e apreço pela palavra: são construções determinantes para o sucesso ou fracasso da história. Digressões a parte, vim mesmo fazer meu checklist de aniversário e informar que sobrevivi, pelo menos até a publicação deste.
Mais um ano astral virando amanhã e pego meu caderninho de desejos 2016. Dentre os desejos desejados por todo mundo - investir na saúde, incentivar a paz interior, começar a malhar - há sempre no caderninho um desejo aberto à milhões de oportunidades: aprender algo novo. Todo ano escrevo esse desejo com letras maiúsculas. Tenho a impressão de que fortalecerá minha vontade e me moverá enfim para algo, além de novo, maravilhoso. E eis que este ano, mesmo com a crise, o golpe, o impeachment, o Cunha, a bela-recatada-e-do-lar, a PEC 241, com a exploração dos recursos naturais, a ameaça de extinção de tantos animais, a tragédia do Haiti, o caminhão desgovernado em Nice, a guerra na Síria, a seca no nordeste, o Trump, a Olimpíada, o resultado das Eleições, a microcefalia e os desafios que caminham juntos, os sismos, a Câmara de Deputados, o sofrimento dos refugiados, o iPhone 7, a morte do Umberto Eco e de todos os que deixarão saudades, aproveitei muito bem meu tempo na vida!
Nada de sofrer além do sofrimento todo do mundo, nada de perder tempo com toda a perda de tempo da humanidade, consegui dar "ok" em todos os meus desejos e ainda marcar com um sorriso emoji aquele desejo escrito com maiúsculas. Fico feliz por isso. Apesar de tudo, e desse "apesar" não quero esquecer, minha vida segue em paz - firme em minhas crenças, em meus valores e em meus desejos. Pés no chão, cabeça nas alturas, desejo que todos tenham bons dias de avaliação de objetivos e refazimento, porque a poesia não pode estar distante da vida real. Sugiro seguirem abraçadas.
Paz e luz para nós todos!

12 de outubro de 2016

meu nome é CRIANÇA(S)

A roda do Ivan Cruz tão lúdica quanto linda! Fonte: Google Imagens

Havia uma menina dos cabelos enrolados que pensava na vida do patinho como uma grande questão filosófica a ser respondida. Há uma mulher que acomoda a menina com grande carinho na memória do tempo. Não há saudade, nem mesmo falta, há uma imprevista certeza de que aquele caminho iniciado nos anos de 1970 faz sentido.
Recordar aquela menina sempre me faz bem. Às vezes a ponho no colo, a abraço e converso sobre as conquistas, os enfrentamentos, a vida sempre em movimento. Ela me olha com espaçosos olhos verdes e presta atenção ao que digo como se ali estivesse seu futuro. Enfim, a menina é o que melhor habita em mim. Com ela aprendi a brincar e isso segura a sanidade de qualquer adulto.
A brincadeira da criança é a fantasia do adulto, segundo Freud. Minha fantasia já virou desenho, já virou leitura, já virou casamento e agora é texto. É esse exercício que pratico publicamente no bloguinho por que acho mais prazeroso dividir do que esconder.
E hoje, no dia das crianças, tive tantas crianças por perto em minha memória e nas fotos! As crianças que foram meus pais; as crianças que fomos eu e minha irmã; as crianças que foram meus tios e primos e filhos dos primos; as crianças que foram meus amigos; a criança que cresce e me chama de dinda; os meus bichos para sempre crianças. Esse foi o momento do devaneio com riso de canto.
Só que tiveram outros devaneios, aqueles que fazem uma ruga no meio da testa. A criança que tentamos resgatar da vida sem sucesso; a criança que morava naquela casa improvisada de papelão embaixo da ponte na estrada; a criança que precisou amputar a perna por causa de um câncer; a criança que foi violentada por um pescador; a criança doada pela mãe sem condição de cria-la; a criança, que a mãe carregava no colo suplicando ajuda, com os pés feridos de mordida de rato. Sim, conheci todas, não é brincadeira, nem fantasia.
Sempre olho para as crianças com esperança, confio que o tempo fará um bom serviço. Minha desconfiança não é com aquele que está começando ou aquele que está no fim, o meio é o que me preocupa. O adulto que transformou a brincadeira numa fantasia reprimida e esconde dele mesmo todo o afeto, não se comove com a dor alheia e não conversa com sua própria criança. Hoje pode ser um dia para alguém lembrar disso. Minha menina, a de joelho ralado e unha roída, está comigo, para sempre. Espero que a sua esteja também.

7 de outubro de 2016

meu nome é FURACÃO

O texto abaixo é de uma reportagem da BBC e achei muito interessante para postar no bloguinho por conta do tema, reforçando que "Je suis Haiti" e penso que a atenção do mundo deve estar voltada também para esse lugar:


