31 de março de 2017

meu nome é BLOGUINHO

Toda vez que abro esse espaço
Dá vontade de abraçar
Cheirar o cangotinho
Encher de beijinhos
Como um filhote recém-nascido

Ele está até velhinho
Um jovem rapaz
Mesmo assim faço dengo
No meu primeiro rebento
O que saiu de meu poros
Das minhas dores
Do meu riso
E me curou tantas vezes

Nem sei fazer poema
Mal sei escrever prosa
Sei mesmo é de amor
De amizade, de carinho
De acomodar a alma na ponta dos dedos
Sei fazer barulho no teclado quando escrevo
Pegar um caderno antigo e cheirar fundo
Espirro seguido de felicidade

Leio cada crônica, cada conto
Como se fosse filho único
Filho de meu pensar, do meu sentir
Minha jornada, só minha
Dividida com quem chegar perto

2 de fevereiro de 2017

meu nome é HAJA-NOS!

Pedacinho de mim 💛

Após alguns anos de jornada no bloguinho, a coisa começa a ganhar contornos imprecisos. O prazer da escrita e suas peculiaridades invadiram minha vida desde julho do ano passado quando me matriculei num curso de escrita criativa. O certo é que minha biblioteca aumentou; livros sobre escrita estão por toda parte da casa; exercícios constantes de escrita multiplicam arquivos e pastas de projetos. Junto com isso: amigos! Começo a entender a lógica das tribos, quando pessoas são atraídas umas para junto das outras apenas por compartilhar gostos. E confesso, estou curtindo o movimento.
Considero que venho transitando bem no universo digital. Leio em e-books sem problemas, teclo sem esforço, mantenho redes sociais sem neura e escrevo no bloguinho por prazer. Contudo, ver um texto publicado me encheu de emoção. Livro é orgânico. Tem textura, cheiro, possibilidade de escrever (de lápis) nos cantos do texto. Coisa boa! E assim é a antologia "Haja-nos!", 211 páginas de contos e crônicas de 25 novos escritores brasileiros, sendo que na página 175 começa minha história. É mesmo mágico, não sei explicar.
Ser comemorada como "escritora", me causa estranhamento. Imaginem uma pessoa que frita um ovo, não quebra a gema, e, só por isso, é chamada de chef. Essa imagem vem sempre em minha mente quando me dão parabéns pela publicação. Lógico que agradeço a força, especialmente de meus amigos e minha família que estiveram colados em mim esses dias. Não consigo esconder minha satisfação de ver o resultado de todo um trabalho que fiz com amor - mesmo assim dá vontade de me esconder embaixo da cama toda vez que me pedem para ler o que escrevi.
Comportamento bobo, infantil, sei disso. Quando percebo que vou me expor além de minha bolha de proteção e controle, parece que começo um processo de autofagia, coisa para abordar em momentos terapêuticos.
Acredito no que li num poste em Fortaleza: cada bolha tem sua agulha. No caso, minha agulha foi uma caneta. Escrevi e estourei a bolha. Agora é colocar a mão na massa e aperfeiçoar o trabalho. Um dia, quem sabe, numa estante, muitos livros, alguns clássicos, outros experimentais, na letra A, uma Ariana Magalhães, da Bahia, que começou exercitando a escrita em um blog, quem sabe...