Matthew ameaça a Flórida: como são escolhidos os nomes dos furacões

Os americanos estão em alerta com a aproximação do furacão Matthew, que deve atingir a Flórida nesta sexta-feira. Alguns moradores do sudeste dos Estados Unidos foram orientados a deixar suas casas.
O furacão já provocou ao menos 25 mortes, desde que se formou perto da fronteira entre a Colômbia e o México, no fim de setembro. A sua passagem foi destruidora no Haiti, onde ao menos 21 pessoas morreram e mais de 350 mil estão desalojadas, segundo a ONU. Outras quatro mortes foram registradas na República Dominicana.
Com o rastro de destruição, o Matthew poderá estar no nível de outras tempestades famosas pelos efeitos desastrosos como Andrew, de 1992 e Katrina, de 2005.
Mas qual seria a explicação para os nomes dos furacões e outros ciclones tropicais?
Usar nomes humanos - em vez de números ou termos técnicos - nas tempestades tem o objetivo de evitar confusão e facilitar a divulgação de alertas.
Ao contrário do que dizem alguns boatos populares, a escolha dos nomes não tem nada a ver com políticos e não se trata de homenagens a pessoas que morreram no desastre do navio Titanic.
A lista de nomes para os ciclones tropicais do Atlântico foi criada em 1953 pelo Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC, na sigla em inglês) e seu padrão foi usado para as listas de outras regiões do mundo.
Atualmente, as listas são mantidas e atualizadas pela Organização Meteorológica Mundial, agência da ONU baseada em Genebra, na Suíça.
As listas dos furacões de cada ano são organizadas em ordem alfabética, alternando nomes masculinos e femininos. E os nomes de tempestades são diferentes para cada região.
Neste ano já passamos por Alex, Bonnie, Colin, Danielle, Earl, Fiona, Gaston, Hermine, Ian, Julia, Karl e Lisa até chegarmos ao Matthew.
As listas são recicladas a cada seis anos, o que significa que alguns nomes podem voltar a aparecer.
Os comitês regionais da OMM se reúnem anualmente para decidir que nomes de tempestades do ano anterior devem ser "congelados" por terem sido particularmente devastadoras.
O furacão Katrina, por exemplo, que deixou mais de dois mil mortos em Nova Orleans, nos Estados Unidos, em 2005, não teve seu nome reutilizado. Em 2011, quem apareceu em seu lugar, com menos alarde, foi a tempestade Katia.
Koji Kuroiwa, chefe do programa de ciclones tropicais na OMM, explicou que o Exército americano foi o primeiro a usar nomes de pessoas em tempestades durante a Segunda Guerra Mundial
"Eles preferiam escolher nomes de suas namoradas, esposas ou mães. Naquela época, a maioria era nome de mulher."
O hábito tornou-se regra em 1953, mas nomes masculinos foram adicionados à lista nos anos 1970, para evitar o desequilíbrio de gênero.
Em 2014, um estudo de pesquisadores da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, afirmou que furacões com nomes de mulheres matam mais pessoas que aqueles com nomes masculinos, porque costumam ser levados menos "a sério" e, consequentemente, há menos preparação para enfrentá-los.
Os cientistas analisaram dados de furacões que atingiram o país entre 1950 e 2012, com exceção do Katrina em 2005 - porque o grande número de mortos poderia distorcer os resultados.
O estudo, que foi divulgado na publicação científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), afirmou que cada furacão com nome masculino causa, em média, 15 mortes. Já os que têm nomes femininos provocam mais de quarenta.
Kuroiwa diz que o uso de nomes próprios pretende fazer com que as pessoas entendam previsões e alertas mais facilmente. Costuma ser frequente encontrar pessoas com vontade de participar.
"Temos muitos pedidos todos os anos: 'por favor, use meu nome ou o nome da minha esposa ou da minha filha'".
Durante a era vitoriana na Grã-Bretanha, as tempestades eram nomeadas aleatoriamente. Uma tormenta no oceano Atlântico que destruiu o mastro de um barco chamado Antje, em 1842, foi chamada de Furacão de Antje.
Outros furacões foram identificados por suas localizações, mas coordenadas de latitude e longitude não eram tão fáceis de identificar e comunicar a outras pessoas.
Um meteorologista australiano do século 19, Clement Wragge, se divertia usando nomes de políticos dos quais não gostava. Na região do Caribe, os furacões já foram nomeados em homenagem aos santos católicos dos dias em que eles atingiam cidades.
Atualmente, os nomes mudam de acordo com a região dos ciclones.
"No Atlântico e no leste do Pacífico, usam-se nomes reais de pessoas, mas há convenções diferentes em outras partes do mundo", diz Julian Heming, cientista de previsões tropicais no Met Office, escritório de meteorologia britânico.
Heming diz que no oeste do Pacífico, por exemplo, também se utilizam nomes de flores, animais, personagens históricos e mitológicos, e alimentos, como Kulap (rosa em tailandês) e Kujira (baleia, em japonês).
"O importante é ser um nome do qual as pessoas possam se lembrar e identificar. Antes, esta região usava nomes em inglês e, há 10 anos, decidiu-se que eles deveriam ser mais apropriados para a região."
Hoje em dia, Sandy poderia chegar aos Estados Unidos, mas Anika se aproximaria da Austrália, Bakung chegaria à Indonésia e Bulbul poderia atingir a Índia.
As letras Q,U,X,Y e Z não são usadas na lista das tempestades no Oceano Atlântico por causa da escassez de nomes próprios com elas. Neste caso, há no máximo 21 tempestades nomeadas em um ano até acabar a lista.
Mas o que acontece depois que a lista termina? "Se o resto da temporada tiver muita atividade, temos que usar letras do alfabeto grego", diz Heming.
* Reportagem originalmente publicada em outubro de 2015 e atualizada

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